quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O PRIMEIRO PRESÉPIO

CRÓNICA DE JOÃO TEIXEIRA
1.Oito de Dezembro. Grande, belo e luminoso é este dia formoso.
O Natal, festa de alegria, como que começa a despontar na festa deste dia. 2.Antes do presépio de Francisco de Assis foi o seio de Maria que Deus quis. Maria foi o primeiro presépio, um presépio desenhado e construído por mão divina. 3.Podemos dizer que Jesus começou a vir quando a Sua Mãe começou a surgir. A Sua concepção é o início da fase definitiva da nossa salvação. Foi do ventre da Mãe do saboroso amor que chegou até nós o Salvador. 4.Este é um verdadeiro dia da Mãe. É o dia em que a Mãe começou a existir. É o dia em que o céu se quis abrir e, para todos, sorrir. 5.O primeiro suspiro de Maria acaba por ser o primeiro sopro de vida de Jesus. A Mãe também teve mãe, também teve pai. Mas Santa Ana e São Joaquim não imaginavam que aquele começo não mais teria fim. 6.Este é, pois, o início antes do começo, o dia anterior ao dia primeiro. Este é o Natal que prepara o Natal. É o pré-Natal que nos vai conduzir até ao Natal. 7.Qual Pai desvelado, Deus cuidou, desde sempre, da morada para o Seu Filho. Preparou-Lhe uma Mãe sem mancha, uma Mulher sem mácula. Desde a Sua concepção, Maria foi imaculada. 8.A Imaculada Conceição é a primeira grande visitação de Deus à Mãe de Seu Filho. Foi o primeiro instante de uma presença constante. É desde o início que Deus nos sustenta. Foi desde o início que Deus sustentou Maria com a Sua presença. Foi desde o início que Maria Se tornou a «cheia de graça»(Lc 1, 28) Desde sempre tatuada por Deus, Maria nunca conheceu o pecado original. 9.Maria é uma presença que a nossa fé não dispensa. É uma lembrança que nos acalenta na esperança. Ela é a toda pura e é com emoção que olhamos para a Sua figura. Ela é a toda bela e a nossa vida está sempre iluminada por Ela. Ela é toda luz e com suave segurança nos conduz. 10.Ela esteve junto à Cruz e continua a levar-nos até Jesus. Foi o Seu amor profundo que trouxe o Filho de Deus até ao nosso mundo!

FERREIRA, O VIÚVO FRESCO

HELDER BARROS
Ferreira era um lavrador da aldeia, tinha cerca de 50 anos, a mulher era muito doente, a Marquinhas do Olival, acabando por falecer muito nova, com quarenta e poucos anos de idade e três filhos praticamente criados. Estávamos no início dos anos oitenta, o Ferreira como já há muito tempo tinha pressentido o desfecho da doença da sua companheira, foi deitando os olhinhos à Isaura do Marceneiro, moça quarentona, cuja idade foi avançando sem que ela arranjasse marido.

E deu-se o desfecho natural, Marquinhas acabou por falecer, não resistindo a uma longa doença que a infernizou, a partir dos trinta anos. Começou por ser um problema ósseo, que se espalhou pelo organismo e que a vitimou de forma lenta e cruel. Aos poucos foi perdendo a sua mobilidade, a sua destreza física e o conhecimento, pois no seu último ano de vida, acamada, não reconhecia mais ninguém: nem mulher, nem filhos, nem amigos. Nos últimos dias do mês de novembro de 1982, foi chamado o Padre Mário para ele lhe conferir o sacramento da extrema-unção, dado que a sua morte estava muito próxima, estando a Marquinhas, mas a dar as ultimas, já que nem o Padre reconheceu.

Marquinhas partiu, deu o suspiro final e o viúvo fresco, cedo começou a lançar a rede à Isaura que, à falta de melhores pretendentes e com a idade a passar, para as mulheres com a agravante do relógio biológico poder retirar a capacidade de fecundação, o que quer queiramos, quer não, as faz sentir diminuídas enquanto mulheres plenas, lá se deixou enredar pelos avanços do experiente e determinado Ferreira.

