quarta-feira, 29 de março de 2017

SER PROFESSOR

ELISABETE RIBEIRO
Sou contra a posição Professor-Educador, antes acreditando na função Professor-“Ensinador”!

A ser verdade essa afirmação, tínhamos meninos “educados”… bem... educados eles são, são é mal-educados!

Eu sinto falta do professor-mestre, de ter liberdade para ser mestre e realmente educar, mas no reino da papelada, burocracia e desígnios misteriosos, estamos cada vez mais perto do professor-desastre!
O primeiro objectivo a atingir, e competência a desenvolver, é a oralidade, mas cada vez mais se vê que os meninos não a atingem nem a desenvolvem.

Parece uma porta aberta para atacar desde já os professores, porque sendo estes os executores de tal desiderato, serão os mesmos os responsáveis pelo insucesso nesta área, mas não é assim.
Os alunos cada vez mais vivem numa redoma intocável individualista onde impera o silêncio e o isolamento pessoal (televisão, PC, Playstation, …) logo, o tempo que se despende a “falar com os alunos” deveria ser ampliado e estimulado, mas o que se vê são programas extensos, mais áreas a desenvolver, e o tempo ser inversamente proporcional. 

Depois, e como há avaliação (embora antes já a houvesse!), há uma preocupação em registar à força seja o que for, desde o professor aos meninos, diminuindo o tempo útil para “falar”.

Ouvindo falar mais do que falando, o aluno corrige-se a si próprio, ouve correctamente e estrutura o seu pensamento com novos conhecimentos, integrando naturalmente sem necessitar de compreender porque as coisas são assim.

Ouvindo então falar bem, começará a falar melhor; falar melhor leva a descobrir o prazer de falar; descobrindo isso, falará mais quer na aula quer nos espaços de partilha de grupo; falando mais desenvolve a estrutura da língua; desenvolvendo a estrutura aprende a escrever naturalmente (com o devido apoio indispensável!); aprendendo a ler e a escrever compreende o que lhe é pedido; compreendendo o que lhe é pedido, aprende com facilidade e promove a auto-aprendizagem!
Porque não se pode dar aulas ao sabor da vontade, e integrar os conteúdos nessas vontades sem planeamento?

Porque tudo tem de ser fundamentado? Nem tudo na vida tem razões visíveis, nem tudo pode ser quantificado e racionalizado, e quando falamos de ensinar o objectivo último é que interessa, porque os meios obrigatórios que nos impõem para chegar a um fim não se justificam.

As planificações anuais de agrupamento são desnecessárias porque existem os programas oficiais que definem as metas anuais!

As planificações mensais são desnecessárias porque ao fim de uma semana, quem conseguir estar dentro dos prazos não respeita os ritmos dos alunos!

As planificações mensais de agrupamento então muito menos, porque duas escolas lado a lado podem não conseguir seguir o plano já que as variáveis humanas não são máquinas uniformes!

As fichas de avaliação comuns de agrupamento são perda de tempo porque não reflectem cada escola, cada método e cada vivência interna, mesmo com os mesmos livros e materiais!

Então para quê tudo isto? Porque se tem a ideia de que o insucesso escolar está ligado aos professores e não à realidade politico-educativo-social!

Para serem espaços de reflexão entre professores, para debater as dificuldades do exercício docente, para partilhar experiências e estratégias sem medos de critica ou de ouvir que cada um que se desenrasque porque não há tempo para isso.

Sim, o tempo que cada um dedica aos seus parceiros de profissão é pequeno porque se perde tempo em tarefas laterais.

Poderão dizer que essas reuniões não levariam a lado nenhum, mas isso seria só de início. O ser humano é capaz das maiores proezas! Se fossemos obrigados a estar as duas horas numa sala com carácter de obrigatório a olhar uns para os outros, acabaria por chegar o momento em que começaríamos a fazer o que de melhor todos temos e sabemos, e que foi um dos pilares da nossa evolução: comunicar uns com os outros!

