quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

OS VERÕES NA ALDEIA

HELDER BARROS
- “Fogo atrás do beiral dos moinhos!”, gritava a Rosa das Fulgosas, moça linda do lugar e esperta como uma raposa, com a vivacidade própria da sua formosa juventude. Estávamos numa tarde típica de agosto, de abafado calor de Verão, de dias de longos estios, quando, a tarde pachorrenta foi, inopinadamente, interrompida pelos gritos daquela jovem que, com a sua voz aguda e estridente, tudo despertou e agitou. E vinham de todas as quintas e casais, homens e mulheres com enxadas que, rapidamente rodearam o fogo, cortando e olhando os matos, atacando evolução do incêndio no seu começo. Estávamos nos anos oitenta, não havia telemóveis, pouca gente tinha telefone fixo e quando os bombeiros finalmente chegavam, o rancho de povo já tinha extinguido completamente o incêndio. Havia um forte sentido de comunidade, as aldeias estavam cheias de gente, os jovens pululavam nos campos, caminhos e terreiros.

Ou então, numa noite de calor do mesmo mês, num ano próximo ao evento anterior, sai o Serafim disparado da cama, de camisa de dormir, porque ouviu a mesma rapariga a gritar: - “Fogo na pedreira, já vai quase na vinha nova!”. O Serafim do Rio saltou num ápice da sua cama, e desatou a correr pela porta fora, em camisa de dormir. Perante o ridículo da situação, diz a Leonor, mulher do homem: “Oh Home, tu vais de fraldas!”. E lá foi o homem que se juntou a outros valentes, com enxadas e roçadouras, lá apagaram um fogo, que não teve direito a bombeiros, por estarem ocupados com um enorme fogo no Marão. O nosso Marão que, naquela década de oitenta, ardeu todo, assim como a sua riqueza, medida em milhares de toneladas de madeira, de resina e de material biocombustível.

E naquela tarde de Primavera em que o padeiro caiu na sua carrinha à ribeira de Fregim. Todos quanto trabalhavam à volta foram atraídos, como que por um íman à ponte do rio, no fundo do vale. Eu, miúdo, ia pela mão de minha mãe, da Mó, onde então residíamos, para a Cidreira e quase chegados ao rio, ouvimos o estrondo que foi a carrinha a cair. A carrinha tinha acabado de passar por nós na estrada, então de terra, a grande velocidade. A Rosa deu o alerta, aos berros de “eles afogam, eles afogam!” e os homens chegaram e tiraram os dois ocupantes da viatura, de baixo da mesma e da água. Recordo os corpos ensanguentados, uma imagem que jamais esqueci, mas soube-se depois que, chegada a ambulância, uma hora mais tarde, os homens foram para o antigo hospital da vila e os seus ferimentos não passaram de golpes superficiais e alguns hematomas sem grande importância.

E quando numa bela tarde de junho, os homens que trabalhavam na Quinta de Pousada, decidiram fazer a poça de consortes, para armazenamento e divisão de águas, mais cedo que o previsto e sem conhecimento prévio dos outros consortes, foi o bom e o bonito. Serafim e Leonor saíram de forquilha para quatros homens rijos e, estes, perante a fúria do casal, subiram para o trator e trataram de fugir enquanto a fúria não abrandou. O povo em volta desceu ao rio e tratou de arrefecer os ânimos do casal que, sentindo-se injustiçado e lesado nos seus direitos, dos usos e costumes agrícolas que passaram de geração em geração, sempre respeitados.

Só havia uma coisa que amedrontava a Leonor, as cobras do campo, do rio ou dos montes. Quem quisesse ouvir a Leonor berrar era quando ela avistasse um desses répteis, castanhos ou esverdeados que tão bem se dissimulavam na ecologia do campo. Certa vez a regar, no meio da levada para virar as águas, Leonor, como sempre, descalça, sente o toque numa perna, de uma cobra escorregadia e ziguezagueante e desata numa berraria que alvoroçou toda a vizinhança, levando-os a pensar que alguma grande desgraça tinha acontecido no rio. O Serafim e os filhos riam-se à gargalhada, enquanto um deles apanhou a cobra e andou com ela a assustar a mãe, numa grande algazarra, que recrudescia sempre que sentiam o pânico da Mãe a aumentar.