Ferreira era um lavrador que tinha brio no seu trabalho, gostava que a sua quinta fosse como que um jardim, devido ao empenho que lhe dedicava no seu trato e, além do mais, produtiva o quanto baste, para alimentar a família e pagar a renda ao senhorio. Para isso, contava com dois filhos e uma filha do seu primeiro casamento, jovens adolescentes que muito o ajudavam na labuta diária e trabalho braçal, que o trabalho agrícola ainda exigia naquele tempo.

Contudo, os tempos estavam a mudar rapidamente. A agricultura não se apresentava como boa opção futura para os mais jovens, que partiam rapidamente para outras profissões como a construção civil que começou a desenvolver-se por esses tempos, ou então, emigrando para variados países europeus, na busca de melhores remunerações, que em Portugal não seriam possíveis. Assim aconteceu, com os filhos do Ferreira. Este, perante isso, tratou de casar rapidamente com Isaura. Já lá diz o ditado popular: “Homem velho mulher nova, filhos até à cova!”. Ao fim de um ano já tinham um filho, um rapaz forte, que viria a ser loiro, forte e de faces coradas, sinal de saúde dizia o povo. Ferreira mantinha a esperança de que este o ajudaria, seria o seu apoio, o braço direito, agora que a idade o começava a penalizar nas forças, a idade ia avançando com as naturais consequências na sua saúde.

O episódio que queria narrar, essencialmente, foi a forma como tudo aconteceu, neste segundo casamento de Ferreira. Estávamos numa aldeia de entre Douro e Minho, no início da década de oitenta e ainda haviam manifestações de ancestralidade rural, que me deixaram surpreendido, enquanto jovem que nada sabia dessas tradições rurais, fundas no tempo.

Os rapazes solteiros da aldeia, quando já era certo o segundo casamento de Ferreira, começaram a fazer romarias a casa deste, batendo com paus e ferros em latas e tudo o que fizesse muito barulho, com cantigas cantadas em paródia conjunta, em versos simples, mas incisivos. Se bem me posso lembrar, brotaram versos cantados, tais como: “O Ferreira vai casar com a menina do lugar”; “O Ferreira mal a mulher enterrou, com rapariga nova logo se casou”. Foram de facto dias de agitação na pacatez de uma aldeia rural, que viveu dias fora do normal. Os rapazes aos grupos, quais caretos de Trás-os-Montes, faziam uma chinfrineira que veio agitar os dias calmos da aldeia.

Mas, como tudo na vida, o tempo tudo levou, rapidamente a vida de Ferreira, de Isaura e da aldeia, foi voltando ao normal. Assim que o casamento foi consumado, a rapaziada deixou o casal em paz e o coro das velhas e beatas sossegou do falatório que, durante aqueles tempos mais agitados, se gerou. O filho do casal foi crescendo, escusado será dizer que foi muito estimado pelos pais, vaidosos por terem um filho tão bonito, mas depressa concluíram que, para o filho ter futuro melhor que, aquela agricultura tradicional, muito trabalhosa e pouco rentável, já não poderia garantir.

E assim foi passando o tempo, o filho do casal emigrou para a Suíça para trabalhar na hotelaria, o Ferreira deixou a quinta pois já não a conseguia fazer, foi viver com uma das filhas do primeiro casamento. Este é apenas mais um dos retratos, entre muitos, do fim da agricultura tradicional, do abandono forçado pela evolução das terras em ambientes rurais. 

Dizem que vivemos atualmente um regresso dos mais jovens e altamente qualificados à terra, com formas de agricultura altamente mecanizadas e diversificadas na sua produção. Esperemos que seja um bom regresso, os campos estão abandonados aos matagais, as aldeias estão sem pessoas e precisam de ser revitalizados. Doutro modo, a desigualdade entre litoral e interior só tenderá a aumentar em maior escala e qualquer dia, metade do país é deserto e pasto para incêndios florestais. Há que conferir eficácia à distribuição de fundos comunitários para projetos de e para o futuro. Portugal é cada vez mais Lisboa e o Litoral, passa por nós que já fomos os descobridores do mundo, encontrarmos mais Portugal em Portugal.