Então porque não o fazemos? Porque como qualquer menino e menina, se não formos estimulados a partilhar, não o fazemos!

O QUE É O AMOR?

MÁRCIA CORREIA
Etimologicamente, o termo “amor” surgiu a partir do latim “amor”, palavra que tinha precisamente o mesmo significado que tem atualmente: sentimento de afeto, paixão e desejo.

Contudo, definir o que é o amor não é uma tarefa fácil, pois para cada um de nós, o amor pode representar algo diferente. Muitas pessoas expressam os seus sentimentos mais profundos através de mensagens de amor, declarações ou poemas de amor, que são partilhadas com pessoas que lhes são especiais.

Assim, é bastante positivo ver o amor nas amizades, nas relações familiares, nas relações humanas em geral… Isto, quando é um sentimento sincero e sem nenhum interesse secundário. Pois é muito comum ver pessoas utilizarem essa palavra, esse sentimento para fazerem coisas irreconhecíveis, impossíveis de serem feitas por quem realmente ama.
Neste sentido, amar é simples e natural. É ser educada, generosa e amável com quem se convive, tratar todas as pessoas com respeito, mesmo em situações difíceis. Amar é ensinar a amar, ver todos ao seu redor cultivando esse sentimento, sem pressas, sem cobranças, sem distinções. Certos sentimentos nunca deveriam ser denominados amor pois, em alguns casos, alteram completamente o seu verdadeiro significado. E o que importa é o amor, puro e simples.

Desta forma, o amor é um sentimento puro, bom e feliz, pois faz com que sintamos uma paz, uma doçura que só quem prova pode confirmar. 
O amor não é preconceituoso, está em todas as raças e credos, está sempre onde se encontra a tolerância e a bondade extrema, não convive bem com o egoísmo, o ciúme e os sentimentos mesquinhos. Está presente entre as crianças que brincam no parque, nas famílias em confraternização na mesa das refeições e em todos os lugares que houver pessoas de bons sentimentos e que estejam abertas para sentirem essa energia positiva e universal.

Amar de verdade significa saber, reconhecer e aceitar que as pessoas têm defeitos e virtudes, que os hábitos de cada um, provavelmente incomodam, que nem tudo é cor-de-rosa e que não vivemos num conto fadas em que só existem príncipes e princesas apaixonados.

Não, o amor verdadeiro é algo que vai além de amar o que temos em comum, o que é positivo. Um amor sincero e verdadeiro é apaixonarmo-nos pelas diferenças com grande intensidade, ser tolerante com os erros e abrir o nosso coração para a confiança.

terça-feira, 28 de março de 2017

UMA QUESTÃO DE NÚMEROS

ANA SILVA
Há uns 3 ou 4 anos ia eu a caminho de casa, quando fui obrigada a parar o meu carro na rotunda de Geraldes à noite, porque estavam entre 8 e 10 cães, desculpem a incerteza, mas não contei, a dormir literalmente na rotunda. Todos cachorros, 3/4 meses, mas de porte enorme! Uns tigrados outros castanho claro, todos lindíssimos! Na altura fiz a única coisa que podia, que foi ligar com a responsável do grupo de Ajuda Animais em Gondar a explicar a situação. Não havia abrigo físico e a situação ficou assim.. Mesmo que houvesse abrigo e sendo que a lotação da AAAAMT agora é de 15 cães, o resgate teria sido impossível na mesma.. Sei que os cachorros ainda vaguearam pelas ruas da cidade, mas entre a má sorte de uns que não resistiram e talvez a boa sorte de outros que tenham sido recolhidos por pessoas de bom coração, sobraram dois! A nossa apelidada cadela da Chentuada e o seu irmão Tigrado, que fizeram do bairro o seu refúgio. 

São cães magnificos de porte, resistentes de saúde.. Não fazem mal, mas também nao dão confiança aos humanos. Razões para isso devem ter com fartura! 

