sábado, 18 de novembro de 2017

NO DIA EUROPEU DOS ANTIBIÓTICOS

ANTONIETA DIAS
Designa-se por antibiótico um fármaco cuja função é tratar infeções causadas por microrganismos designados por bactérias.

São substâncias farmacológicas usadas com fins terapêuticos, tendo por si só indicações específicas e devem ser utilizados com muita cautela.

Sendo um ato da exclusiva responsabilidade médica, que fará a sua prescrição, com base no diagnóstico ao qual compete explicar ao doente o objetivo especifico para o tratamento da doença em causa, investigar a existência da presença ou não de alergias do doente ao qual se destina a prescrição, explicará as doses adequadas do medicamento, o horário rigoroso das tomas, o tempo necessário para o tratamento e os efeitos adversos dos medicamentos que são prescritos. 

Os antibióticos atuam sobre as bactérias de duas formas: destruindo-as designando-se esta ação como bactericida ou inibindo a sua replicação, agindo assim como bacteriostáticos.

Os antibióticos não destroem os vírus.

Devem ser usados quando indicados e a seleção do grupo /classe tem de corresponder à sensibilidade da bactéria em causa, constituindo assim um ato médico de relevo, para o qual é imprescindível o conhecimento científico da doença, do fármaco de eleição para o seu tratamento bem como a tipologia do doente ao qual vai ser aplicado tendo em conta as características individuais da pessoa em causa.

Podem ainda ser utilizados na profilaxia antibiótica (antes da realização de uma cirurgia), para prevenir o aparecimento de infeções operatórias.

São causa frequente de resistência se forem usados de forma inadequada, sendo por isso de vital importância a seleção correta do fármaco para o tratamento que se pretende instituir ao doente.

Com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 50% dos antibióticos prescritos são feitos de forma inadequada, sendo esta a principal causa de resistência antibiótica.

Em Portugal existe legislação específica na competência da prescrição terapêutica, sendo a mesma da responsabilidade médica, prevendo a penalização na venda ilegal de antibióticos sem receita médica.

Todavia, infelizmente continuam a ser feitas vendas ilegais (sem a respectiva receita medica).

Compete ao Infarmed (Instituto Público), fazer a fiscalização destas situações o que nem sempre é fácil.

Portugal é um dos países da Europa em que as taxas de resistência aos antibióticos são elevadíssimas.

Em consequência destes dados e preocupado com este grave problema foi criado em Portugal o Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antibióticos (PNPRA), com a intenção de diminuir a taxa de resistência aos mesmos e com o objetivo de sensibilizar os profissionais (médicos), e as pessoas que os utilizam indevidamente (sem a respetiva prescrição médica), para a necessidade do uso racional dos antibióticos.

Cabe assim a todos os intervenientes neste processo a responsabilidade do uso dos antibióticos de forma criteriosa e sensata.

Em suma, os antibióticos são indispensáveis no tratamento das infeções, porém devem ser obrigatoriamente prescritos pelos médicos, que deverão fazê-lo com base na evidência científica, respeitando sempre as recomendações para este ato médico e agindo escrupulosamente de acordo com a “legis artis”.

O PANTEÃO E A REDE

JOÃO MENDES
Chegará o dia em que as redes sociais elegerão e farão cair políticos e regimes. Não sei se lá chegaremos sem que a sociedade colapse, já disso estivemos mais longe, mas a verdade é que o poder das redes é hoje enorme, e esse facto, consumado, tende a agigantar-se a cada dia que passa. Que o digam os seguranças do Urban Beach, sobejamente conhecidos pela violência de que habitualmente aplicam, e que foram ao tapete, juntamente com a própria discoteca, no dia em que um vídeo do seu comportamento bárbaro se tornou viral no Facebook. 

