sábado, 1 de outubro de 2016

A ESCOLA FECHOU

CRÓNICA DE MÓNICA AUGUSTO
Há dez anos a escola da aldeia fechou...

À semelhança de muitas outras espalhadas pelo país, a escola fechou e com elas ficaram também fechadas as memórias de tantas gerações. Foi, e continua a ser, no imaginário de todos, um local mágico, de saberes, de construção, de convívio, onde todos os naturais da terra começaram a desenhar os seus percursos, as suas personalidades. Não há quem não tenha uma história para contar, um episódio para recordar.

Antes, muito antes do encerramento em massa das escolas “primárias”, por cá, devido a acentuada quebra demográfica, já se falava da possibilidade de fechar a escola. Sempre que o assunto surgia a população insurgia-se. Em tempos idos organizavam-se manifestações na tentativa de travar o processo que acabou por se concretizar. Aconteceu há dez anos e, então, a população resignou-se, afinal, nos últimos anos restavam apenas duas alunas... de facto não poderia ter sido de outra forma...

Em tempos idos a escola teve tantos alunos que eram suficientes para “formar duas equipas de futebol” (sem contar com as meninas), ultimamente não era assim! A população que tanto se indignava, em tempos idos, com a mera possibilidade de encerramento, resignou-se face às evidências.

Em tempos idos a escola era muito mais do que um estabelecimento de ensino, do que um edifício, era o símbolo cultural, o símbolo da autonomia, o orgulho da população. Ficar sem a escola significava a perda de identidade e, de alguma forma um tanto inexplicável, a submissão à povoação para onde o ensino seria deslocalizado. Os detentores do saber eram os detentores do poder!

Tudo mudou, as crianças de todas as aldeias convergem para o grande Centro Escolar da sede do concelho onde contam com melhores condições, infraestruturas, possibilidade de convívio, de troca de ideias. Mas tal como a escola, também a aldeia ficou vazia...

Para as gerações anteriores a escola mantém o seu simbolismo, muito mais do que um edifício, é o local onde se depositam as melhores recordações, dos melhores anos, do início das nossas vidas, dos nossos percursos que ali começaram a ser traçados.

Muitas destas construções, tão semelhantes entre si, fruto de uma época, estão vetados ao abandono. Outros, fruto de iniciativas públicas ou privadas, foram conhecendo uma nova vida, foram reabilitadas e adquiriram novas funções. É sempre com tristeza que olhamos aquelas que ficaram abandonadas e que de dia para dia se vão deteriorando. Não é fácil encontrar uma nova vida para estes edifícios outrora fervilhantes. Contudo, se olharmos à volta podemos encontrar soluções que minimizem a degradação e possibilitem a conservação da memória coletiva. Por vezes soluções simples que não obrigam a grandes esforços ou investimentos: em todas as aldeias encontramos associações, grupos de jovens, comissões de festas, etc, interessados em zelar pelo espaço em troca da obtenção de um local para as suas reuniões e eventos. 

Foi assim que, passados dez anos voltamos à escola! Reabrimos os portões, passamos pelo pátio e entramos na sala de aula agora vazia, mas “com o mesmo cheiro”. Voltamos a sentir-nos crianças, as memórias em catadupa, recordamos tantas aventuras, conseguimos visualizar a disposição dos objetos agora ausentes. Em grupo inicia-se a limpeza e o espaço retorna à vida. As janelas abertas, por si só, chamam a atenção de quem passa, entra e se comove! Várias gerações voltaram à escola, sinais dos tempos: usam-se os telemóveis para registar o momento do regresso, ocupando os mesmos lugares de há tantos e tantos anos atrás, escreve-se no quadro: o local, a data, do outro lado o alfabeto, tudo parece igual! Alguns destes intervenientes não viam o interior da sua escola há mais de 30 anos, mas as suas memórias continuavam frescas, outros dos presentes foram “apenas” as últimas alunas daquela escola... O encontro de gerações volta a fazer-se naquele local e assim vai continuar. O espaço fica ao serviço dos jovens e dos menos jovens que dele queiram usufruir, muitos planos estão já no horizonte, muitas ideias, muitos eventos ali vão ter lugar. Dez anos depois do encerramento, sem grande logística ou investimento, a escola reabre e revive, basta o esforço e empenho de uma comunidade. Independentemente da posse efetiva, e escola retorna ao seu proprietário afetivo: “o povo”, zeloso e dinâmico, não deixará que a nossa escola feche novamente.

