sábado, 18 de novembro de 2017

NO DIA EUROPEU DOS ANTIBIÓTICOS

ANTONIETA DIAS
Designa-se por antibiótico um fármaco cuja função é tratar infeções causadas por microrganismos designados por bactérias.

São substâncias farmacológicas usadas com fins terapêuticos, tendo por si só indicações específicas e devem ser utilizados com muita cautela.

Sendo um ato da exclusiva responsabilidade médica, que fará a sua prescrição, com base no diagnóstico ao qual compete explicar ao doente o objetivo especifico para o tratamento da doença em causa, investigar a existência da presença ou não de alergias do doente ao qual se destina a prescrição, explicará as doses adequadas do medicamento, o horário rigoroso das tomas, o tempo necessário para o tratamento e os efeitos adversos dos medicamentos que são prescritos. 

Os antibióticos atuam sobre as bactérias de duas formas: destruindo-as designando-se esta ação como bactericida ou inibindo a sua replicação, agindo assim como bacteriostáticos.

Os antibióticos não destroem os vírus.

Devem ser usados quando indicados e a seleção do grupo /classe tem de corresponder à sensibilidade da bactéria em causa, constituindo assim um ato médico de relevo, para o qual é imprescindível o conhecimento científico da doença, do fármaco de eleição para o seu tratamento bem como a tipologia do doente ao qual vai ser aplicado tendo em conta as características individuais da pessoa em causa.

Podem ainda ser utilizados na profilaxia antibiótica (antes da realização de uma cirurgia), para prevenir o aparecimento de infeções operatórias.

São causa frequente de resistência se forem usados de forma inadequada, sendo por isso de vital importância a seleção correta do fármaco para o tratamento que se pretende instituir ao doente.

Com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 50% dos antibióticos prescritos são feitos de forma inadequada, sendo esta a principal causa de resistência antibiótica.

Em Portugal existe legislação específica na competência da prescrição terapêutica, sendo a mesma da responsabilidade médica, prevendo a penalização na venda ilegal de antibióticos sem receita médica.

Todavia, infelizmente continuam a ser feitas vendas ilegais (sem a respectiva receita medica).

Compete ao Infarmed (Instituto Público), fazer a fiscalização destas situações o que nem sempre é fácil.

Portugal é um dos países da Europa em que as taxas de resistência aos antibióticos são elevadíssimas.

Em consequência destes dados e preocupado com este grave problema foi criado em Portugal o Programa Nacional de Prevenção das Resistências aos Antibióticos (PNPRA), com a intenção de diminuir a taxa de resistência aos mesmos e com o objetivo de sensibilizar os profissionais (médicos), e as pessoas que os utilizam indevidamente (sem a respetiva prescrição médica), para a necessidade do uso racional dos antibióticos.

Cabe assim a todos os intervenientes neste processo a responsabilidade do uso dos antibióticos de forma criteriosa e sensata.

Em suma, os antibióticos são indispensáveis no tratamento das infeções, porém devem ser obrigatoriamente prescritos pelos médicos, que deverão fazê-lo com base na evidência científica, respeitando sempre as recomendações para este ato médico e agindo escrupulosamente de acordo com a “legis artis”.

O PANTEÃO E A REDE

JOÃO MENDES
Chegará o dia em que as redes sociais elegerão e farão cair políticos e regimes. Não sei se lá chegaremos sem que a sociedade colapse, já disso estivemos mais longe, mas a verdade é que o poder das redes é hoje enorme, e esse facto, consumado, tende a agigantar-se a cada dia que passa. Que o digam os seguranças do Urban Beach, sobejamente conhecidos pela violência de que habitualmente aplicam, e que foram ao tapete, juntamente com a própria discoteca, no dia em que um vídeo do seu comportamento bárbaro se tornou viral no Facebook. 

Mais recente foi o episódio do jantar de encerramento da Web Summit, que decorreu no Panteão Nacional. Não foi o primeiro, nem o segundo, nem o terceiro, mas foi preciso que o tema se tornasse viral nas redes sociais para que a indignação se projectasse para todo o país. Muito se poderia dizer sobre este caso, da cada vez mais habitual desresponsabilização de António Costa à hipocrisia que emanou da ala direita do hemiciclo, passando pela questão ética de se utilizar um cemitério de notáveis heróis da pátria para jantares e cocktails, mas o que fica deste caso, na minha opinião, é o autêntico terramoto que se gerou na quinta do Sr. Zuckerberg. 