Mais recente foi o episódio do jantar de encerramento da Web Summit, que decorreu no Panteão Nacional. Não foi o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro, mas foi preciso que o tema se tornasse viral nas redes sociais para que a indignação se projectasse para todo o país. Muito se poderia dizer sobre este caso, da cada vez mais habitual desresponsabilização de António Costa à hipocrisia que emanou da ala direita do hemiciclo, passando pela questão ética de se utilizar um cemitério de notáveis heróis da pátria para jantares e cocktails, mas o que fica deste caso, na minha opinião, é o autêntico terramoto que se gerou na quinta do Sr. Zuckerberg. 

Mal ou bem, caberá a cada um dizer de sua justiça, monumentos como o Panteão Nacional já foram usados para eventos do género, muito antes da lei Barreto Xavier, que oficializou a mercantilização destes espaços. Será que só agora gerou indignação? Ou será que ela já existia, e a diferença reside apenas na capacidade que o Facebook tem de a amplificar a níveis nunca antes vistos? Estou mais inclinado para a segunda hipótese. A força das redes sociais é tremenda e geradora de turbas que o são sem sair do conforto do sofá.

Acontece que, com o tempo, estas indignações tendem a perder-se na timeline. Seja este caso, o caso Urban Beach, assaltos de colarinho branco em instituições bancárias ou situações de gestão danosa, corrupção e fraudes variadas no sistema político português. Porque a seguir a qualquer uma delas, uma nova se levantará e todos os holofotes se virarão para ela. Não fosse o mais recente caso de evasão fiscal que colocou em cheque os investimentos da rainha Isabel II, e já muitos não se lembravam sequer dos Panama Papers. Alguém se lembra da lista de jornalistas avençados pelo saco-azul do GES, que o Expresso prometeu revelar? Não? É natural.



Com a imprensa tradicional a atravessar uma profunda crise, feita de factos alternativos, clickbaits e jornalismo sensacionalista, a ascensão do Facebook enquanto plataforma informativa colocará enormes desafios à sociedade como a conhecemos. As indignações multiplicar-se-ão, é certo, mas o excesso de informação de qualidade duvidosa que proporciona será solo fértil para uma sociedade incapaz de separar o trigo do joio, que balança ao sabor dos humores da rede. E o acessório confundir-se-á com o essencial, levando a que os jantares nos panteões desta vida tenham a relevância de uma Operação Marquês. Este é, a meu ver, um dos grandes perigos que as redes sociais representam. E a elite que nos comanda, na sombra, agradece o favor.

A MORTE, O INSÓLITO E A PROSTITUIÇÃO

JORGE NUNO
Um acontecimento recente em Portugal teve um forte impacto nas redes sociais – difundido a uma velocidade vertiginosa, como se se tratasse de um vírus –, e prometeu criar uma enorme agitação, atingindo, de forma acutilante, elementos do governo, tanto do atual como do anterior.

Esse acontecimento, que tem tanto de insólito, como de leviandade, como revela falta de caráter ou até onde vai a prostituição… levou-me, em surdina, a tentar descobrir o que me levou – a mim – há uns anos atrás, a entrar: em antiquíssimos sepulcros, com inúmeras tumbas e um sem fim de lápides de pedra, no Monte das Oliveiras, em Jerusalém (Israel); no antigo cemitério judeu, em Praga (República Checa); nos mausoléus da mesquita e do cemitério muçulmano de Konya (Turquia). Será que na altura, tinha ou sentia algum prazer mórbido nessas visitas? Faz sentido que estes locais sejam transformados em locais turísticos, com cobrança de entradas?