RESTAURANTE «CRUZEIRO» EM TERRAS DE CÂNHAMO

CRÓNICA DE ANTÓNIO REIS
PÃO TRANSMONTANO 
Há documentos que nos levam até à idade Média e provam que todo o Vale da Vilariça, terras de aluvião (um depósito de sedimentos clásticos formado por sistema fluvial nas margens da drenagem, incluindo as planícies de inundação e as áreas deltaicas, com material mais fino extravasado dos canais nas cheias…). O Vale da Vilariça era totalmente plantado e arborizado por plantações de cânhamo, que no estado adulto eram colhidas e transformadas em cabos para as Naus que partiam nos descobrimentos. Hoje mesmo, há uma empresa espanhola que pretende instalar no Vale da Vilariça uma plantação de canabis para transformação medicinal, igual à actividade que já exerce em Espanha. Mas, a legislação portuguesa ainda não prevê a cultura desta espécie herbívora, o que prejudica a economia nacional, em especial de regiões que se encontram desertificadas.

A montante do Vale da Vilariça, bem no centro da aldeia da Junqueira, concelho de Torre de Moncorvo, encontramos o restaurante “cruzeiro”, nome que se praz com a edificação de um cruzeiro mesmo em frente ao estabelecimento. O espaço é acolhedor com capacidade para acolher cerca de cem pessoas sentadas, contando ainda com o amplo espaço do bar.

Por estas bandas, e como não poderia deixar de ser devido à pastorícia intensiva de várias raças animal, encontramos pratos de cordeiro, cabrito e a suculenta picanha, entre outros pratos que fazem parte da gastronomia do Vale da Vilariça e da região de Trás-os-Montes.

No restaurante “cruzeiro” fomos brindados com uma salada de tomate como entrada, produzidos e colhidos nestas terras, temperados com algum sal e um fio de azeite; produto este também de excelência produzido neste vale e nas encostas do concelho de Torre de Moncorvo. Algum tempo, não muito, chegaram umas tenras costeletas de cabrito, que foram “depenas” em poucos minutos. À espreita já estava a simpática e veterana empregada de mesa, para assim que acabássemos de degustar as costelas de cabrito fossemos novamente brindados com umas, também, deliciosas tiras de picanha, acompanhadas por batata e arroz. Um manjar para pessoas que não tenham o tempo limitado. Depois de saciados, quanto às delícias saídas da cozinha, chegou a vez de escolhermos a sobremesa: optamos por bolo de amêndoa e tarte do mesmo fruto. Mais um produto produzido e colhido por todo o concelho de Torre de Moncorvo; sendo mesmo uma mais-valia da terra e único local onde existem amêndoas cobertas com açúcar de forma artesanal. Devemos acrescentar que são muitos os operários que por ali laboram a terra nas várias actividades agrícolas e procuram o restaurante “cruzeiro” para fazer a sua refeição.


Quanto ao vinho, como muito acontece na região do Douro, a escolha esteve a cargo do proprietário do restaurante “cruzeiro” que nos presenteou com um néctar da sua colheita, ali mesmo nas terras de aluvião do Vale de Vilariça.

Os preços das refeições no restaurante “cruzeiro” varia em conformidade com a ementa e a oferta variada que vem da cozinha. O prato do dia ficasse pelos €6, enquanto uma ementa como a que nos foi servida poderá rondar os €15 por pessoa.


VAMOS FALAR DE «CONFIDENCIALIDADE MÉDICA» E DAS SUAS IMPLICAÇÕES

ANTONIETA DIAS
Vivemos numa época em permanente transformação onde cada dia é iluminado pelos avanços nas tecnologias que se identificam com a saúde, com a condição biológica e mental dos seres humanos. 

Porém, o avanço tecnológico não pode ser separado da Ética e do Direito e a investigação científica não pode ser separada da lei nem da ética.

Sendo que, em qualquer área o conhecimento disponível só pode ser utilizado se respeitar os princípios fundamentais do Direito.

Importa, ainda referir que a proteção dos dados pessoais é um direito intrínseco e fundamental da pessoa e das ciências biológicas.

O direito fundamental de sigilo e proteção dos dados pessoais do paciente, dados estes adquiridos através da entrevista clínica no decurso de uma catividade profissional privilegiada (consulta), cuja informação obtida resulta do grau de confiança que o doente deposita no médico, tem obrigatoriamente de ser respeitado.

Para o efeito existem vários documentos publicados, destinados a fundamentar a sua preservação, dos quais salientamos o Código Deontológico da Ordem dos Médicos (2008), que é constituído por um conjunto de normas de comportamento, recomendado para a prática médica e serve de orientação nas várias questões estabelecidas em todos os atos médicos relacionados com o exercício da atividade profissional.

Este Código contém dois tipos de normas, que traduzem os princípios éticos fundamentais, conceitos estes imutáveis, e que estão excluídos de quaisquer conceitos ideológicos ou políticos.

Como exemplos destas normas, fazem parte o respeito pela vida humana e pela sua dignidade, o dever do segredo médico, o dever de solidariedade e respeito entre os profissionais, a proteção dos diminuídos e dos mais fracos e o dever de não descriminação.

Neste mesmo Código Deontológico, são ainda referidas as normas, que derivam dos usos e costumes.

“O que, no exercício ou fora do exercício e no comércio da vida, eu vir ou ouvir, o que não seja necessário revelar, conservarei como segredo.” (Juramento de Hipócrates).