SEGUNDA NINHADA
O grande problema nesta história toda é nunca termos conseguido apanhar a cadela para esterilizar! Nós, os voluntários, somos pessoas normais, sem formação em captura e resgate, o que neste caso era necessário! A cadela da Chentuada já teve, que me lembre, 3 ninhadas! Da primeira conseguimos roubar dois! E acreditem que foi mesmo roubar!! Não é tarefa fácil retirar um filhote a esta superprotetora mãe! Na segunda vez só vimos os bebés quando já tinham mais ou menos 3 meses e ja tinham sido ensinados a fugir a 7 pés das pessoas.. Tínhamos adotantes para 3 deles, eram 5 se nao caio em erro.. Nunca conseguimos apanhá-los e andam por aí a sobreviver como podem.. Hoje foi a terceira.. Pariu 8 caes, desta vez mais perto das pessoas, o que talvez nos permita apanhá-los com sucesso.. Se não nos for possível basta fazer contas e perceber a implicação do abandono de 1 só cadela! 

1 só cadela deu origem a mais de 15 novos cães na rua em apenas 2 anos.. Entre esses 15 haverá cadelas com certeza que daqui a uns meses começaram a dar o seu contributo para o aumento dos animais errantes! Nós lutamos todos os dias contra estas situações, mas ao mesmo tempo pagamos aproximadamente 100 euros por cada esterilização. Essa esterilização representa que salvamos em média, considerando que a cadela em questão teria 6 ou 7 ninhadas na vida toda, 35 ou 40 cães de passarem a vida na rua.. Os números não vêm de estudos, nem pesquisas.. Vêm da nossa experiência ao longo destes, aproximadamente, dois anos como Associação. 

TERCEIRA NINHADA
Nestes meses que passaram recolhemos imensas ninhadas! Ou no monte, ou em casas em construção, ou no lixo ainda com o cordão umbilical.. Esterilizamos dezenas de cadelas de rua como método preventivo de situações futuras, ja que as nossas condições não nos permitem ser tão reativos como gostaríamos pela falta de espaço e de voluntários. 

Sonhamos em andar nas ruas de Amarante e não ver um animal em cada esquina, cansado, com fome, à chuva e ao frio, ou ao calor desidratante.. Queremos salva-los todos, mas nem 300 lugares num abrigo seriam suficientes. Queremos apostar na prevenção e na sensibilização das populações, mas faltam-nos os recursos financeiros.. Já várias empresas ajudaram com a esterilização de cadelas errantes e a todas as outras abrimos as portas para que o façam. Dos particulares nem se fala.. Todos os meses sobrevivemos e ajudamos animais à custa dos donativos recebidos e que muito agradecemos. Da Câmara Municipal de Amarante recebemos um subsídio pela primeira vez no final do ano de 2016, que nos permitiu equilibrar as contas, mas em Fevereiro já tínhamos esse valor novamente gasto em cuidados veterinários.. Agradecemos imenso todas as ajudas! Pedimos que não parem de nos apoiar! Pela saúde dos cães que estão conosco no abrigo, mas também pelas dezenas de animais feridos e doente que ajudamos todos os meses! Obrigada

PROFISSÕES E ESCOLA DO FUTURO

RUI CANOSSA
Li em tempos algo como “as escolas têm de preparar jovens para profissões que ainda não existem”. Este pensamento tem todo o cabimento e exige uma reflexão aprofundada.

A educação, como aliás todas as áreas da nossa sociedade, vive momentos conturbados e de profunda reestruturação. As metodologias educativas, as novas tecnologias, as condições de sala de aula e de espaços comuns são essenciais, mas mais importante do que isso está a motivação da classe educativa. Desde professores a pessoal auxiliar todos deviam estar motivados para estas mudanças e estar atentos aos jovens, à forma como eles encaram o dia-a-dia académico e o futuro profissional.