Mal ou bem, caberá a cada um dizer de sua justiça, monumentos como o Panteão Nacional já foram usados para eventos do género, muito antes da lei Barreto Xavier, que oficializou a mercantilização destes espaços. Será que só agora gerou indignação? Ou será que ela já existia, e a diferença reside apenas na capacidade que o Facebook tem de a amplificar a níveis nunca antes vistos? Estou mais inclinado para a segunda hipótese. A força das redes sociais é tremenda e geradora de turbas que o são sem sair do conforto do sofá.

Acontece que, com o tempo, estas indignações tendem a perder-se na timeline. Seja este caso, o caso Urban Beach, assaltos de colarinho branco em instituições bancárias ou situações de gestão danosa, corrupção e fraudes variadas no sistema político português. Porque a seguir a qualquer uma delas, uma nova se levantará e todos os holofotes se virarão para ela. Não fosse o mais recente caso de evasão fiscal que colocou em cheque os investimentos da rainha Isabel II, e já muitos não se lembravam sequer dos Panama Papers. Alguém se lembra da lista de jornalistas avençados pelo saco-azul do GES, que o Expresso prometeu revelar? Não? É natural.



Com a imprensa tradicional a atravessar uma profunda crise, feita de factos alternativos, clickbaits e jornalismo sensacionalista, a ascensão do Facebook enquanto plataforma informativa colocará enormes desafios à sociedade como a conhecemos. As indignações multiplicar-se-ão, é certo, mas o excesso de informação de qualidade duvidosa que proporciona será solo fértil para uma sociedade incapaz de separar o trigo do joio, que balança ao sabor dos humores da rede. E o acessório confundir-se-á com o essencial, levando a que os jantares nos panteões desta vida tenham a relevância de uma Operação Marquês. Este é, a meu ver, um dos grandes perigos que as redes sociais representam. E a elite que nos comanda, na sombra, agradece o favor.

A MORTE, O INSÓLITO E A PROSTITUIÇÃO

JORGE NUNO
Um acontecimento recente em Portugal teve um forte impacto nas redes sociais – difundido a uma velocidade vertiginosa, como se se tratasse de um vírus –, e prometeu criar uma enorme agitação, atingindo, de forma acutilante, elementos do governo, tanto do atual como do anterior.

Esse acontecimento, que tem tanto de insólito, como de leviandade, como revela falta de caráter ou até onde vai a prostituição… levou-me, em surdina, a tentar descobrir o que me levou – a mim – há uns anos atrás, a entrar: em antiquíssimos sepulcros, com inúmeras tumbas e um sem fim de lápides de pedra, no Monte das Oliveiras, em Jerusalém (Israel); no antigo cemitério judeu, em Praga (República Checa); nos mausoléus da mesquita e do cemitério muçulmano de Konya (Turquia). Será que na altura, tinha ou sentia algum prazer mórbido nessas visitas? Faz sentido que estes locais sejam transformados em locais turísticos, com cobrança de entradas?

Sobre a visita àquele estranho local, situado na encosta a leste da cidade velha de Jerusalém, e da “loucura” dos que agora pagam milhões por um pequeno espaço para serem ali enterrados, retenho uma excelente memória. É um dos cemitérios mais antigos do mundo, com necrópoles e tumbas escavadas em rocha, estimado em cerca de 3.000 anos, contendo mais de 150.000 sepulturas numa vasta área. É espantoso como o Livro de Zacarias, considerado “profeta”, leva a que os judeus queiram ali ser enterrados, no “palco dos acontecimentos finais” e, assim, poderem “ser os primeiros a serem ressuscitados”. O próprio Zacarias terá pedido para ser ali enterrado, admitindo-se que possam lá estar também muitos “notáveis” mencionados na Bíblia. Admirei a persistência do trabalho de investigação, incluindo escavações permanentes, por me parecer tratar-se de um trabalho sem fim, um puzzle aparentemente impossível de completar, por haver sempre peças escondidas. Mas quando se fala de figuras bíblicas, a palavra “impossível” fica desprovida de sentido. Com o clima ameno naquela altura do ano, a vista deslumbrante sobre as milenares muralhas de Jerusalém, os ponteiros do relógio a darem a impressão de que o tempo terá parado… a contemplação era uma realidade e sentia uma enorme sensação de bem-estar geral, tal como já acontecera no Monte das Bem-Aventuranças e no Monte Tabor, na Galileia.