Se o mundo do Ferreira já acabou, desafiemos as novas gerações redescobrir a ruralidade, em moldes mais atuais, com maior eficiência e criando riqueza no Portugal interior. Doutra forma, a meia faixa vertical de Portugal continental será um infeliz prolongamento das Ilhas Desertas. Não será um caminho fácil, dado que somos um pequeno país de uma europa em crise identitária, mas que ainda é o continente de referencia existencial, na minha opinião, mais evoluído, urge darmos mais Mundo ao Mundo e mais Portugal a Portugal, dando merecimento aos inúmeros sacrifícios que as gerações anteriores fizeram para chegarmos até aqui, uma nação com perto de mil anos de história.

MEMÓRIAS DE NATAL

CATARINA DINIS PINTO
Independentemente de tudo eu adoro o Natal. É verdade que me traz nostalgia mas traz sem dúvida, a minha memória e ao meu coração, aqueles que são para mim dos melhores momentos da infância.

O Natal vivido na infância é tão diferente do que vemos hoje em dia… não importa a década, a maneira de olhar para é que se modifica a medida que crescemos… depois tudo modifica e só nós é que sabemos se aceitamos isso ou não. O meu Natal significava férias, muitos doces, muitas tropelias, prendas e família… Não posso deixar de relembrar que a família tenha sofrido algumas alterações, existiam pessoas tão próximas a mim que ao longo dos anos me foram deixando um pouco mais só ou não… A verdade é que sinto que nenhum deles partiu de verdade e está aqui no meu coração, de certa forma celebramos o Natal juntos. Continua a estar na tarde onde a minha avó e a minha mãe preparavam a melhor aletria do mundo, rabanados, arroz doce. Recordo-me de nessa tarde nunca parava de brincar aos doutores ou professores com os meus nenucos e barbies. O meu pai chegava a meio da tarde do trabalho e com ele trazia sempre um bolo-rei que os seus patrões ofereciam os empregados. Como eu amava desembrulhar e ajudar a coloca-lo no prato.

Neste dia, até as batatas cozidas, a couve e o bacalhau pareciam ser feitos de doce… é impressionante mas neste dia eu comia sem birra, sem problemas…

Recordo-me de vermos televisão ainda a preto e branco nas mais antigas memórias e num dos Natais a prenda foi mesmo uma televisão a cores que estava sempre avariada ….

Depois chegava a hora de ir dormir, era ai que eu fingia que ia para a cama e fechava os olhos…Sabia que não existia Pai Natal mas insistia que isso não era um problema, afinal podemos sempre imaginar, e pedia aos meus pais para imaginarmos que quem trazia as prendas era o menino Jesus. Assim mal estivessem as prendas na sala, alguém batia a janela do meu quarto, para dar sinal que as prendas tinham chegado…Voava até elas e já ninguém me conseguia por me a dormir…. O que eu queria mesmo era brincar… Depois de algumas negociações lá ia dormir para um maravilhoso dia nascer… o dia de Natal (que durante muitos anos íamos para a casa da outra avó e tios em Mondim de Basto). Claro la ia eu carregada com os meus novos brinquedos…

Pura saudade destes tempos desmedidos, um tesouro em meu coração, são estes instantes de um dia que ainda hoje me fazem sorrir no Natal… 

Eu penso, se me fizeram feliz porque não poderei eu fazer o mesmo pelos meus filhos? E encher o seu coração de memórias.

Para terminar deixo um pequeno poema, escrito por mim em nome de todas essas memórias.
Natal dos meus natais... Em que o meu menino Jesus esperava tal como eu... A tua chegada... Natal de alegria, Hoje revivido com saudades. Sei que existem amores mais fortes que o tempo ou o calendário. e em segredo no meu coração Mais um Natal que rimos, Brincamos, construímos casas de bonecas construímos sonhos que um dia sonhamos...

SEGUROS DE CRÉDITO À EXPORTAÇÃO

RUI LEAL
Continuando a análise a alguns dos mecanismos financeiros ou de apoio ao dispor das PME Portuguesas no âmbito de processos de internacionalização, pretendo, desta feita, abordar os seguros de crédito à exportação.