Os alunos não estão à margem das preocupações sociais dos adultos, eles sabem que o mercado de trabalho está difícil, que as condições atuais e futuras da nossa sociedade não são/serão fáceis. Por isso, os professores deveriam encarar o contexto de sala de aula como a melhor forma de preparar estes jovens para o futuro. Porque a nossa educação, as nossas escolas têm de preparar hoje os jovens para profissões que ainda não existem… as tecnologias, a era digital move-se a uma velocidade atroz e a forma de estarmos hoje será seguramente diferente amanhã. A indústria, os serviços e todos os sectores da economia têm necessidades laborais diferentes todos os dias. A educação e a economia deviam estar em sintonia.

A educação devia auscultar de perto as necessidades do mercado de trabalho e ajustar-se. Só assim conseguiremos preparar os jovens para o futuro. Prepará-los para o que realmente será necessário. Estamos perante a evolução do ecossistema de ensino que cada vez mais exige a antecipação das necessidades futuras e uma abordagem “hands-on”. Daí eu acreditar imenso na liberdade de ensinar e aprender, na autonomia das escolas, como é o caso dos cursos de planos próprios científico-tecnológicos de dupla certificação que o Colégio de S. Gonçalo em Amarante proporciona, onde aliás trabalho há 22 anos, com conhecimento de causa.

Daquilo que vou lendo sobre o assunto, destaco as competências do século XXI do relatório do Fórum Económico Mundial. Neste relatório as competências são agrupadas em três grupos: no quotidiano, para resolver problemas complexos e para uma adaptação ao ambiente. Assim, das competências para o quotidiano destacam-se a literacia, a matemática e aritmética, literacia científica, literacia financeira, cívica e cultural. Para resolver problemas complexos temos o pensamento crítico, a criatividade, a comunicação e a capacidade de colaboração. No que concerne à adaptação ao ambiente, são competências a curiosidade, a iniciativa, persistência, flexibilidade, liderança e sensibilidade cultural.

Quanto às profissões, o leitor encontrará, numa pequena pesquisa na internet, imensas, mas eu refiro apenas algumas, como designer de personalidades ligada à inteligência artificial, artesãos de automóveis, cultivador de órgãos, coach, assessor de moeda digital de operações financeiras e de negócios, gestão, inovador de recursos humanos, analista de dados, designer de experiência, tradutor de realidade, profissional de bioética, entre tantos outros.

Não se esqueça, o futuro começa agora…

SER IGUAL, SER DIFERENTE

ELISABETE SALRETA
Aqui estava um exemplo de como até onde poderia chegar a degradação humana por exclusão, quer pelo próprio, quer pela sociedade.

Por vezes são as pessoas que se auto excluem, uma vez que não têm capacidade para interagir com os demais. É uma forma de chamar a atenção para algo que não está bem e que não os deixa confortáveis. São limitações que castram o sentir.

A depressão tem de ser tratada em todas as suas formas. A rotina em que a pessoa se encontra insatisfeita, insegura e deslocada, leva a doenças do corpo e da mente, muito difíceis de tratar. Tudo o que a pessoa precisa é de carinho e de atenção, de fazer algo que a deixe descontraída e feliz. Fazer com que cada momento de felicidade se torne cada vez uma constante e assim aquela pessoa, será feliz mais tempo. A mente humana é muito traiçoeira. Funciona como uma eterna criança, ávida de novidades e de atenção. A cada dia que passa, na sociedade em que estamos inseridos, somos cada vez mais um numero e iguais. A diversidade não é tolerada e é até rechaçada porque o cómodo é ser igual. Não se pensa e a curto prazo, dá menos ruído.

Ser diferente significa pensar. Isso dá muito trabalho. O ser humano vai sendo formatado, não para ser humano, mas antes para ser escravo de um sistema corrupto, obsoleto e sem outro objectivo que não seja o lucro imediato e o prazer fácil. Não se visa o futuro, não se vislumbra a diferença.