Na época atual o segredo profissional adquiriu uma fundamentação mais rigorosa, focalizada nas necessidades e direitos de cidadania como uma prioridade da intimidade passando a ser entendido como confidencialidade.

A confidencialidade define a propriedade da informação, que não pode ser disponibilizada ou divulgada a indivíduos, entidades ou processos, sem prévia autorização do titular da informação, uma vez que é a garantia da proteção dos dados que são fornecidas pessoalmente aos profissionais de saúde, com base na confiança e no sigilo médico abrangidos pelo princípio ético.

“O Médico deve respeitar o direito do paciente à confidencialidade. É ético revelar informação confidencial quando o paciente consinta ou quando haja uma ameaça real e iminente para o paciente ou para terceiros e essa ameaça possa ser afastada pela quebra da confidencialidade.”

Outro documento importante de sustentabilidade do dever de preservação de confidencialidade é o Código Internacional de Ética Médica, em que a 1.ª parte se refere ao dever do sigilo médico, ao segredo e confiança.

Fazendo uma revisão histórica, verificamos que o segredo médico já vem do tempo de Hipócrates.

Cerca de 2500 anos depois de Hipócrates, a obrigação do médico de guardar segredo mantém toda a atualidade e assume-se como uma necessidade, cada vez mais importante.

Após a segunda guerra mundial, o segredo médico ficou consolidado, pela defesa dos direitos humanos, tendo como suportes de apoio:

1. Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 10 de Dezembro 1948.

Artigo 12.º: “Ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação. Contra tais intromissões ou ataques toda a pessoa tem direito a proteção da lei.” 

2. Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos

Artigo 17.º: “Ninguém será objeto de ingerências arbitrárias ou ilegais na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem de ataques ilegais na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem de ataques à sua honra e reputação.”

Se o médico não respeitar estes princípios éticos, incorre no crime de violação do segredo médico, porque não cumpre o dever a que a sua profissão o obriga e desvirtua o direito do doente, lesando-o e destruído o mais elevado grau da segurança dos registos clínicos que fazem parte do segredo profissional dos médicos e que são a garantia da manutenção da informação privada do doente.

Como escreveu L. Pontes: “não existe medicina sem confiança, tal como não existe confiança sem confidências, nem confidências sem segredo.”

No âmbito da segurança informática para a proteção dos dados do utente é imprescindível que as regras de confidencialidade sejam respeitadas entre todos os intervenientes, sendo que a proteção dos dados e informações partilhadas entre o emissor e os restantes destinatários intervenientes no processo, exigem a garantia do sigilo de comunicação entre todos.

No domínio da segurança informática a confidencialidade é entendida como a troca de informações trocadas entre um emissor e um ou mais destinatários contra terceiros.

Porém, independentemente da segurança do sistema informático utilizado para o registo da comunicação, a proteção dos dados deve ser preservada por todos, seja qual for a proteção do sistema utilizado, de forma a garantir o sigilo da comunicação que é transmitida ao profissional de saúde. 

A confidencialidade encontra-se intimamente relacionada com o conceito de privacidade de âmbito restrito resultante da comunicação privilegiada (priviledged communication), entre o doente e o médico.

“Confidencialidade foi definida pela Organização Internacional de Normalização Organização Internacional de Normalização (ISO) na norma ISO-17799 como "garantir que a informação seja acessível apenas àqueles autorizados a ter acesso" e é uma pedra angular da segurança da informação. 

É obrigação do médico guardar segredo de todas as informações privadas que lhe são reveladas no decorrer da sua atividade profissional, funcionando como um direito e um dever na preservação dos interesses do doente. 

Em termos bioéticos toda e qualquer informação obtida através das palavras ou do exame físico é confidencial, só podendo ser revelada se o doente o permitir, constituindo assim o pressuposto de confiança que o doente tem no médico que o trata, subentendendo-se a existência de fidelidade do profissional que obtém a informação.

O conceito de privacidade é entendido como o controlo que a pessoa exerce sobre o acesso de outros a si próprio, sobre a preservação da sua intimidade, no decurso da prestação de cuidados assistenciais.

O doente tem o direito à preservação da sua privacidade, ao respeito pelo direito à intimidade, em todos os atos que se relacionem com o diagnóstico e tratamento clínico. 

Todo o profissional que se envolve na cadeia de atendimento clínico é obrigado a manter o sigilo pelos seus códigos deontológicos, de forma a impedir a existência de manipulação dos dados. 

O sigilo sempre foi considerado como uma característica moral obrigatória da profissão médica.

Assim, a privacidade constitui uma dimensão da liberdade de cada um, sendo vetada a intrusão por questões de carácter pessoal por parte de governos, indivíduos ou corporações a não ser que tenham sido previamente autorizadas por quem as revelou.