Os seguros de crédito à exportação consistem numa modalidade de seguros que têm por finalidade cobrir os riscos de não pagamento nas vendas a crédito de bens e/ou na prestação de serviços, efectuadas no estrangeiro.

Este produto destina-se às empresas que vendam a crédito nos mercados externos.

O apoio concedido às empresas traduz-se na emissão de uma apólice de seguro de créditos através da qual, a empresa exportadora poderá cobrir os riscos financeiros associados à empresa importadora (riscos comerciais) ou ao país de importação (riscos políticos/extraordinários), podendo estes integrar quer a fase de preparação da encomenda, quer os riscos inerentes após a sua expedição. 

Os créditos englobados nestas apólices podem ser de curto, médio ou longo prazo. 

É importante perceber que o conceito de seguro de créditos à exportação inclui o princípio da globalidade pelo que o segurado (empresa exportadora) deverá solicitar limites de garantia para todos os clientes externos a quem venda a crédito, ficando seguro até aos limites previamente aprovados. 

Para além do risco de mora do devedor, poderão estar também cobertos, designadamente se ocorrerem antes da mora, os riscos de falência judicial, concordata ou moratória, insuficiência de meios do devedor comprovada judicialmente ou simplesmente reconhecida pela COSEC (nomeadamente, cessação de actividade, inexistência de património do devedor, etc.) e, ainda, a recusa arbitrária do devedor em aceitar os bens ou serviços encomendados. 

As percentagens de cobertura podem ir até 90% do crédito garantido no mercado externo, em função do país.

A taxa de prémio varia de acordo com a aplicação de diversos critérios e é definida após estudo da carteira de clientes do potencial segurado.

Nos riscos de natureza comercial situa-se, em regra, num patamar inferior a 1% sobre os montantes seguráveis. 

As operações passíveis de cobertura são vendas a crédito com condições de pagamento normalmente, até 180 dias, prorrogáveis, em casos excepcionais, sendo cobertos os riscos de fabrico (suspensão ou revogação da encomenda, durante o período de fabrico) e os de crédito (falta ou atraso de pagamento, após a entrega dos bens/prestação dos serviços). 

Este seguro, para além das óbvias vantagens decorrentes da protecção ao “cash-flow” e ao balanço das empresas, apoia ainda o crescimento destas pelo estudo de novos clientes/mercados externos, permitindo o alavancamento do volume de vendas, a gestão e controlo de créditos, a vigilância activa do risco, o acesso a financiamento bancário e recuperação de créditos.

TURISMO “HIGH COST”

ARMANDO FERREIRA DE SOUSA
Durante o ano de 2016 foram alcançados novos máximos no setor do turismo em Portugal, tudo propalado com pompa e circunstância quer na comunicação social quer nos encontros de empreendedorismo.

Contudo, salvo raras exceções, durante a apologia ao crescimento do turismo, algo fica sempre por referir e equacionar. Refiro-me aos custos do turismo desenfreado e cada vez mais potenciado pelas novas formas de viajar, em especial através de companhias aéreas “low cost”.

Sem dúvida que o setor do turismo é o nosso principal exportador, sem dúvida que desde há anos este setor contribui para o aumento do emprego e do produto interno bruto mas, a que custo?

Ora, se é por demais evidente que certo tipo de turismo constitui uma mais valia para o país e sua população, por outra lado não se afigura que todo o tipo de turismo assim o seja.

E refiro-me em especial ao turismo “low cost”, de pessoas que pouco deixam no país a não ser a utilização desenfreada dos equipamentos urbanos de certas cidades e bem assim da pressão económica que colocam no preço de alguns serviços.

São pois fenómenos que devem ser estudados de forma isenta e séria, por forma a efetivamente compensar a sociedade pelos custos deste turismo “High Cost”.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

SER MÃE

MÁRCIA PINTO
Sou professora, sempre me imaginei sê-lo desde que me conheço e, modéstia à parte, acho que sou boa profissional!...