Uma semana completa para visitar a cidade de Praga parecia muito. Puro engano. Muito bem alojado, mesmo “a dois passos” da praça da Cidade Velha, foi um deslumbramento total. Com um programa exclusivamente ao gosto pessoal, visitei tudo o que me parecia interessante. Quase sem saber como nem por quê, depois de visitar o Bairro Judeu, dei por mim a pagar para visitar o antigo cemitério judaico, fundado no século XV, e que “abriga” muitos judeus notáveis. Tem igualmente, numa ala daquele espaço, o Museu Judaico de Praga, que foi ocupado pelo regime nazi e que quis fazer dele o “museu de uma raça extinta”. Terei pensado: “Já que estou aqui… vem mesmo a propósito!”. Na verdade, gastei tempo à procura de um apelido específico, que não encontrei. Esperava encontrar uma qualquer ligação… alguém com aquele apelido que tivesse sido vítima do nazismo e ali fosse enterrado… mas não. Uma senhora magra, de idade avançada, que podia ser sobrevivente do holocausto, prontificou-se a ajudar-me (em diferido e à distância) mas fiquei-me por ali. Ainda hoje sorrio ao lembrar-me que, junto de uma campa, do nada… sem explicação, caiu-me uma lente dos óculos, sem que eu tivesse contribuído para tal!

Konya, cidade no centro da Turquia, desenvolveu-se em torno de um “profeta” – Rumi (1207-1273), poeta e teólogo sufi persa. O corpo deste, encontra-se na importante mesquita, concluída pelo sultão Allaeddin, que tem mausoléus contendo importantes figuras da dinastia Seljuk. O filho de Rumi e seguidores fundaram a ordem sufi, conhecida como a “ordem dos dervixes girantes”. O túmulo de Rumi é ponto “obrigatório” de visita. Tanto aqui, como para os restantes túmulos do cemitério muçulmano, contíguo à mesquita, o guia turístico fez questão de deixar vários avisos, relacionados com a cultura local, tendo em vista a especificidade daqueles espaços onde se honra os mortos.

Naturalmente, respeitei os locais, as tradições e cultura própria naquelas zonas visitadas, e quase que dispensava as recomendações, pois tenho em conta o bom senso. Depois de cada visita, senti que estava mais rico, em conhecimento, e com maior predisposição para aceitar as diferenças culturais.

O Panteão Nacional, em Lisboa, assente sobre a Igreja de Santa Engrácia, terá durado cerca de 300 a construir; daí a expressão popular “É como as obras de Santa Engrácia!”, para referir algo que parece não mais acabar. Além do interesse arquitetónico, encontram-se no Panteão os túmulos de ilustres figuras portuguesas, a quem Luís Vaz de Camões faz referência, in Canto I, de “Os Lusíadas”: “(…) E aqueles, que por obras valerosas / Se vão da lei da morte libertando (…)”, para realçar os heróis imortais. No último dia do importante acontecimento anual, de grande importância para o país, o espaço foi alugado para um jantar com cerca de 400 participantes no Web Summit. Depois de se constatar como alastrou a notícia viral, com um primeiro ministro-ministro a prometer alterar a legislação sobre o aluguer de espaços públicos específicos, quando apenas competia à tutela dizer “não”, caso fosse esse o entendimento, e não foi. O dinheiro terá falado mais alto! Realce para o pedido de desculpas de Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit, em que dizia pretender “honrar a história de Portugal”. Relembrou que o jantar foi organizado de acordo com a legislação existente e “com todo o respeito”. Disse mesmo no Twitter: “Sou irlandês. Culturalmente, temos uma abordagem muito diferente à morte. Celebramo-la. Isso não faz com que esta seja a abordagem mais correta em Portugal. Adoro este país como a minha segunda casa e nunca tentaria ofender os grandes heróis do passado de Portugal”.

Kick-off BREXIT

TIAGO CORAIS
O BREXIT será um processo negativo quer para o Reino Unido, quer infelizmente para a Europa. No entanto existem algumas janelas de oportunidade que a maioria dos restantes membros da UE estão a tentar aproveitar e Portugal não é excepção.

Enquanto as negociações continuam tensas mas sem muitos progressos entre a UE e o Reino Unido, esta segunda-feira, dia 20 de Novembro, se iniciará de facto o Brexit com o anúncio das novas cidades que receberão a Autoridade Bancária Europeia (EBA) e Agência Europeia de Medicamentos (EMA) com sede em Londres e que em Março de 2019 terão que estar nas cidades escolhidas.