Sobre a visita àquele estranho local, situado na encosta a leste da cidade velha de Jerusalém, e da “loucura” dos que agora pagam milhões por um pequeno espaço para serem ali enterrados, retenho uma excelente memória. É um dos cemitérios mais antigos do mundo, com necrópoles e tumbas escavadas em rocha, estimado em cerca de 3.000 anos, contendo mais de 150.000 sepulturas numa vasta área. É espantoso como o Livro de Zacarias, considerado “profeta”, leva a que os judeus queiram ali ser enterrados, no “palco dos acontecimentos finais” e, assim, poderem “ser os primeiros a serem ressuscitados”. O próprio Zacarias terá pedido para ser ali enterrado, admitindo-se que possam lá estar também muitos “notáveis” mencionados na Bíblia. Admirei a persistência do trabalho de investigação, incluindo escavações permanentes, por me parecer tratar-se de um trabalho sem fim, um puzzle aparentemente impossível de completar, por haver sempre peças escondidas. Mas quando se fala de figuras bíblicas, a palavra “impossível” fica desprovida de sentido. Com o clima ameno naquela altura do ano, a vista deslumbrante sobre as milenares muralhas de Jerusalém, os ponteiros do relógio a darem a impressão de que o tempo terá parado… a contemplação era uma realidade e sentia uma enorme sensação de bem-estar geral, tal como já acontecera no Monte das Bem-Aventuranças e no Monte Tabor, na Galileia.

Uma semana completa para visitar a cidade de Praga parecia muito. Puro engano. Muito bem alojado, mesmo “a dois passos” da praça da Cidade Velha, foi um deslumbramento total. Com um programa exclusivamente ao gosto pessoal, visitei tudo o que me parecia interessante. Quase sem saber como nem por quê, depois de visitar o Bairro Judeu, dei por mim a pagar para visitar o antigo cemitério judaico, fundado no século XV, e que “abriga” muitos judeus notáveis. Tem igualmente, numa ala daquele espaço, o Museu Judaico de Praga, que foi ocupado pelo regime nazi e que quis fazer dele o “museu de uma raça extinta”. Terei pensado: “Já que estou aqui… vem mesmo a propósito!”. Na verdade, gastei tempo à procura de um apelido específico, que não encontrei. Esperava encontrar uma qualquer ligação… alguém com aquele apelido que tivesse sido vítima do nazismo e ali fosse enterrado… mas não. Uma senhora magra, de idade avançada, que podia ser sobrevivente do holocausto, prontificou-se a ajudar-me (em diferido e à distância) mas fiquei-me por ali. Ainda hoje sorrio ao lembrar-me que, junto de uma campa, do nada… sem explicação, caiu-me uma lente dos óculos, sem que eu tivesse contribuído para tal!

Konya, cidade no centro da Turquia, desenvolveu-se em torno de um “profeta” – Rumi (1207-1273), poeta e teólogo sufi persa. O corpo deste, encontra-se na importante mesquita, concluída pelo sultão Allaeddin, que tem mausoléus contendo importantes figuras da dinastia Seljuk. O filho de Rumi e seguidores fundaram a ordem sufi, conhecida como a “ordem dos dervixes girantes”. O túmulo de Rumi é ponto “obrigatório” de visita. Tanto aqui, como para os restantes túmulos do cemitério muçulmano, contíguo à mesquita, o guia turístico fez questão de deixar vários avisos, relacionados com a cultura local, tendo em vista a especificidade daqueles espaços onde se honra os mortos.

Naturalmente, respeitei os locais, as tradições e cultura própria naquelas zonas visitadas, e quase que dispensava as recomendações, pois tenho em conta o bom senso. Depois de cada visita, senti que estava mais rico, em conhecimento, e com maior predisposição para aceitar as diferenças culturais.

O Panteão Nacional, em Lisboa, assente sobre a Igreja de Santa Engrácia, terá durado cerca de 300 a construir; daí a expressão popular “É como as obras de Santa Engrácia!”, para referir algo que parece não mais acabar. Além do interesse arquitetónico, encontram-se no Panteão os túmulos de ilustres figuras portuguesas, a quem Luís Vaz de Camões faz referência, in Canto I, de “Os Lusíadas”: “(…) E aqueles, que por obras valerosas / Se vão da lei da morte libertando (…)”, para realçar os heróis imortais. No último dia do importante acontecimento anual, de grande importância para o país, o espaço foi alugado para um jantar com cerca de 400 participantes no Web Summit. Depois de se constatar como alastrou a notícia viral, com um primeiro ministro-ministro a prometer alterar a legislação sobre o aluguer de espaços públicos específicos, quando apenas competia à tutela dizer “não”, caso fosse esse o entendimento, e não foi. O dinheiro terá falado mais alto! Realce para o pedido de desculpas de Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit, em que dizia pretender “honrar a história de Portugal”. Relembrou que o jantar foi organizado de acordo com a legislação existente e “com todo o respeito”. Disse mesmo no Twitter: “Sou irlandês. Culturalmente, temos uma abordagem muito diferente à morte. Celebramo-la. Isso não faz com que esta seja a abordagem mais correta em Portugal. Adoro este país como a minha segunda casa e nunca tentaria ofender os grandes heróis do passado de Portugal”.