Uma mulher e um homem que cortavam e calcavam um carro de mato descalços, que eram imunes ao frio do inverno, pois, normalmente não se calçavam para sair de casa e para realizar os árduos trabalhos agrícolas. Tinham calçado, não se tratava de falta de meios para se calçarem, vestirem ou comerem, mas ambos foram habituados assim. No final do dia era vê-los a lavarem os pés no rio, tanque, levada, ou na torneira exterior à casa, fosse verão ou inverno. Só havia exceções, nas idas à missa dominical, ou cerimónias familiar ou comunitárias: casamentos, batizados ou funerais. Aí vestiam as suas melhores roupas, ficando quase irreconhecíveis.

O casal guardava uma pipa de vinho tinto no beiral e quando tinham sede, tiravam os esquisso e deitavam o vinho tinto de casa diretamente para uma malga e toca a beber do néctar caseiro. Normalmente, a seguir, iam cortar erva para o gado, ou roçar as bordas de mato e cantava o Serafim: “Estás aí oh Leonor; mulher da minha vida; és todo o meu amor; minha Senhora da Aparecida!” e respondia ela: “Estás aí oh Serafim; homem com quem casei; tu gostas tanto de mim; que três filhos eu te dei”. Ouvi-los cantar era uma delícia, mas sem eles darem conta. Saiam grandes rimas, numa mostra de afeto, em forma de versos ritmados.

Mas eram um casal de uma simpatia infindável, apesar da sua vida dura, dispensavam sempre um sorriso e uma alegre troca de palavras, sempre que se cruzavam com alguém. Tinham sempre a sua cozinha aberta, para que quem passasse quando almoçavam ou jantavam, pudesse partilhar com eles o momento. Bem haja, para este maravilhoso casal que tive o prazer de conhecer.

A MENINA DO RIO

CATARINA PINTO
Quem não conhece a profundidade dos vales cerrados, das montanhas verdejantes. Onde silêncios perpétuos habitam como séculos tímidos com o arrastar do tempo.

Era aqui mesmo, onde o céu se confunde com os sonhos que vivia uma menina… A Menina do Rio. A Menina do Rio, pequena e frágil como os sentimentos, de longos cabelos dourados pelo sol do verão e presos numa trança que ondulava como as ondas da imaginação. Vestia um curto vestido cor- de – rosa tão simples como a beleza da alma e inocência.

Ela era o que existia de mais puro, uma espécie de anjo perdido na Terra. Costumava brincar sozinha entre o milheiral e um rio que existia mesmo ao fundo de uma colina.

Todos os dias ela olhava o rio. A água correr freneticamente tal e qual como se tivesse horas para cumprir um dever da sua agitada. Olhava a água tão límpida e gélida. Ali via passar os pássaros por cima da água talvez com sede de vida talvez apenas por coincidência. Ficava a olhar as flores que na Primavera vinham visita-la mesmo ali ao pé do seu rio. Mas no seu interior, brilhava uma luz dos seus sonhos.

Guardava em segredo a sua utopia. Conhecer o mar… É verdade, a Menina do Rio que conhecia a profundeza do rio nunca tinha sentido o sabor do sal do mar num dia quente de Verão. 

Nunca tinha sentido a maresia abraça-la, envolve-la com toda a ternura. Nunca tinha percorrido o areal quente queimando os seus pés delicados enquanto procurava buzio e estrelas do mar perdidas entre as rochas ou brincar com os caranguejos…

Nunca tinha construído castelos junto a água do mar… A Menina do Rio sonhava acordada todos os dias que ira conhecer o mar. Na verdade talvez até estivesse apaixonada por ele.