O doente tem o direito a ser respeitado, por toda e qualquer informação que revele ao seu médico, independentemente ou não se serem situações embaraçosas, quer sejam reveladas de forma informal ou não. 

Entre o médico e o doente existe uma relação especial e uma comunicação de dados pessoais, pensamentos ou sentimentos, que podem estar ou não relacionados com a patologia em si, os quais serão arquivadas no processo clínico do doente, cujo acesso fica reservado apenas e só fica disponível para ser consultado pelos profissionais de saúde envolvidos na intervenção do caso clínico.

A confidencialidade é uma competência de todos os profissionais e das instituições de saúde, em que a segurança da informação é a base do direito individual à intimidade e a única garantia que permite ao doente revelar dados da sua vida pessoal, porque sabe que em circunstância nenhuma serão transmitidos sem o seu prévio consentimento.

Em suma, o segredo médico é um dos direitos fundamentais dos doentes. A informação contida no seu processo clínico não pode ser divulgada sem o seu prévio consentimento devidamente esclarecido e assinado.

E por último, um alerta importante para os médicos: codificar a doença é um ato médico, porém dar essa informação a terceiros, por exemplo às seguradoras, implica uma autorização documentada, com consentimento informado esclarecido e assinado pelo doente, sem a qual essa informação não poderá ser disponibilizada.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

PRESERVATIVOS GRATUITOS NAS ESCOLAS?

MANUEL DAMAS
O grupo parlamentar do PS ocupou espaço de primeira página, recentemente, na Imprensa com um novo projeto lei, cuja primeira subscritora é a Deputada Inês Lamego, da Juventude Socialista, segundo o qual se pretende que o Governo promova a distribuição gratuita de métodos contracetivos nas escolas do ensino básico e secundário, medida já prevista desde 2009, no Decreto Lei aprovado à altura e que estabelece o regime de aplicação da Educação Sexual em meio escolar.

E, uma vez mais, ainda falta quase tudo fazer num País que não sabe, não consegue ou não quer, quando já deu mundos ao Mundo, fazer crescer-se a si próprio em Cidadania.

Voltamos, infelizmente, à vergonhosamente velha questão…a da Educação Sexual em Portugal. Até porque a mesma continua, desde 1984, vergonhosa e irresponsavelmente de remendo em remendo sem qualquer tipo de iniciativa estruturada, consolidada, sensata, refletida e acima de tudo geradora de avanços em termos de aprendizagem séria, consistente e credível em Sexualidades e Afectos, em prevenção de comportamentos de risco, em Igualdade de Género, em combate a todos os tipos de comportamento violento e/ou discriminatório nas relações psico afectivas, em controlo das gravidezes na adolescência ou não desejadas, em políticas de controlo de novos casos de HIV/SIDA ou sequer de controlo das outras Doenças Sexualmente Transmissíveis, apenas para citar as vertentes primordiais.

Pretende-se, acima de tudo, o cumprimento do binómio Informação/Formação mas também a desconstrução de estereótipos, a mudança de atitudes e o avanço e crescimento em Cidadania.

O que interessa distribuir preservativos na Escola gratuitamente se a relação dos adolescentes em Portugal com os métodos anticoncepcionais e em especial com o preservativo ainda é baseada no desconhecimento e falta de conceitos, no mito do suposto "incómodo prejudicial do prazer", na brincadeira ou no gozo por receio do desconhecido ou seja na total iliteracia no que às Sexualidades e aos Afetos se refere?

Continuo a afirmar que estas e outras questões só se alteram com a criação de uma disciplina de Educação Sexual, com um tronco comum de matérias e temas a abordar, lecionadas desde o Ensino Básico até ao Universitário e com aprofundamento dos temas, consoante a evolução da faixa etária.

Uma disciplina obrigatória e com avaliação.

Lecionada por Docentes com formação específica e voluntária, pós graduada, na área.

Até porque é nas mais jovens idades que se instalam os preconceitos, que se inculcam os estereótipos que se vão perpetuar pelo futuro.

E quanto mais cedo estes conhecimentos forem ministrados, menores serão os comportamentos de risco, menor será a atração pelo desconhecido/proibido, menos precoces serão as relações sexuais e mais informadas e responsáveis serão as decisões e as atitudes em Sexualidades e Afetos...assim o comprovam, à exaustão, os mais diversos estudos de avaliação efetuados nos numerosos países que têm a Educação Sexual (por vezes também designada Educação Sexual e Reprodutiva) instituída e no terreno.

Se necessário fosse provar algo basta citar que é às crianças que se diz, ainda hoje em Portugal, "Não se mexe aí que é sujo" ou "Não se mexe aí que é porco" assim se reproduzindo a noção errada de pudor, de sujo, de proibido, da vergonha e do pecado que até hoje ilustra a relação dos portugueses com as Sexualidades...

Não é preciso inventar...basta ouvir quem sabe.