Veja-se o que se passa nas escolas que até nas lengalengas formatam os pobres a seguir um caminho. O plano Nacional de leitura, mais uma forma de formatação, está cheio de histórias sem qualquer verossimilidade e praticidade.

O ser ávido de vida, definha perante a impotência de não poder resistir.

ACERCA DAS BARBÁRIES

REGINA SARDOEIRA
Há dias pronunciei-me sobre a infância, melhor: aludi à irresponsabilidade que considero estar na base de toda e qualquer gravidez, a levar a cabo no tempo em que vivemos.
A pessoa, com quem assim trocava ideias, arregalou os olhos, em notório repúdio . 
"Então, nunca mais devem nascer bebés?" 
Confirmei esta minha, já antiga, convicção. 
"Não! Os humanos deveriam, muito simplesmente, deixar de reproduzir-se." 
"E depois?" 
"Trabalhávamos para mudar o mundo, estabilizávamos as gerações, dávamos à terra, de novo, um rosto humano e à natureza as qualidades perdidas, e depois poderíamos procriar." 
A conversa seguiu outros rumos, mas eu soube que esta minha hipótese radical não encontrou adesão do outro lado. 
De facto, cada ser humano está de tal modo imbuído de si e dos seus paradigmas, que mediocremente observa o lado de fora - ou seja, o ambiente em que os seres humanos gerados vão crescer. 
Alguém que deseje ter um filho, hoje, precisa de observar muito bem o tipo de educação que vai poder dar-lhe, que valores será capaz de transmitir -lhe, que modelos lhe apresentará como recursos de modelação do carácter. Precisa de equacionar seriamente se ele próprio terá os meios adequados para ser o responsável pela criança que quer gerar, se tem a experiência e o conhecimento necessários capazes de encaminhá -la pelas veredas tortuosas do mundo em que vive, se poderá defendê -lo dos males, se terá engenho para fazer emergir o melhor e criar um ser humano apto para a vida. Deverá olhar à sua volta, lucidamente, e ver se este mundo em que vive e que tantas vezes critica, este mundo onde, tantas vezes, lhe é difícil avançar e criar um caminho, este mundo em que a violência impera e o abuso e o vício são normas do quotidiano, este mundo robotizado, em que as máquinas se vão substituindo ao engenho humano e a inteligência artificial dispensa grandemente o uso da natural, deverá responsavelmente questionar a validade do seu desejo de ser pai. 
Nesse mundo futuro, onde vão crescer e ser adultos os embriões de hoje, existirão ainda livros e bibliotecas ? Espaços verdes e jardins por onde correr e vaguear tardes inteiras? Recantos tranquilos para encontros e conversas? Livre expressão de talentos artísticos a despontar no bico de um lápis? Questões inocentes a quererem ser desvendadas à hora do jantar? E haverá hora do jantar? E jogos feitos à mão? E pequenas perícias descobertas em exercícios simples de lazer? 
A lista de questões poderá ser continuada, talvez para nunca encontrarmos o seu limite: porque esse mundo saudável, onde crescer era uma aventura partilhada entre os mais jovens e os mais velhos, onde havia tempo a gastar e companheirismo a ser construído para durar, esse mundo de jardins e florestas impolutos, de relíquias conservadas, de restauros a fazer, esse mundo de humanos para humanos desapareceu.
As crianças nascem, como outrora. Mas já não se considera imprescindível ter à sua espera um pai e uma mãe ligados, para formarem o núcleo da sua construção como ser humano. É sabido que um recém-nascido é uma criatura precoce e inacabada e que demorará muitos anos até poder responsabilizar-se por si própria. Se lhe faltarem as figuras tutelares da sua formação, os dois, o homem e a mulher de quem é oriunda, a saber, o pai e mãe, como vai cumprir o seu desígnio humano - integralmente? 
Ora, hoje em dia, é comum um homem ou uma mulher, por si sós, ignorando a dualidade imprescindível à formação do ser humano, decidirem ter um filho - recorrendo a outra pessoa que a fecundará ou servirá de receptáculo, que depois descartam, num acto insensato de egoísmo e estultícia. É comum os pais separarem-se, e logo encontrarem outros companheiros que apresentarão aos filhos como pais/mães substitutos. É comum largarem os filhos em frente aos ecrãs, crentes de que os bonecos robotizados são melhores educadores do que eles próprios. 
Eu vejo um mundo de crianças que já não precisam de aprender a ler ou a escrever porque apenas necessitarão de capacidade para pressionar as teclas - e, no espaço neuronal que ia crescendo, à medida que essas habilidades se firmavam, vejo um buraco vazio e informe. Eu antecipo um tempo em que as crianças não terão necessidade de falar, porque um mundo avassalador de vozes e de imagens poderá substituir essa competência com vantagem - e as sinapses encadeadas no trabalho de modular frases desarticular-se-ão, por se terem tornado obsoletas. Desaparecerá o cálculo e o desenho e a literatura e a poesia - tudo será, doravante, mecanizado, e as máquinas, grandes ou minúsculas, sem as quais a humanidade já não pode e não quer passar, refinar-se-ão a um ponto tal que elas próprias se tornarão criativas. 
Não esgotei o assunto, nem tenho a pretensão de ter sido suficientemente explicita. O tema é complexo e decerto os homens não estão ainda prontos para contemplarem a extensão da sua própria decadência. Desse modo, continuarão a construir pseudo-famílias e a gerar filhos, órfãos de muitos afectos e órfãos até de si mesmos, perpetuarão, deste modo, um mundo descaracterizado, onde estranharão viver, sem perceberem que foram autores e responsáveis da barbaridade anunciada. Porque esse mundo, já instalado, mas ainda a erigir-se, corresponde, ainda que com outros matizes, à barbárie primitiva - de onde viemos e, afinal, para onde caminhamos.