Acreditava bem no fundo do seu coração que um dia iria voar do rio até ao mar talvez até construísse o seu barco para chegar ate ao seu amor… Um dia sim, iria ser a Menina do Rio que desaguaria no mar…

TELEMÓVEL: O DITADOR DOS NOSSOS DIAS

ARTUR COIMBRA
Não sei se os leitores já repararam: uma das maiores ditaduras da actualidade é nem mais nem menos do que o telemóvel. 

É esse pequeno aparelho, cada vez mais leve e plurifuncional, cada vez mais sofisticado, que se enfia no bolso do casaco ou das calças, para já não falar da bolsa das senhoras, esse universo multímodo e caótico que só elas conseguem descodificar. Um aparelho às vezes inconveniente, que toca nos lugares mais indiscretos, como uma igreja, um cemitério ou uma reunião sigilosa. Para já não falar num encontro impróprio, no tempo, no lugar ou na pessoa.

O telemóvel acaba por ser a nossa segunda pele, de que não podemos abdicar, sob pena de perdermos a nossa identidade. É mais fundamental que o computador, que tanto divinizamos: porque podemos sair de casa sem o computador, sem qualquer problema. Vamos ao futebol sem o computador. Vamos ao centro comercial sem o computador. Contudo, não somos capazes de dar um passo na vida sem a segurança do telemóvel: sair de casa sem o telemóvel no bolso é como colocarmos o pé fora da porta, para trabalhar, em chinelos ou em pijama. Estamos nus, descompostos. Falta alguma coisa. Melhor, o essencial. Esquecemos às vezes a carteira, ou os óculos, mas nunca o telemóvel.

Se saímos de casa sem o ditador, voltamos atrás, porque não podemos estar um dia sem o telemóvel. No emprego, é claro, há telefone fixo. Podemos contactar e ser contactados. Mas não é a mesma coisa. Qualquer pessoa que tenha o nosso número, pode querer ligar a qualquer momento e nós não “estamos” lá. Não podemos atender. E se de repente nos dá a vontade de dizer “bom dia” à nossa mãe, mandar um piropo à namorada, enviar uma mensagem de aniversário ao amigo que já não vemos há vinte e dois anos? Como é que vai ser?

Não nos venham com a lengalenga estafada de que até à existência do telemóvel, há bem poucos anos, as pessoas também viviam, também se falavam, deixavam recados, marcavam encontros, viajavam, iam e vinham, e tudo seguia normalmente. Ninguém morria se não soubesse durante duas ou três horas, ou dois ou três dias, do nosso paradeiro.

Hoje, não. Na era do telemóvel, da urgência, da velocidade, da momentaneidade, se durante vinte minutos não conseguirmos contactar o nosso filho que foi dar uma volta de bicicleta, ligamos de imediato para a polícia, para o Hospital, para o INEM, colocamos logo um anúncio na internet: “Desapareceu o menino…”.

O telemóvel é, na verdade, o tirano dos tempos modernos. Reparemos, durante um simples jantar: estamos a comer, a beber, como que distraidamente. Mas não é distracção: de dois em dois minutos, fixamos o aparelho, não para ver as horas, mas na secreta esperança de que alguém ligue ou envie um simples SMS. Alguém, ou ninguém: é já hábito, costume, expectativa, paranóia. E se alguém calha de ligar, levantamo-nos, desviamo-nos, orelha colada ao aparelho, sorriso nos lábios, como se a banal chamada fosse a coisa mais importante do mundo.

E quando estamos a cavaquear num grupo de amigos ou de conhecidos? Se o telemóvel toca, interrompem-se as conversas, finam-se os diálogos: mais que quem está presente, ao nosso lado, quente de proximidade, releva quem está do outro lado do aparelho, frio, palavroso. A prioridade não é quem está junto de nós, é quem nos telefona. Mesmo que não tenha nada de importante para nos dizer, que seja para informar que o espectáculo não é às 9 mas às 10 da noite, ou que não vai jantar a casa. Pelo simples facto de estar a falar à distância, sobreleva sobre tudo o resto: todas as conversas, os encontros, por mais substanciais e primordiais que sejam.