CONVERSAS PRIVADAS COM... VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

MANUELA VIEIRA DA SILVA
Relatos de acontecimentos jorrados em jornais em absorvente papel pardo, e nas notícias da Tv com imagens e pormenores da vida alheia, ocupam o espaço deixado vazio pela indiferença da própria vida, e pelos tantos afazeres, repetidas rotinas, teimosas algumas, que fazem o tempo parar para não pensar. Chuva miudinha calada desliza húmida na alma, através das paredes da razão, pintadas de bolor com aromas de malícia e perfídia. As partículas no tempo suspensas, aguardando a brisa, um sopro de deslocação que as levasse ao vento da clareza, decompuseram-se em notas compostas de múltiplas variações e o tempo da brisa jamais voltou. Tantas coisas que deveriam ter sido ditas, partilhadas, adivinhadas, e protegidas na brisa quente do amor, no íntimo, seguro e privado aconchego da família.

O centro do mundo está em cada um, no centro das emoções, no centro dos desejos, no centro da esperança de uma vida melhor, de ser melhor que o alheio, de ter mais e mais, tornando-se num infernal, obsessivo e único objectivo de vida. Tudo à volta gira em velocidade, sem a mínima percepção do invisível e do inaudível, porque não se vê, não se ouve, mas existe. E o que se vê existe porque lhe dão vida, existe pela simples necessidade de existir para alimentar, preencher o vazio crónico que está cheio de coisas vazias, que, por serem vazias, constantemente são substituídas por outras também vazias, e assim sucessivamente. Ocupam o espaço da razão, do entendimento, ocupam o espaço do afecto, da compreensão e do discernimento. Tudo isto impede o crescimento, a maturidade de homens e mulheres que hão-de gerar outros homens e outras mulheres.

Dou-me ao direito de reclamar a liberdade de me debruçar sobre este tão delicado assunto: a violência doméstica. Sempre houve, dizem uns, mas ficava dentro das portas e não se sabia. E quem o sabia, dizia: «Entre homem e mulher, não metas a colher.» E em silêncio, a mulher sofria, e os filhos assistiam. Estes filhos são hoje homens e mulheres que sofrem, perdidos no álcool, nas drogas, na luta da vida inóspita da sobrevivência entre o ser e o ter, entre o possuir e o viver. Mas também há os casos em que não presenciaram violência no seio familiar, onde, pelo contrário, houve educação, com mais ou menos abundância de bens materiais, onde nada ou quase nada faltou, ou ainda, os casos em que houve educação moral e/ou católica, embora vivendo numa situação remediada ou pobre. A violência doméstica percorre todos os extratos sociais e económicos. Será um absurdo social? 

Penso que, antigamente, estas situações surgiam, regra geral, devido ao ciúme alimentado pelo álcool, às traições, ou à falta de dinheiro. A sociedade era mais fechada, as mulheres, mais recatadas, e os homens assumiam o papel de patriarca, de mentalidade machista, cujo dever era dar segurança e alimento. E a vergonha aos olhos dos outros instalava-se, porque havia valores a proteger.

Hoje, os motivos serão os mesmos, mas há diferenças: hoje há mais liberdade e mais conhecimento, há o divórcio, «namoros» precoces de vida íntima em que tudo é aceitável e «normal». Rapazes e raparigas estudam até ao nível superior de forma igualitária, e até têm educação sexual. Vão ter preservativos nas escolas a partir dos 14 anos… Onde posso, então, encontrar semelhanças? Fico perplexa perante o número de mulheres assassinadas por violência doméstica, todos os anos a estatística a aumentar.

Muitas áreas sociais, familiares e políticas poderão estar envolvidas na causa e na solução deste problema, que não serão aqui esmiuçadas. Destaco apenas a mentalidade e a forma como estamos a criar os homens e as mulheres que constituem a sociedade. Se não é a falta de conhecimento, se não é a falta de liberdade, então só pode ser a falta de crescimento e de maturidade, que, prova-se, não é através do conhecimento e da liberdade que se consegue. Onde se aprende? Uma questão à qual muitos entendidos já deram resposta quanto à educação, uns dizem que é na escola, outros, que é no seio familiar, e ainda outros, que é de ambos os lados em simultâneo. Não cabe ao professor de Física ensinar valores sociais e morais, quanto a mim, nem qualquer outro professor de outras disciplinas, porque no meio de tantas disciplinas e cadeiras falta aquela que ensina a viver em sociedade. Mas também não é o viver em sociedade que está em causa, o que está em causa é a vida íntima entre casais, nas suas casas, ou entre namorados. 