A Autoridade Bancária Europeia (EBA) emprega 189 pessoas e faz parte do Sistema Europeu de Supervisão Financeira, criada em 2011, assumiu todas as responsabilidades e tarefas existentes do Comité de Supervisores Bancários Europeus. São 8 os Países candidatos: Bélgica (Bruxelas), República da Irlanda (Dublin), Alemanha (Frankfurt), Luxemburgo (cidade de Luxemburgo), França (Paris), República Checa (Praga), Áustria (Viena) e Polónia (Varsóvia). 

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) tem como missão avaliar e supervisionar medicamentos humanos e veterinários, em termos de segurança, eficácia e qualidade, a fim de proteger a saúde humana e animal na UE. É uma das agências Europeias que emprega mais gente, 890 quadros muito qualificados e o número de Países que se candidata reflete o quanto atrativa ela é. Para além de Portugal que apresenta a cidade do Porto como proposta, juntando-se aos restantes 18 países que se candidatam: Holanda (Amesterdão), Grécia (Atenas), Espanha (Barcelona), Alemanha (Bona), Eslováquia (Bratislava), Bélgica (Bruxelas), Roménia (Bucareste), Dinamarca (Copenhaga), Irlanda (Dublin), Finlândia (Helsínquia), França (Lille), Malta, Itália (Milão), Bulgária (Sófia), Suécia (Estocolmo), Áustria (Viena), Polónia (Varsóvia) e Croácia (Zagrebe).

As dezanove candidaturas em vinte sete possíveis demonstra o quanto será importante para o Porto, o Norte e para Portugal conseguir que a localização desta Agência venha para o nosso País. Mas também demonstra que a concorrência será muito forte e que a discussão em Portugal sobre a nossa candidatura teve contornos no mínimo bizarros. Houve uma discussão nas redes sociais e até na comunicação social que demonstram como fomos injusto quando acusamos o Governo Português de centralista, por ter apresentado inicialmente a localização da nossa candidatura em Lisboa. O debate "paroquial" em que quase todas as cidades no nosso País se achavam no direito de se candidatar é um sinal que vivemos noutro "planeta". Se analisarmos as candidaturas dos outros Países Europeus, verificamos que para a Autoridade Bancária Europeia (EBA), sete das oito candidaturas são capitais, apenas a Alemanha apresenta Frankfurt e percebemos porquê. Para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), das dezanove candidaturas, quinze são capitais e apenas Portugal, Itália, Espanha, França e Alemanha não candidatam as suas capitais. Curioso é que quatro países (Bélgica, República da Irlanda, Áustria e Polónia) apresentam as respectivas capitais para ambas as candidaturas. Isto não acontece porque os outros países da União Europeia não tenham cidades para além das suas capitais em condições para receber, nem que tenham a noção que se escolherem outra cidade os ganhos para o País serão maiores. Mas essencialmente têm a noção que a concorrência é forte e o mais importante é GARANTIREM QUE APRESENTAM A CIDADE COM MAIOR PROBABILIDADE DE SER ESCOLHIDA.

São seis os critérios de escolha:

1- Garantias que no dia da saída do Reino Unido da União Europeia a Agência esteja em funcionamento nas novas instalações.

2- Boas acessibilidade da localização, quer na disponibilidade, frequência e duração dos voos entre a várias capitais dos Estados-Membros da UE, como boas ligações em transportes públicos do aeroporto e nova localização da agência. Outro aspecto crucial na escolha é demonstrar que a cidade escolhida tem capacidade de alojamento para receber num ano 40.000 visitas, com um pico num dia de 350 pessoas. .

3- Existência de instalações de educação adequadas para os filhos do pessoal da agência. Segundo dados de 2016 o número de crianças dos funcionários da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) entre os 0 e os 18 anos são de 648, 117 bebés no infantário, 231 crianças na primária, 149 adolescentes no secundário e 55 estudantes Universitários. 

4- Acesso apropriado ao mercado de trabalho, segurança social e assistência médica para crianças e cônjuges. Dos cerca de 890 funcionários da Agência , 55% são casados ou têm um parceiro ou uma parceira, isto quer dizer que o mercado de trabalho na Cidade escolhida tem que ter a capacidade para absorver perto de 500 pessoas.

5- Assegurar que a instituição continua a ser "atrativa" em termos de recrutamento, como a capacidade de assegurar uma transição suave capaz de garantir a continuidade dos serviços da agência durante esse período.