Hoje o telemóvel é mais importante que tudo na vida. Ele é a vida, e tudo se lhe subjuga. Desligamos o computador, o televisor, o automóvel, o amor, a leitura, a música, o quotidiano. Não desligamos nunca o telemóvel, nem de noite, nem ao fim de semana, nem nas férias. É que “alguém” pode ligar. Ou ninguém, como acontece a maioria das vezes!...

Mudam-se os tempos, evoluem as vontades, subvertem-se os valores.

Estamos todos loucos. E a culpa não é das novas tecnologias. É da nossa cabeça alienada!


INVESTIR EM ÁFRICA (?)

África é o 2º maior continente do planeta (tem 20% da área terrestre).
África é o 2º continente mais populoso (tem 15% do total de população do planeta).
África é o 2º continente que mais cresceu nos últimos 10 anos (entre 5% a 7%), depois da Ásia.
Não obstante representa apenas 4% do PIB mundial.

Como explicar este paradoxo?

RUI LEAL
Embora o continente Africano seja rico em recursos naturais, ao contrário do que sucede noutros pontos do planeta, parte das riquezas estão por explorar devido à escassez de investimentos em estudos geológicos.

O continente Africano tem água em abundância (rios, lagos, bacias hidrográficas e águas subterrâneas), só que encontra-se mal distribuída E tem uma costa de 45 000 km e 8 milhões de km/2 de terra arável, dos quais apenas ¼ é cultivado.

O crescimento deste continente está a ser realizado a várias velocidades, existindo inúmeras diferenças culturais, regionais, geográficas, políticas e económicas.

Basta verificar, a título de exemplo, as milhares de línguas que são faladas nos 55 países do continente africano.

O PIB africano, em termos reais, cresceu à média de 5% de 1996 a 2012 (mais do dobro dos 2% da média mundial), sendo capaz de resistir a choques externos, como foi o caso da crise financeira, em que o crescimento do PIB em 2008 se manteve nos 5% e em 2009 nos 3%.

Contudo este crescimento não é homogéneo: de 2000 a 2012 as economias da África subsariana cresceram 5,4% ao invés do Norte de África que cresceu 4,6%.

A título de exemplo, durante este período Moçambique registou um crescimento na ordem dos 7,4%/ano.



Como se explica este crescimento africano?



Parte destes resultados explicam-se pelo boom das commodities (matérias-primas).

Em volume, as exportações de matérias primas do continente Africano mais que duplicaram, desde 2000, estando na base de tal crescimento a alta dos preços impulsionada pela procura dos países emergentes, o que fez disparar as receitas.



Consequências deste crescimento explosivo



Aumento do investimento estrangeiro que, em percentagem do PIB, triplicou desde 2000, sendo que, em volume, passou de 7 mil milhões de dólares em 2000 para 35 mil milhões de dólares em 2012.

Embora 70% desse investimento seja concentrado nos países ricos em recursos naturais, desde 2003 que os projectos de investimento estrangeiro se dirigem a outros sectores como as finanças, serviços e telecomunicações.



Desafios actuais ao continente Africano



Transformar a riqueza no progresso do capital humano, a nível de conhecimento e de progressão no bem estar;

Manutenção de uma economia saudável quando o ciclo das commodities não é favorável (gestão da volatilidade das receitas, que pode ser feita mediante a criação de fundos soberanos – desde que invistam directamente no continente);

Reforço da qualidade das instituições.

Aumento da competitividade via investimento na sofisticação tecnológica e sobretudo nas infra-estruturas (salientando dentro destas os gastos com energia e transportes);

Evitar a tentação do consumo imediato (aplicar as receitas em investimentos e projectos de curto prazo);

Evitar a “doença holandesa” – quando o crescimento da riqueza mineral asfixia o crescimento de outros sectores (caso dos países do Golfo em que a distribuição dos rendimentos do petróleo é feito através da redução de impostos – taxa 0% - ou através de subvenções directas aos carenciados)



Ascensão do continente Africano será conjuntural?