Kick-off BREXIT

TIAGO CORAIS
O BREXIT será um processo negativo quer para o Reino Unido, quer infelizmente para a Europa. No entanto existem algumas janelas de oportunidade que a maioria dos restantes membros da UE estão a tentar aproveitar e Portugal não é excepção.

Enquanto as negociações continuam tensas mas sem muitos progressos entre a UE e o Reino Unido, esta segunda-feira, dia 20 de Novembro, se iniciará de facto o Brexit com o anúncio das novas cidades que receberão a Autoridade Bancária Europeia (EBA) e Agência Europeia de Medicamentos (EMA) com sede em Londres e que em Março de 2019 terão que estar nas cidades escolhidas.

A Autoridade Bancária Europeia (EBA) emprega 189 pessoas e faz parte do Sistema Europeu de Supervisão Financeira, criada em 2011, assumiu todas as responsabilidades e tarefas existentes do Comité de Supervisores Bancários Europeus. São 8 os Países candidatos: Bélgica (Bruxelas), República da Irlanda (Dublin), Alemanha (Frankfurt), Luxemburgo (cidade de Luxemburgo), França (Paris), República Checa (Praga), Áustria (Viena) e Polónia (Varsóvia). 

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) tem como missão avaliar e supervisionar medicamentos humanos e veterinários, em termos de segurança, eficácia e qualidade, a fim de proteger a saúde humana e animal na UE. É uma das agências Europeias que emprega mais gente, 890 quadros muito qualificados e o número de Países que se candidata reflete o quanto atrativa ela é. Para além de Portugal que apresenta a cidade do Porto como proposta, juntando-se aos restantes 18 países que se candidatam: Holanda (Amesterdão), Grécia (Atenas), Espanha (Barcelona), Alemanha (Bona), Eslováquia (Bratislava), Bélgica (Bruxelas), Roménia (Bucareste), Dinamarca (Copenhaga), Irlanda (Dublin), Finlândia (Helsínquia), França (Lille), Malta, Itália (Milão), Bulgária (Sófia), Suécia (Estocolmo), Áustria (Viena), Polónia (Varsóvia) e Croácia (Zagrebe).

As dezanove candidaturas em vinte sete possíveis demonstra o quanto será importante para o Porto, o Norte e para Portugal conseguir que a localização desta Agência venha para o nosso País. Mas também demonstra que a concorrência será muito forte e que a discussão em Portugal sobre a nossa candidatura teve contornos no mínimo bizarros. Houve uma discussão nas redes sociais e até na comunicação social que demonstram como fomos injusto quando acusamos o Governo Português de centralista, por ter apresentado inicialmente a localização da nossa candidatura em Lisboa. O debate "paroquial" em que quase todas as cidades no nosso País se achavam no direito de se candidatar é um sinal que vivemos noutro "planeta". Se analisarmos as candidaturas dos outros Países Europeus, verificamos que para a Autoridade Bancária Europeia (EBA), sete das oito candidaturas são capitais, apenas a Alemanha apresenta Frankfurt e percebemos porquê. Para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), das dezanove candidaturas, quinze são capitais e apenas Portugal, Itália, Espanha, França e Alemanha não candidatam as suas capitais. Curioso é que quatro países (Bélgica, República da Irlanda, Áustria e Polónia) apresentam as respectivas capitais para ambas as candidaturas. Isto não acontece porque os outros países da União Europeia não tenham cidades para além das suas capitais em condições para receber, nem que tenham a noção que se escolherem outra cidade os ganhos para o País serão maiores. Mas essencialmente têm a noção que a concorrência é forte e o mais importante é GARANTIREM QUE APRESENTAM A CIDADE COM MAIOR PROBABILIDADE DE SER ESCOLHIDA.