No entanto, aos 30 anos descobri a profissão que me preenche, que me faz sentir que a minha existência tem um sentido verdadeiro e válido. Há quem o considere o trabalho mais difícil à face da Terra, outros delegam as suas funções para terceiros, seja por necessidade ou meramente por ser mais fácil…

Ser mãe!… É sem dúvida o melhor e maior desafio da vida de uma mulher!

Ser mãe é estar ``ao serviço´´ 24 horas por dia, 7 dias por semana.
É estar acordada quando o resto do mundo dorme. É amamentar durante a madrugada, mesmo quando o sono nos tenta vencer.
É cheirar a leite durante vários meses (e detestar!). E ficar cheia de saudades de dar o peito, quando o filho desmamar.
Ser mãe é aprender a trocar as fraldas em qualquer local, com ou sem luz….

É preparar a primeira papinha como se de um manjar dos deuses se tratasse, é comer a comida fria, ou mesmo deixar de comer, para dar a nossa parte ao nosso filho.
Ser mãe é querer que o filho gatinhe e finalmente consiga andar. E quando ele aprende a correr, sentir saudades do calor do seu pequeno corpo quando ficava o dia todo no meu colo.
É passar a noite a segurar a mão do nosso bebe, para ter a certeza de que a febre passou, é morrer de vontade de chorar ao ver o nosso filho doente, mas manter o sorriso para que ela não se preocupe.

É acordar cansada, depois de uma noite mal dormida e apesar disso, fazer tudo da mesma maneira: dar banho, comida, brincar, trabalhar, cuidar da casa, e adormecer o nosso filho.
É exercitar a paciência diariamente. E perdê-la de vez em quando, entre uma crise de birra e outra.
Ser mãe é ouvir do nosso filho as mesmas palavras que lhe ensinamos e perceber que não basta falar, é preciso dar o exemplo.
Ser mãe é sentir culpa por ter que voltar ao trabalho e aprender que, com duas mãos, é possível executar muito mais do que duas tarefas. Atender o telefone, empurrar o carrinho, abrir a porta, escrever um bilhete, e dar a última colherada do prato, são só alguns exemplos…

Deste modo, sentir aquela mãozinha tão pequena e tão forte, que segura a minha como se quisesse dizer: “eu estou aqui, agora não estás sozinha!”, dá-me força para seguir em frente, mesmo quando o caminho é difícil de trilhar.
É muito bom acordar de manhã com um abraço apertado, como se não nos víssemos há muitos anos! O mesmo acontece ao fim do dia, quando chego do trabalho.

Ser mãe é emocionar-me quando dizes ou fazes algo que vai de acordo aos valores que te tento passar todos os dias, é ter a casa cheia de risadas e de gritos de felicidade e relembrar como se brinca com carrinhos de bonecas, de esconde-esconde, de cabeleireiras...
Ser mãe é tentar ser uma pessoa melhor a cada dia porque mereces uma mãe que se esforce todos os dias para ser melhor.

Neste sentido, fui abençoada com uma princesinha há 5 anos e a partir daí as prioridades começaram a ser outras, deixei de ser eu para seres tu sempre em primeiro lugar…

Para mim, ser mãe é descobrir que o meu coração tem um espaço infinito e que quanto mais a amo, mais amor tenho para lhe dar.

VERDADE OU CONSEQUÊNCIA?

PALMIRA CRISTINA MENDES
Não deixo de me questionar acerca da teoria das penas, em especial a teoria da prevenção geral e especial.

Parece me bem, que uma pessoa que cometa um crime seja punido! Não nego que a pena seja um meio de defesa dos bens jurídicos. Apenas nego que seja adequadamente definida através deste conceito. Nem só as penas visam a defesa dos bens jurídicos, desde logo porque tal é igualmente visado pelas medidas de segurança. Só que o mesmo fim é afinal comum a todas as sanções jurídicas, quer preventivas (como a prisão preventiva e os meios de coacção) quer repressivas (como a restituição, a indemnização, a nulidade), e ainda a outras acções preventivas do Estado que não estão ligada à violação de normas determinadas, como as medidas de polícia e de informação jurídica. Muitas mais considerações haveria a tecer acerca dos fins das penas..