6- Distribuição geográfica das agências europeias, no qual como Portugal já tem 2 agências e alguns países candidatos ainda não têm nenhum neste critério Portugal está em desvantagem.

Apesar do votação ser apenas na segunda-feira, esta semana segundo o jornal Financial Times, as cidades favoritas para a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) são as cidades Bratislava (Eslováquia) e Milão (Itália). Os motivos para a escolha em Bratislava é equilibrar em termos regionais as várias agências da UE, pois a Europa Central e Oriental está sub-representada nas agências Europeias. Um argumento forte, mas que que segundo a opinião de alguns diplomatas se a escolha recair por Bratislava, haverá o risco de 70% dos funcionários se despedirem da Agência Europeia de Medicamentos (EMA). Como é lógico, já a mudança da sua sede para outro País é uma situação muito complexa, juntarmos mais instabilidade nesta agência, acho que será um factor a ser ponderado na votação da próxima segunda-feira.

Milão, uma cidade charmosa, com o novo Centro de Investigação Human Technopole e com a instalação da IBM do Centro Europeu de Saúde de Excelência Watson ganha muitas sinergias com a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) e não há dúvidas que será uma cidade atrativa para os funcionários e suas famílias.

No entanto, acho sinceramente que as notícias sobre favoritos sejam especulativas e o seu objectivo é mesmo tentar influenciar a escolha. A Cidade Porto está de parabéns por ter feito uma candidatura bem estruturada e que cumpre os critérios. Apesar de achar que Portugal tem poucas hipóteses em ser a escolhida (espero que esteja enganado), a escolha do Porto como candidatura Portuguesa foi uma boa opção do nosso País e caso o Porto seja a cidade escolhida criará uma nova “CENTRALIDADE” a Norte de Portugal ao qual todo o País ficará a GANHAR. Por isso, este fim-de-semana VAMOS TODOS TORCER PELO PORTO.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

DIREITO DOS AVÓS

ANA LEITE
Atualmente, assiste-se a uma mudança na representação social da família. Os avós têm agora um importante papel a desempenhar na vida de uma criança. Socialmente são vários os estudos que referem o importante papel que os mais velhos desempenham na vida de um menor. 

Infelizmente são cada vez mais crescentes nos nossos tribunais as ações judiciais para regulação de visitas aos avós, especialmente em casos de alienação parental, em que os avós, sem qualquer fundamento sério, são descartados das relações dos seus netos, do seu convívio, rompendo esta importante relação de parentesco e afectiva.

Sobre este assunto estabelece o artigo 1887.º -A do Código Civil que “os pais não podem injustificadamente privar os filhos do convívio com os irmãos e ascendentes.”. Assim, a jurisprudência portuguesa reconhece uma relação pessoal entre avós e netos, e que esta deve ser protegida e garantida.

Não se trata só de um direito dos avós, de visitar os seus netos, sempre que não seja permitido pelos pais. Para os tribunais portugueses, o direito que tem que se proteger é fundamentalmente o direito dos netos. Trata-se de um reconhecimento por parte da jurisprudência do direito do neto ao convívio com os avós, e o direito dos avós à companhia do neto.

Podemos afirmar que este direito à companhia entre avós e netos, prende-se com a promoção do direito ao desenvolvimento e do direito à historicidade pessoal.

A expressão “convívio”, legalmente abrange não só o direito de ir ao encontro dos netos no domicílio daquele que os tem à sua guarda, mas também o direito de os receber em sua própria casa ou de se encontrar com este num local definido. 

A atual jurisprudência considera que, não cabe aos Tribunais decidir ou impor os afectos e sentimentos, mas têm o dever de criar condições para que o convívio e os afectos se possam proporcionar num ambiente de liberdade. Assim, é obrigação dos pais proporcionar à criança o referido ambiente de liberdade para que este possa, com o desenvolvimento da sua maturidade, definir os seus sentimentos e afectos, os quais necessitam do convívio para se concretizarem.

Dito isto, convém referir que o código civil dispõe que os “pais não podem injustificadamente privar os filhos do convívio com os irmãos e ascendentes”. Quer isto dizer que parte-se do princípio que o contacto da criança com os avós é benéfica para ela. Por isso, cabe sempre aos pais também impedir o convívio com os ascendentes sempre que, justificadamente, o considerarem lesivo para o filho. Caberá ao tribunal apreciar a recusa dos pais em não aceitar o referido direito de convívio.