Choca-me saber que meninos e meninas com 14 ou 15 anos andam em discotecas até às 6 da manhã. Choca-me saber que vão ser distrubuídos preservativos nas escolas para meninos e meninas a partir dos 14 anos. Qual é a moral? Onde querem os pais que os seus filhos cheguem ao autorizarem essas saídas? Onde quer o Estado chegar ao distribuir os preservativos? – Eles fazem na mesma, o melhor é protegerem-se para não engravidarem. – Isto é inverter totalmente a educação sexual. A educação sexual não pode ser dada sem as componentes de educação dos sentimentos, dos direitos e deveres, da educação na gestão emocional. As vontades gerem-se, controlam-se. O cérebro desenvolve-se na acção e no pensamento. Não é preciso fazer para conhecer. Antes de uma acção ser iniciada, no nosso íntimo, sabemos as suas consequências, em geral, positivas ou negativas. Se eu roubar, sei que me arrisco a ser apanhada. Porque é que a consciência demora a travar as acções? Poderá haver várias respostas, ou talvez apenas três: uma, ser débil mental, ou sofrer problemas do foro psíquico; outra, não ter qualquer valor de respeito por nada, nem por ninguém, por defeito; a última, estar sob o efeito do álcool ou de estupefacientes.

Em que sociedade vivemos nós? Em que seres humanos nos estamos a transformar, se «por dá cá aquela palha» recorremos ao álcool para ganhar coragem, ou para diminuir a tensão emocional? E em vez de termos a razão a funcionar quando ela mais é necessária, perdemos o sentido do outro, mergulhados num egocentrismo doentio. Os jovens de hoje (que vai até aos 35 anos, dizem) nasceram no pós-25 de Abril, com a adolescência nos anos 90, no boom económico em Portugal, em que os pais tudo davam aos filhos. Estes, por sua vez, cresceram com as vontades satisfeitas sem grande esforço, ao mesmo tempo que a revolução sexual se inicia de uma forma surpreendentemente indisciplinada, com todos os recursos visuais à disposição, sem qualquer acompanhamento. Não foram formados seres maduros para a vida, com a consciência aberta, preparados para as dificuldades, muito menos para uma recusa de um namorado ou namorada; para a traição, porque hoje a traição não tem o mesmo nome para quem trai, mas tem para quem é traído. Os sentimentos não são prioridade, basta uma paixoneta, ou uma atracção física superficial, para se assumir uma relação de casal, sem medir as consequências, sem medir o grau de afectos, sem deixar amadurecer coisa nenhuma. Vivem ao sabor do vento, ao que lhes dá prazer, ou adrenalina, perdendo-se na primeira dificuldade. 



Julgar depreende-se e está subjacente sentenciar, condenar outro ser humano a ser outro, que não ele próprio, perdendo a sua autodeterminação individual, e dando lugar ao aumento das diferenças. Dar ou tirar o direito à liberdade do outro é condenar a uma prisão sem ferros, é ficar refém de desejos, caprichos de outros, que, por sua vez, estão reféns de si próprios. A dignidade humana começa na acção de cada um pela sua própria libertação.

EDUCAÇÃO: IMPORTÂNCIA DO CONTEXTO FAMILIAR

JOÃO RAMOS
Para compreender melhor quais os factores que contribuem para o sucesso dos indivíduos, um investigador norte-americano seleccionou através de vários exames rigorosos, cerca de 730 crianças com idades entre os 5/7 anos sobredotadas ou com capacidades cognitivas acima da média. O seu percurso académico e profissional foi posteriormente analisado minuciosamente durante mais de duas décadas. Quando chegados à idade adulta, foram divididos em três grupos. Os 150 do topo ou integrados no grupo A obtiveram carreiras de sucesso formando-se em engenharia, medicina ou arquitectura, dos quais 90% haviam conseguido terminar o ensino superior com uma graduação. O grupo b, composto por 60% da amostra, foram classificados como registando uma trajectória satisfatória. Os 150 restantes com carreiras de baixas qualificações, como carteiros, seguranças ou porteiros foram incluídos no grupo C. Após comparar os níveis de saúde física, os interesses, os passatempos e de medir os seus QI´s, o único factor revelante encontrado pelo estudo foi o contexto familiar. Os pais do grupo A eram esmagadoramente provenientes das classes médias e média-alta (50% possuíam uma licenciatura), ao passo que os do grupo C pertenciam à outra margem, com famílias sem qualificações ou com menos de 8 anos de escolaridade. Mesmo nos estudos de avaliação de personalidade, os estudantes do grupo A evidenciaram sempre melhores resultados, apresentando-se mais atentos, interessados e participativos. O contexto familiar moldou-lhes o comportamento. Ao grupo C faltou uma comunidade de suporte, que lhe preparasse e estimulasse a sua carreira.

Esta investigação indica que, as reformas no sector da educação devem se concentrar no contexto familiar, através de uma maior participação da segurança social no apoio aos estudantes com famílias destruturadas. Além disso, desenvolvendo actividades extra curriculares de apoio a estas crianças, as escolas estariam a preencher uma importante função, que por várias razões os país são incapazes de compreender e assegurar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

COMO ESCOLHER SAPATILHAS PARA CORRER?