São seis os critérios de escolha:

1- Garantias que no dia da saída do Reino Unido da União Europeia a Agência esteja em funcionamento nas novas instalações.

2- Boas acessibilidade da localização, quer na disponibilidade, frequência e duração dos voos entre a várias capitais dos Estados-Membros da UE, como boas ligações em transportes públicos do aeroporto e nova localização da agência. Outro aspecto crucial na escolha é demonstrar que a cidade escolhida tem capacidade de alojamento para receber num ano 40.000 visitas, com um pico num dia de 350 pessoas. .

3- Existência de instalações de educação adequadas para os filhos do pessoal da agência. Segundo dados de 2016 o número de crianças dos funcionários da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) entre os 0 e os 18 anos são de 648, 117 bebés no infantário, 231 crianças na primária, 149 adolescentes no secundário e 55 estudantes Universitários. 

4- Acesso apropriado ao mercado de trabalho, segurança social e assistência médica para crianças e cônjuges. Dos cerca de 890 funcionários da Agência , 55% são casados ou têm um parceiro ou uma parceira, isto quer dizer que o mercado de trabalho na Cidade escolhida tem que ter a capacidade para absorver perto de 500 pessoas.

5- Assegurar que a instituição continua a ser "atrativa" em termos de recrutamento, como a capacidade de assegurar uma transição suave capaz de garantir a continuidade dos serviços da agência durante esse período.

6- Distribuição geográfica das agências europeias, no qual como Portugal já tem 2 agências e alguns países candidatos ainda não têm nenhum neste critério Portugal está em desvantagem.

Apesar do votação ser apenas na segunda-feira, esta semana segundo o jornal Financial Times, as cidades favoritas para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) são as cidades Bratislava (Eslováquia) e Milão (Itália). Os motivos para a escolha em Bratislava é equilibrar em termos regionais as várias agências da UE, pois a Europa Central e Oriental está sub-representada nas agências Europeias. Um argumento forte, mas que que segundo a opinião de alguns diplomatas se a escolha recair por Bratislava, haverá o risco de 70% dos funcionários se despedirem da Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Como é lógico, já a mudança da sua sede para outro País é uma situação muito complexa, juntarmos mais instabilidade nesta agência, acho que será um factor a ser ponderado na votação da próxima segunda-feira.

Milão, uma cidade charmosa, com o novo Centro de Investigação Human Technopole e com a instalação da IBM do Centro Europeu de Saúde de Excelência Watson ganha muitas sinergias com a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e não há dúvidas que será uma cidade atrativa para os funcionários e suas famílias.

No entanto, acho sinceramente que as notícias sobre favoritos sejam especulativas e o seu objectivo é mesmo tentar influenciar a escolha. A Cidade Porto está de parabéns por ter feito uma candidatura bem estruturada e que cumpre os critérios. Apesar de achar que Portugal tem poucas hipóteses em ser a escolhida (espero que esteja enganado), a escolha do Porto como candidatura Portuguesa foi uma boa opção do nosso País e caso o Porto seja a cidade escolhida criará uma nova “CENTRALIDADE” a Norte de Portugal ao qual todo o País ficará a GANHAR. Por isso, este fim-de-semana VAMOS TODOS TORCER PELO PORTO.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

DIREITO DOS AVÓS

ANA LEITE
Atualmente, assiste-se a uma mudança na representação social da família. Os avós têm agora um importante papel a desempenhar na vida de uma criança. Socialmente são vários os estudos que referem o importante papel que os mais velhos desempenham na vida de um menor. 

Infelizmente são cada vez mais crescentes nos nossos tribunais as ações judiciais para regulação de visitas aos avós, especialmente em casos de alienação parental, em que os avós, sem qualquer fundamento sério, são descartados das relações dos seus netos, do seu convívio, rompendo esta importante relação de parentesco e afectiva.