Na nossa opinião as economias da África subsariana continuarão a crescer mais rapidamente que a média mundial, esperando-se que o continente africano albergue 12 das 20 economias mais dinâmicas do mundo.

A principal razão prende-se com questões demográficas, pois este é o 2º continente mais populoso do mundo, prevendo-se que a população africana continuará a crescer e representará ¼ do planeta em 2050.

Em 2010 apenas 5% da população tinha mais de 60 anos (versus Europa com 22% e América do Norte com 19%)

Hoje metade da população africana tem menos de 20 anos, pelo que estará activa, no mercado de trabalho, nessa altura.

Os economistas apelidam este fenómeno de “bónus demográfico”.

Por outro lado ainda assiste-se ao crescimento de uma classe média, que triplicou nos últimos 30 anos, sendo que esta classe e a classe média-alta valem 10% da população, podendo, assim, prever-se uma explosão no mercado de bens de consumo.

A título de exemplo, nos últimos 6 anos, a penetração de telemóveis sextuplicou (de 10% para 70%).



Por todo o exposto, consideramos que o continente Africano constitui um espaço privilegiado de investimento e crescimento, devendo estar em permanente monitorização na busca de novas oportunidades de negócios.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

DIFÍCIL NÃO É APRENDER, DIFÍCIL É ENSINAR!

ALINA SOUSA VAZ
A versatilidade é algo que aplaudo de pé no ser humano e a sua adaptabilidade ao contexto que lhe é apresentado, de forma inesperada, faz de si uma mais valia para a produtividade de uma empresa, de uma instituição e por conseguinte do progresso de uma nação. 

É baseada nesta adaptabilidade que me vou formando enquanto profissional ligada ao ensino. Confesso que o ensino superior me apraz no sentido da investigação que lhe está inerente, contudo as experiências no ensino secundário dão-me uma visão de como os alunos estão a ser preparados e a forma como chegam até ao ensino superior. 

O ano letivo 2016/2017 trouxe-me mais uma bela experiência, a qual concilio com outras duas que já desempenhava. Acreditando que seria possível conciliar a vida profissional e familiar, lá ando eu numa roda vida constante tentando em todas elas deixar um pouco de mim. 

Não é fácil, mas é possível! 

“Deixar um pouco de mim”?!!!, dirão vocês. A pergunta sempre de mãos dadas com a admiração é constante, cada vez que me expresso oralmente sobre este assunto. Passo a explicar: as turmas com que trabalho são consideradas difíceis, pois a intranquilidade dos alunos não permite a boa prática das aprendizagens. As queixas são constantes…e não as elenco aqui, porque não me interessa esmiuçar o menos bom, mas, sim, o melhor que estes alunos me permitem aprender com eles. 

Quando deixo um pouco de mim, os olhos arregalam-se ávidos de ouvirem histórias semelhantes às suas, o silêncio aparece como se tivesse vergonha e aos poucos as mentes abrem-se a vinte minutos de novos conceitos.

Quando deixo um pouco de mim, soam as dificuldades que tenho em deixar a minha cidade, o tempo que perco no percurso e o dinheiro que gasto na deslocação; o silêncio abraça a solidariedade e as atividades do programa realizam-se.

Quando deixo um pouco de mim, eles sonham a meu lado! Os corações palpitam e anseiam por conquistas e ainda que restem sempre muitas dúvidas o deleite do sonho fá-los sorrir relaxados; as leituras, outrora iniciadas aos arranques com bocejos mal dispostos, sugam as palavras difíceis e expressam comentários e reflexões.

Quando deixo um pouco de mim….

Quando deixo um pouco de mim, sinto que tudo pode acontecer! 