segunda-feira, 27 de março de 2017

HIGIENE ORAL CORRETA – DIFERENTES IDADES

INÊS MAGALHÃES
A higiene oral deve ser realizada logo a partir da primeira amamentação do bebé e até ao fim da sua vida, independentemente da presença/ausência de dentes, variando apenas as técnicas e meios utilizados para esse fim.

CRIANÇA
Na criança, a higiene oral está dependente de vários fatores, mas essencialmente da idade da mesma.

- 0-3 Anos: a escovagem deve ser realizada pelos pais a partir da erupção do primeiro dente, 2x/dia (uma obrigatoriamente ao deitar), utilizando uma gaze, dedeira ou escova macia de tamanho adequado. Mesmo antes da erupção dos dentes, devem limpar-se as gengivas do bebé com uma gaze humedecida com água ou soro fisiológico, pelo menos uma vez ao dia, preferencialmente à noite.

- 3-6 Anos: a escovagem passa a ser realizada progressivamente pela criança, devidamente supervisionada e auxiliada por um adulto, 2x/dia (uma das quais obrigatoriamente ao deitar), utilizando uma escova macia, de tamanho adequado à boca da criança. A quantidade de dentífrico fluoretado (1000-1500 ppm de flúor) deverá ser semelhante ao tamanho da unha do 5º dedo da criança.

- >6 Anos: a escovagem é realizada pela criança, devidamente supervisionada e auxiliada caso não possua destreza manual suficiente, 2x/dia (uma das quais obrigatoriamente ao deitar), utilizando escova macia. A quantidade de dentífrico fluoretado (1000-1500 ppm de flúor) deverá ser do tamanho de uma pequena ervilha ou até 1cm.