Privados do maior e mais precioso Direito “ Liberdade ”os reclusos têm sim, uma serie de obrigações que têm que cumprir religiosamente. E muito bem! Mas continuam a ter direitos que não podem ou melhor dizendo não deveriam ser violados, salvo melhor opinião, por muito horrendo que tenha sido o crime que” suposta” ou efectivamente cometeu, como exemplo o direito à saúde ,entre outros que fazem parte do núcleo essencial dos direitos humanos.

Aquando das minhas raras visitas a alguns E.P fico a conhecer a verdadeira realidade vivida pelos “hipotéticos” ou verdadeiros criminosos!

Fechados a “sete chaves” e, de forma a ter uma reunião com um recluso, sou sujeita a revista integral com detector de metais, tal como acontece a todos os outros advogados, policias, médicos e outros que pretendem entrar no “manto negro”!

Os reclusos falam abundantemente de Leis; comparam decisões judicias; dizem mal de advogados, guardas prisionais e juízes! Compreensível até aqui, pois “aparentemente” nada mais acontece dentro de um Estabelecimento Prisional , ou melhor dizendo, não deveria acontecer, para além da possibilidade de frequentar aulas, trabalhar ou e frequentar o “ginásio”!! 

Movidos pela ânsia da Liberdade, observam o seu advogado como um “Deus”, a “salvação” para a fuga do verdadeiro inferno.

Mas torna-se “insuportável”, inaceitável para mim, quando somos informados pelo recluso do “ next step ” judicial! Quando o recluso, inclusive, têm prévio conhecimento de um “determinado despacho” porque “ o Sr. Dr. x conhece muito bem o Sr. Dr. procurador y”. !! Muito bem!! Wow…e não é que após uns dias recebo “aquele” despacho no meu escritório!?! “ Eu bem lhe disse, Sr.ª Dr.ª ”!!!

Arrepiante quando relatam a “vida” dentro da E.P. ” apinhada de reclusos! Não existem celas vazias; as prisões estão sobrelotadas!

O que se passa em especial nas prisões portuguesas , é flagrante: a droga chega às E.P, e segundo os reclusos “…aos quilos… por intermédio de guardas prisionais, advogados, familiares, auxiliares de limpeza, médico…s e vendida a peso de ouro!! Os reclusos são assediados a iniciar(ou continuar) a pratica do trafico de droga sob pena de “ ofensas à integridade física, ou ameaça de morte a si ou aos seus familiares “ . Lei da Selva!

Todas as pessoas conhecem esta realidade!! 

Questiono-me, qual o sentido de este género de encarceramento quando uma pessoa detida preventivamente, com serias probabilidades de não vir a ser condenada efectivamente, aprende, assimila, dentro do E.P juntamente ou através de outros reclusos ,o verdadeiro significado do conceito crime?

Quid Iuris?!

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

TRATAMENTO CORRETIVO DA ONICOCRIPTOSE ASSOCIADO A EXOSTOSE SUBUNGUEAL

Uma das patologias mais frequentes na consulta de podologia é a unha encravada (onicocriptose – www.centroclinicodope.pt); frequentemente está também associada uma exostose subungueal; ambas podem ser causa e consequência uma da outra.


Fig. 1: imagem de uma exostose subungueal

Na presença quer de unha encravada quer de exostose subungueal é muito importante a sintomatologia que apresentam, especialmente a incapacidade funcional e de aplicar um sapato torna-se assim necessário efetuar um tratamento podológico eficaz e definitivo.
É frequente em muitos casos encontrar pacientes tratados anteriormente a unhas encravadas por outros profissionais; efetivamente por um curto período de tempo o problema fica solucionado mas passados alguns meses observa-se uma distrofia ungueal e consequentemente um aumento da sintomatologia dolorosa, pois para além de a unha ter voltado a encravar existe também uma distrofia ungueal.


Fig.2: imagem radiológica da exostose

A exostose subungueal é um tumor ósseo benigno tem como localização preferencial o primeiro dedo do pé; o diagnóstico é confirmado por radiografia demostrando-se o crescimento ósseo anormal.

 O tratamento é cirúrgico.

Crónica de Fátima Lopes Carvalho