Sobre este assunto estabelece o artigo 1887.º -A do Código Civil que “os pais não podem injustificadamente privar os filhos do convívio com os irmãos e ascendentes.”. Assim, a jurisprudência portuguesa reconhece uma relação pessoal entre avós e netos, e que esta deve ser protegida e garantida.

Não se trata só de um direito dos avós, de visitar os seus netos, sempre que não seja permitido pelos pais. Para os tribunais portugueses, o direito que tem que se proteger é fundamentalmente o direito dos netos. Trata-se de um reconhecimento por parte da jurisprudência do direito do neto ao convívio com os avós, e o direito dos avós à companhia do neto.

Podemos afirmar que este direito à companhia entre avós e netos, prende-se com a promoção do direito ao desenvolvimento e do direito à historicidade pessoal.

A expressão “convívio”, legalmente abrange não só o direito de ir ao encontro dos netos no domicílio daquele que os tem à sua guarda, mas também o direito de os receber em sua própria casa ou de se encontrar com este num local definido. 

A atual jurisprudência considera que, não cabe aos Tribunais decidir ou impor os afectos e sentimentos, mas têm o dever de criar condições para que o convívio e os afectos se possam proporcionar num ambiente de liberdade. Assim, é obrigação dos pais proporcionar à criança o referido ambiente de liberdade para que este possa, com o desenvolvimento da sua maturidade, definir os seus sentimentos e afectos, os quais necessitam do convívio para se concretizarem.

Dito isto, convém referir que o código civil dispõe que os “pais não podem injustificadamente privar os filhos do convívio com os irmãos e ascendentes”. Quer isto dizer que parte-se do princípio que o contacto da criança com os avós é benéfica para ela. Por isso, cabe sempre aos pais também impedir o convívio com os ascendentes sempre que, justificadamente, o considerarem lesivo para o filho. Caberá ao tribunal apreciar a recusa dos pais em não aceitar o referido direito de convívio.

GREVE DO TÉCNICOS SUPERIORES DE SAÚDE

JOÃO RAMOS 
Os técnicos superiores de saúde, que integram o raio X, a ressonância magnética e áreas afins, estão em greve, há mais de duas semanas, sem que o governo apresente uma resposta ou sequer um pequeno princípio de acordo que possa ser negociado. Agindo de má-fé, o ministério tem vindo a adiar sucessivamente a discussão de uma solução, com o objetivo de desmoralizar os grevistas, vencendo-os por desgaste. Sendo um governo de esquerda e que apregoa a defesa dos direitos dos trabalhadores, é verdadeiramente incompreensível esta atitude.

Num orçamento com tantas devoluções e cedências, ignoram-se as reivindicações dos técnicos superiores de saúde, que, por constituírem uma fração relativamente pequena, mas indispensável dos funcionários dos hospitais, tem sido espezinhada e injustiçada pelos sucessivos governos. Não se trata de uma exigência de aumento salarial, mas sim do cumprimento da lei, que exige o reconhecimento da carreira e categorias, em igualdade, com os restantes colegas, que apresentam exatamente a mesma competência e anos de formação. A constituição reconhece o direito à igualdade de tratamento e a importância da assunção de compromissos, por parte do Estado para com os seus cidadãos. Neste sentido, apela-se aos órgãos de soberania e ministro da tutela, o estrito cumprimento da lei e o tratamento digno, dos funcionários envolvidos no protesto.

A qualidade do sistema público de saúde, não depende só dos médicos, mas de todo um conjunto de serviços de suporte, sem o qual, seria impossível conferir aos cidadãos um tratamento eficiente.

GALAMBA, VAI ESTUDAR

MIGUEL TEIXEIRA
A luta vai ser dura, mas exige determinação e firmeza. Estive a ver e cada vez me convenço mais que não há grandes diferenças entre o PS e a direita no que diz respeito às políticas de Educação. É impressionante o desconhecimento desta gente, a quem o futuro do país está entregue sobre matérias educativas. Eu não quero acreditar que o que referem seja por má fé. Quero pensar que é por manifesta ignorância.