ELISABETE RIBEIRO
Engana-se se pensa que as sapatilhas são todas iguais. Embora um único par possa ser utilizado para praticar uma variedade de desportos, a verdade é que não estará a obter a performance máxima se calçar, por exemplo, as sapatilhas que normalmente usa para jogar ténis para fazer uma sessão de corrida. Para poder correr comece pelas sapatilhas adequadas.

Analise um par antigo. A melhor forma de decidir quais as próximas sapatilhas de correr a adquirir é analisar um par antigo, ou seja, comece por colocar as sapatilhas lado a lado e determine o seguinte: se inclinarem para o meio, as suas novas sapatilhas necessitarão de maior estabilidade; se inclinarem para fora, as suas novas sapatilhas devem permitir uma maior absorção de choque. Agora, examine as biqueiras das sapatilhas velhas – consegue ver a forma de algum dos seus dedos? Recorda-se de algum desconforto nesta zona? Se respondeu sim a qualquer uma destas questões, recomenda-se que as sapatilhas novas sejam um tamanho acima e/ou mais largas. Agora, verifique o estado das solas para saber quais as zonas mais gastas – são estas que denunciam a forma como o seu pé pousa ao correr, o que significa que o próximo modelo deve ter algum suporte extra nestas áreas.

Loja especializada. Se correr é uma atividade que leva a sério, então a compra de umas sapatilhas para esse efeito deve ser igualmente ponderada. Para começar, desloque-se a uma loja de desporto especializada – isto porque para além de encontrar prateleiras e prateleiras de modelos, estas estarão organizadas por desporto, o que por si só já facilita a seleção. Adicionalmente, contará com o conhecimento de quem trabalha no mercado para determinar qual a melhor sapatilha para si. Se tiver um par de sapatilhas antigas, leve-as consigo.

Quantos quilómetros? Quanto mais tempo dedicar à corrida, melhor devem ser as sapatilhas a adquirir. Se é uma pessoa que corre todos os dias, ou quase, e que habitualmente participa em maratonas, então o investimento feito num bom par de sapatilhas será facilmente recuperado simplesmente porque sentirá a diferença, a vários níveis. Se começou recentemente ou pensa iniciar um programa de corrida, então a primeira aquisição de sapatilhas específicas para esta modalidade pode passar por um modelo mais básico que o ajudará a começar com o pé direito, mas das quais não se arrependerá no caso de desistir ou de querer melhorar o seu desempenho e adquirir um modelo superior.

Perfeitas nos pés. Para fazer uma escolha acertada no que toca a sapatilhas para correr, vá com tempo para a loja de desporto e, sem descurar nenhuma das dicas acima apresentadas, não tenha receio de experimentar todos os modelos disponíveis! Faça questão de manter cada sapatilha no pé durante alguns minutos, passeando e até correndo um pouco pela loja para perceber como é que as sapatilhas respondem ao movimento e qual a duração do seu conforto.

A adaptação. Escolhidas as sapatilhas, segue-se outra importante fase – a adaptação. Antes de as levar para a rua, ande com elas em casa, não só para começar a “quebrá-las”, mas para se certificar que escolheu, de facto, o melhor modelo para si. Na hora de começar a correr com as sapatilhas novas, faça-o sempre com meias e comece com pequenas distâncias para reduzir o risco de bolhas e outros desconfortos provocados por sapatos novos. Por este mesmo motivo, aconselha-se a nunca estrear umas sapatilhas numa prova ou maratona.

Uma revisão adequada. Independentemente do preço e do conforto, um par de sapatilhas não dura para sempre e, no momento em que começar a sentir que lhe apertam ou magoam os pés, estará na altura de voltar a investir. Se continuar a correr com sapatilhas que já tem há anos e que já viram melhores dias, o risco de lesão torna-se cada vez mais elevado. Quando em dúvida, siga a regra dos especialistas: troque as sapatilhas a cada 700 km.

Fonte: Atletismo

CRÓNICA DE VIAGEM # MADRID

ANABELA BORGES
(MUSEU RAINHA SOFIA)
Tínhamos atravessado imensidões de searas; horas e horas de campos de cultivo; todo um “alentejo”. Um cenário trémulo e amarelo, com ondas de calor no horizonte, atrapalhava os sentidos, a ponto de parecer exactamente que, ao fundo, observávamos o mar. Pura ilusão de óptica.

Entrámos em Madrid pela Porta de Alcalá, uma das cinco antigas portas reais que davam aceso à cidade.

Não há dúvidas de que Madrid se destaca pela grande oferta cultural e pelo convite a umas boas horas de ócio. Esses prenúncios podem manter-nos ocupados desde a primeira hora da manhã até de madrugada. Mas entre o início e o fim de um dia de descoberta por Madrid, abre-se todo um leque de possibilidades, tantas que o melhor é ir logo pensando em voltar lá.

Tal como temos vindo a fazer noutras viagens, optámos por andar a pé e de Metro. O que, diga-se de passagem, é uma excelente opção em Madrid, já que a cidade é plana e o Metro, a rolar nos trinques, é sempre a horinhas. Impecável!