Por isso, afirmo que, se estabelecermos metas adequadas a cada aluno, é fácil aprender. Não podemos é querer que vinte e seis alunos tenham, numa mesma sala, o mesmo índice de conhecimentos e comportamentos, como se todos quisessem trabalhar para entrar em cursos de medicina, aeronáutica ou física. 

Logo, difícil é ensinar alunos do século XXI que têm professores do século XX, com propostas teóricas do século XIX, da Revolução Industrial. As políticas públicas têm sido calamitosas, porque é urgente que as escolas sejam geridas por pedagogos que permitam aos alunos com objetivos diferentes realizarem o seu percurso escolar aproveitando, muitas vezes, as suas aptidões naturais. Reprovar alunos que não aprenderam conteúdos que no futuro de pouco ou nada lhes servirá é condená-los. As aulas de apoio, os planos de recuperação são um adorno que não resulta; aquilo que não se ensina em um ano letivo, não se ensina num mês de apoio. Horas a mais não é solução! 90 minutos em contexto de sala de aula é penoso. Como José Pacheco (2016), mestre em educação da criança pela universidade do Porto, defende: «aprendizagem acontece quando há um vínculo afetivo entre quem supostamente ensina e quem supostamente aprende».

Quando deixo um pouco de mim…sinto que tudo pode acontecer!

SOBREENDIVIDAMENTO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

PALMIRA CRISTINA MENDES
Há dias em conversa de café com um amigo falávamos do sobre- endividamento e dos seus efeitos. Iclusivé esse amigo relatou me um caso em que uma Sr.,ª esposa do sobreendividado , se tinha suicidado porque devido à nova realidade não aguentou a pressão.

Falar em sobre-endividamento é falar, em regra, da rutura financeira das famílias, da sua falta de liquidez, do desfasamento entre receitas e despesas. As suas consequências são graves, com fortes repercussões para a qualidade e sustentabilidade da vida familiar e para o desenvolvimento económico e social das famílias. Consequências que também se refletem no núcleo de outros sujeitos, a começar pelos credores e acabar no Estado e na Sociedade.

As consequências refletem-se no próprio sobre-endividado, obviamente, afetando muitas vezes a sua saúde física e psíquica. No âmbito profissional pode traduzir-se, porque acontece, na perda do posto de trabalho, seja motivado pela fragilidade emocional, seja pela quebra de produtividade ou ainda pelo facto dos empregadores terem de suportar encargos administrativos adicionais resultantes da penhorabilidade dos salários e dos seus trabalhadores.

Os que se encontram desempregados debatem-se com preconceitos e suspensões dos potenciais empregadores, porque acontece, que temem a sua falta de motivação e instabilidade psicológica própria da situação.

Ainda no plano das ideias preconcebidas, o facto de se mostrarem incapazes de manter o equilíbrio do seu orçamento familiar, de pagarem atempadamente as suas dividas, de serem declarados insolventes, é frequentemente interpretado como um sinal de descredibilidade, imprudência e de vivencia acima das possibilidades. Os rótulos são vários e servem apenas para agravar a tendência para a autoexclusão, ao mesmo tempo que fomenta o surgimento de estados depressivos e de dependência.

Existem de igual forma fortes repercussões para a sua família. Esta também é confrontada com a diminuição do rendimento, com as restrições de consumo e com a perda dos bens, em consequência das iniciativas dos credores dirigidas à cobrança de dividas.

Quid Iuris?

ESCOLA VS. FAMÍLIA

MÁRCIA CORREIA
O papel da escola modificou-se ao longo dos anos acompanhando desta forma os avanços e necessidades da sociedade, mudanças essas que foram significativas para o país, principalmente no que diz respeito ao funcionamento e acesso à população ao ensino público.

Neste sentido, uma das funções da escola é socializar o conhecimento e atuar na formação moral dos alunos, e é essa soma de esforço que promove o pleno desenvolvimento do indivíduo como cidadão. A escola é o lugar onde a criança deverá encontrar os meios para preparar e para realizar os seus projetos de vida, a qualidade de ensino é, portanto, condição necessária tanto na sua formação intelectual como moral. A falta de formação de qualidade levará a que os seus projetos falhem no futuro.