João Galamba afirmou ontem na SIC/Notícias que "as carreiras dos professores são mais generosas que as outras e são financeiramente insustentáveis", falando também no "mito urbano" das progressões automáticas por antiguidade, opinião corroborada pelo Deputado do CDS Adolfo Mesquita Nunes. Ou seja, na mente "pequena" destes políticos lisboetas que temos, o investimento na carreira docente, potenciando profissionais motivados é assim uma espécie de "coisa pouca" e a sua influência no futuro deste país e dos jovens alunos portugueses parece ser algo de "insuportável" ou dispensável. Eu gostaria de perceber em que é que a minha carreira é mais generosa do que a de um médico, um juiz ou mesmo um militar de carreira ...Os professores não progridem de 4 em 4 anos, ao contrário do que demagogicamente se afirma por aí. Com mais de dois terços da minha carreira cumpridos, com 26 anos de serviço e 48 anos de idade, estou retido no 4. escalão em 10, desde 2010, tendo descido em 2006, com Maria de Lurdes Rodrigues e Sócrates do 6. Escalão para o terceiro. O problema que poucos que opinam sobre a carreira docente não sabem, nem os Galambas deste país, nem o Paulo Baldaia sabe, é que com Maria de Lurdes Rodrigues, para além do rebaixamento de escalões a todos os docentes (três escalões para baixo), implementou-se o sistema de quotas na passagem do 4 escalão para o 5 , e do 6 escalão para o 7 . É onde estão praticamente 80% dos professores portugueses com idades em média, de 50 anos. Como há um sistema de quotas e aulas assistidas, mesmo que tire avaliação de muito bom, dificilmente passará , porque as quotas impõem por escola que em média passem apenas cerca de 33 por cento dos candidatos à subida de escalão. Daí que como o 4. Escalão tem uma permanência de 4 anos, é provável que só consiga transitar ao fim de 5 ou 6 anos na melhor das hipóteses. E a dar o máximo. A não ser que ande a "bajular" o Diretor ou se seja da confiança política do Presidente da Câmara, que neste sistema de progressão controla a escola à distância, a partir do seu gabinete, na maioria dos concelhos deste país, predominantemente em municípios de pequena e média dimensão do interior. Não me parece muito justo e a lei foi "bem feita" , feita à medida com o objetivo claro de destruir a carreira docente, para que a esmagadora maioria dos 100 mil professores, só consiga chegar ao 6 ou 7 escalão em 10, aos 66 anos e dois meses. E sim, os professores são avaliados e têm aulas assistidas, sendo que nos últimos anos têm pago a sua própria formação contínua, deslocando se dezenas ou centenas de quilómetros porque o Ministério da Educação deixou de promover essas ações ou realiza-as de forma esporádica. E é obrigatório os professores fazerem formação, o que eu até acho bem para progredirem. Esta é a verdade. O resto que se lê por aí é "romance". Apetece me dizer: "Galamba, vai estudar!"

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

POR ELA

RAUL TOMÉ
Não a tomes por adquirida. Não assumas dentro de ti a presunção de que ela é eterna, de que te vai correr no corpo e nas veias em fios infinitos como se fosse propriedade tua.

Não vivas pensando que ela nunca te irá abandonar, que estará sempre ali ao alcance da tua mão para saciar as tuas infindáveis sedes.

Não a destruas porque ela te destruirá de seguida, não a condenes nem a subjugues à tua vontade porque tu precisas dela para tudo, mas ela não precisa de ti para nada.

Não lhe barres caminhos, não lhe mudes a rota nem o destino e não lhe mates os filhos. Deixa-a respirar e encontrar no sal o mel que lhe adoça a vida.

Não a prives da companhia dos outros, dos que te são queridos nem dos que te são estranhos, porque se ela se der a todos, também a ti se dará.

E não to peço apenas por mim ou pelo povo de Viseu, peço-o por ela, pela Água que à custa do teu egoísmo desenfreado, desapareceu!