JOVEM/ADULTO

Quer nos jovens, quer nos adultos, a higiene oral deve ser realizada com escovagem dentária 2x/dia (uma das quais obrigatoriamente ao deitar), utilizando escova macia ou média. A quantidade de dentífrico fluoretado (1000-1500 ppm de flúor) deverá ser de cerca de 1cm.

IDOSO

Os idosos devem realizar a higiene oral de igual forma aos adultos, contudo, diminuindo a sua destreza manual, esta deve ser auxiliada por um adulto.

PRÓTESE DENTÁRIA / IMPLANTES / COROAS

Nunca esquecer que para além da escovagem dos “dentes naturais” os “dentes artificiais” também precisam ser higienizados todos os dias. De salientar que a higiene destes últimos deve ser realizada de forma adequada aos mesmos.

FIO DENTÁRIO

A utilização do fio/ fita dentária coadjuva a higienização dos espaços interdentários e deve ser iniciada logo que possível. Por volta dos 8-10 anos a criança começa a ter a destreza manual e autonomia necessárias para iniciar o seu uso, devendo perpetuá-lo por toda a vida. O fio deve ser usado pelo menos uma vez por dia antes da escovagem dentária.

ELIXIR/COLUTÓRIOS

Estes podem ser úteis em determinadas situações de patologia oral, contudo o seu uso diário não é aconselhável. Um profissional de saúde oral saberá em que situações poderá/deverá usá-los, devendo recorrer a este para se aconselhar.

COMO A NUTRIÇÃO AFETA OS SEUS PÉS

FÁTIMA LOPES CARVALHO
Sabia que a sua alimentação interfere com a saúde dos seus pés?

Quando se fala em nutrição e a sua saúde, a maioria das pessoas só associa o que come à perda de peso no entanto e segundo Sherri Greene, DPM (Podologista em Nova Yorque), alguns alimentos que contém muito açúcar, grãos refinados, gorduras trans e muitos produtos assados e junk foods, a gordura saturada na carne vermelha e as gorduras ómega 6 presentes em muitos óleos vegetais; como o milho soja e óleos de girassol favorecem o aparecimento de inflamação do tecido e esta inflamação pode afetar a saúde dos seus pés nomeadamente favorecer o aparecimento de fasceite plantar (www,centroclinicodope.pt), provocando dor na parte inferior do pé, no calcanhar ou no ante- pé.

Por outro lado existem cada vez mais indivíduos com alergias ao trigo o que por si só já provoca inflamação do tecido e ao comerem alimentos que favoreçam a subida de açúcar no sangue vão aumentar a inflamação. Assim seguir uma dieta saudável pode fornecer benefícios anti-inflamatórios para os seus pés e a sua saúde no geral. Isso inclui comer mais vegetais verdes e frescos e cortar alimentos de grãos refinados e doces açucarados.

PÉS E NUTRIÇÃO: OUTRAS CONECÇÕES DE SAUDE

Algumas patologias tais como: doença arterial periférica e a diabetes podem alterar os pés pois as artérias que trazem o sangue para as extremidades inferiores ficam danificadas ao longo do tempo, uma boa alimentação favorece uma boa permeabilidade arterial protegendo assim os pés de possíveis complicações como por exemplo a amputação.

Se você é diabético deve seguir uma dieta saudável, rica em grãos integrais, feijão, legumes e frutas, carnes magras e uma quantidade limitada de gorduras e doces no entanto se não é diabético nem apresenta nenhum problema de saúde deve seguir sempre uma dieta saudável para não padecer de doença inflamatória. 

Deve consultar um Podologista (www.centroclinicodope.pt), pelo menos uma vez por ano; uma vez que os pés são a base de apoio, de equilíbrio e de funcionamento do corpo humano. No entanto, as estatísticas indicam que 80% da população adulta sofre de algum tipo de problema podológico. As doenças dos pés não afetam só os pés, mas todo o individuo, designadamente a sua qualidade de vida e a sua capacidade de trabalho.

Nunca se esqueça: Os seus pés estão ligados ao resto do corpo.