Plazas e mais plazas:

Naquela que é considerada a praça central de Madrid, na Porta do Sol, fica o quilómetro zero – a teus pés –, uma placa que assinala o lugar exacto onde se cruzam as seis estradas radiais de Espanha.

Mas é impossível não visitar a mais icónica de todas as praças: a Plaza Mayor. É necessário parar para apreciar cada detalhe desta carismática praça. Os edifícios apresentam praticamente todos a mesma cor vermelho-escura, dispondo-se em forma quadrangular. Visita-se a praça carregada de História, a pensar em tudo o que já aconteceu ali: touradas, festas populares, autos de fé e incêndios. Rodeada de esplanadas, fazendo apanágio ao gosto que os espanhóis têm em desfrutar do ar livre, a Plaza Mayor reúne turistas, artistas de rua, bares e restaurantes.

D. QUIXOTE E SANCHO PANÇA
E estando na Plaza Mayor, torna-se imperativo fazer uma pausa para visitar o Mercado de San Miguel. Construído numa estrutura metálica, ao jeito do Mercado Ferreira Borges no Porto, este não é um lugar exclusivo para fazer compras, mas, antes, um ponto de encontro para tomar um café, provar vinho, comer petiscos, ou para desfrutar dos melhores produtos frescos do mercado. Um lugar muito interessante, a palpitar de gente, no coração da cidade.

Outro lugar de grande interesse e beleza é a Plaza de España, onde, com belíssimas estátuas, se homenageia Cervantes e suas maiores criações, Dom Quixote, Sancho Pança e Rocinante. Sem sombra de dúvidas, o triste fidalgo e o seu fiel escudeiro são as personagens mais fotografadas no monumento dedicado a Miguel Cervantes na Praça de Espanha.

Por la calle:

Fontes, parques, jardins, palácios, mosteiros, igrejas barrocas e sobretudo pequenos recantos cheios de encanto… Passear por Madrid é uma experiência única para conhecer os bairros carismáticos, lugares para nos sentirmos perdidos, no bom sentido, para encontrarmos lojas com séculos de história e ateliers de artesanato que dão cor e ânimo às ruas.

Fomos visitar os jardins e o Templo (egípcio) de Debod, lugar carregado de história, para relaxar durante uma tarde inteira, com a Serra de Guadarrama como fundo.

Passear no bairro La Latina, o mais famoso bairro de Madrid, o lugar perfeito para gastar as horas ociosas numa esplanada é excelente para relaxar e escapar ao ruído da cidade.

O famoso Bairro de Salamanca é uma autêntica passerelle de moda. Tanto na rua de Serrano como em todas as que a rodeiam, lojas de luxo, sapatarias, joalharias e grandes nomes do mundo da moda, nacionais e internacionais, exibem os seus sofisticados e inovadores produtos em montras que constituem uma verdadeira tentação ao mundo material(ista).

Passear e fazer compras na Gran Via é imperativo, tanto de dia como de noite. Muito agradável nas noites mornas de Verão. Os edifícios são belíssimos, de alto a baixo. É necessário ver com (c)alma.

Cultural Paseo del Prado:

Prado, Reina Sofía e Thyssen-Bornemisza formam o Triângulo das Artes em termos de museus, no Paseo del Prado. Qual é o mistério de “Las Meninas”? Não consegui desvendar. Mas garanto que, para apreciar as incógnitas e segredos que esconde a obra-prima de Velásquez, não me cansei dedicar uns largos minutos à observação d’ “As Meninas” no Museu do Prado. A viagem cultural aos três museus é uma saudável overdose de arte e cultura, permitindo-nos apreciar obras de artistas como Goya, Tiziano, Rafel, Rubens ou El Bosco, El Greco, Velázquez, Picasso, Dalí, Miró, passando por Bacon, Lucian Freud e muitos outros.

O muito bom deste passeio cultural é que existem grandes descontos e entradas gratuitas em muitos casos especiais. O que (passando a redundância) foi o meu caso e o das minhas filhas, eu, por ser docente, elas, por serem estudantes. Fantástico, não é?

Depois de tantos quilómetros de cultura, foi hora de lanchar: um café, uma bebida e uns churros.

BAIRRO DAS LETRAS
E é claro que não perdemos ocasião alguma (e foram várias) de cumprir com a deliciosa tradição de ir comer as tapas.

Um bairro especial: passeios literários, debaixo dos pés:

Se existe mesmo o anjo do amor…? Os versos de José Zorrila, autor de “Don Juan Tenorio”, acompanham os nossos passos pelo Bairro das Letras, com fragmentos de obras de grandes escritores como Cervantes, Quevedo ou Góngora, gravados no chão da rua.

Não há volta a dar: numa cidade como Madrid beleza e cultura estão por todo o lado. É mesmo importante olhar para o céu e para o chão.


Madrid fica aqui ao lado. A cada passo, hei-de lá voltar.