Deste modo, os professores, a comunidade escolar e a forma de avaliação são transmissores de normas e valores que orientam e preparam o indivíduo para viver em sociedade. Assim, é importante que estas questões façam parte da organização curricular.

Contudo, a família é base da sociedade. Desta forma, cabe aos pais um papel fundamental na educação dos filhos. Os pais são os primeiros educadores, e, desde o início, estão incumbidos do sustento material, cultural e espiritual das crianças

Assim, há uma pressão da sociedade que leva a que os casais jovens necessitem trabalhar fora, tanto o homem como a mulher, e por vezes não sabem com quem deixar as crianças, a maioria são colocadas em creches. Nesses casos, desde a mais tenra idade, estas crianças ficam aos cuidados de instituições públicas ou privadas, longe dos pais, recebendo influências externas num período que deveriam receber uma atenção integral em casa, no seio de sua família. Mas não é esta a realidade que hoje vivemos, cuja situação deixa lacunas com desdobramentos imprevisíveis no futuro de cada criança.

Mesmo assim, vemos muitos pais assumirem o seu papel na educação dos filhos com dedicação e até heroísmo. Apesar das dificuldades apresentadas por uma realidade cada vez mais fragmentada e individualista, muitos pais esforçam-se para dar aos seus filhos o afeto e a atenção necessárias, e os conhecimentos que precisam para serem pessoas com princípios e valores que os fazem assumir os desafios da vida com responsabilidade.

Tais valores devem levar os filhos, quando adultos, a serem pessoas participativas e solidárias, ajudando o desenvolvimento da sociedade, isto porque tiveram um bom desenvolvimento pessoal, com o apoio efetivo dos pais. E educar, frise-se, é colocar limites. Não é permitir a filosofia do ``deixar fazer`` e desenvolver crianças e adolescentes mimados. Isto tem dado resultados bastantes negativos, atendendo ao aumento da violência entre os jovens. Jovens estes que não estão habituados a ouvir o NÃO. Educar é estar presente com amor, carinho e valorização, mas sem permitir que os filhos ultrapassem os limites.

A falta de tempo não pode ser desculpa para a nossa ``desresponsabilização`` do papel de pais. Mais importante do que a quantidade de tempo que passamos com os nossos filhos, é o aproveitamento que fazemos dele.



OPÇÕES DE FELICIDADE

ARMANDO FERREIRA DE SOUSA
Todos queremos ser felizes!
Temos o direito de ser felizes!
Quiçá se não temos o dever de ser felizes!
Contudo, o que é realmente ser feliz? Será ter um bom carro? Uma casa deslumbrante com piscina de água salgada e um mini cinema para descontrair nas noites frias?
Consistirá, por outro lado, em ser amado e respeitado por quem nos rodeia?
Bem, confesso que não tenho a resposta para este dilema humano, mas creio que é sempre saudável colocar esta questão… Incessantemente!
Aliás, arrisco a dizer que esta mesma questão deveria ser alvo de debate público obrigatório, tal como o são o orçamento e as grandes opções para o plano do estado. Como é possível viver num país aprazível onde nem sequer sabemos o que nos torna felizes enquanto comunidade?
Como podem ser tomadas decisões de gastos orçamentais se desconhecemos o que a toda a comunidade realmente quer e necessita para ser feliz?
Será que queremos puro assistencialismo ou será que queremos trabalho que dignifique quem menos tem? Será que queremos mais piscinas e pavilhões municipais, em cada uma das nossas freguesias ou queremos uma biblioteca e um plano de promoção de leitura para os jovens?
Será que queremos resgatar bancos decrépitos ou será que queremos o surgimento de bancos sérios e capazes de desempenhar a sua atividade sem suporte do Estado?
Será que me faz mais feliz um Mercedes novinho em folha ou um simples sorriso da minha filha? Pois bem…

O que nos torna mais feliz? Perguntem-se isso todos os dias!