GREVE DO TÉCNICOS SUPERIORES DE SAÚDE

JOÃO RAMOS 
Os técnicos superiores de saúde, que integram o raio X, a ressonância magnética e áreas afins, estão em greve, há mais de duas semanas, sem que o governo apresente uma resposta ou sequer um pequeno princípio de acordo que possa ser negociado. Agindo de má-fé, o ministério tem vindo a adiar sucessivamente a discussão de uma solução, com o objetivo de desmoralizar os grevistas, vencendo-os por desgaste. Sendo um governo de esquerda e que apregoa a defesa dos direitos dos trabalhadores, é verdadeiramente incompreensível esta atitude.

Num orçamento com tantas devoluções e cedências, ignoram-se as reivindicações dos técnicos superiores de saúde, que, por constituírem uma fração relativamente pequena, mas indispensável dos funcionários dos hospitais, tem sido espezinhada e injustiçada pelos sucessivos governos. Não se trata de uma exigência de aumento salarial, mas sim do cumprimento da lei, que exige o reconhecimento da carreira e categorias, em igualdade, com os restantes colegas, que apresentam exatamente a mesma competência e anos de formação. A constituição reconhece o direito à igualdade de tratamento e a importância da assunção de compromissos, por parte do Estado para com os seus cidadãos. Neste sentido, apela-se aos órgãos de soberania e ministro da tutela, o estrito cumprimento da lei e o tratamento digno, dos funcionários envolvidos no protesto.

A qualidade do sistema público de saúde, não depende só dos médicos, mas de todo um conjunto de serviços de suporte, sem o qual, seria impossível conferir aos cidadãos um tratamento eficiente.

GALAMBA, VAI ESTUDAR

MIGUEL TEIXEIRA
A luta vai ser dura, mas exige determinação e firmeza. Estive a ver e cada vez me convenço mais que não há grandes diferenças entre o PS e a direita no que diz respeito às políticas de Educação. É impressionante o desconhecimento desta gente, a quem o futuro do país está entregue sobre matérias educativas. Eu não quero acreditar que o que referem seja por má fé. Quero pensar que é por manifesta ignorância.

João Galamba afirmou ontem na SIC/Notícias que "as carreiras dos professores são mais generosas que as outras e são financeiramente insustentáveis", falando também no "mito urbano" das progressões automáticas por antiguidade, opinião corroborada pelo Deputado do CDS Adolfo Mesquita Nunes. Ou seja, na mente "pequena" destes políticos lisboetas que temos, o investimento na carreira docente, potenciando profissionais motivados é assim uma espécie de "coisa pouca" e a sua influência no futuro deste país e dos jovens alunos portugueses parece ser algo de "insuportável" ou dispensável. Eu gostaria de perceber em que é que a minha carreira é mais generosa do que a de um médico, um juiz ou mesmo um militar de carreira ...Os professores não progridem de 4 em 4 anos, ao contrário do que demagogicamente se afirma por aí. Com mais de dois terços da minha carreira cumpridos, com 26 anos de serviço e 48 anos de idade, estou retido no 4. escalão em 10, desde 2010, tendo descido em 2006, com Maria de Lurdes Rodrigues e Sócrates do 6. Escalão para o terceiro. O problema que poucos que opinam sobre a carreira docente não sabem, nem os Galambas deste país, nem o Paulo Baldaia sabe, é que com Maria de Lurdes Rodrigues, para além do rebaixamento de escalões a todos os docentes (três escalões para baixo), implementou-se o sistema de quotas na passagem do 4 escalão para o 5 , e do 6 escalão para o 7 . É onde estão praticamente 80% dos professores portugueses com idades em média, de 50 anos. Como há um sistema de quotas e aulas assistidas, mesmo que tire avaliação de muito bom, dificilmente passará , porque as quotas impõem por escola que em média passem apenas cerca de 33 por cento dos candidatos à subida de escalão. Daí que como o 4. Escalão tem uma permanência de 4 anos, é provável que só consiga transitar ao fim de 5 ou 6 anos na melhor das hipóteses. E a dar o máximo. A não ser que ande a "bajular" o Diretor ou se seja da confiança política do Presidente da Câmara, que neste sistema de progressão controla a escola à distância, a partir do seu gabinete, na maioria dos concelhos deste país, predominantemente em municípios de pequena e média dimensão do interior. Não me parece muito justo e a lei foi "bem feita" , feita à medida com o objetivo claro de destruir a carreira docente, para que a esmagadora maioria dos 100 mil professores, só consiga chegar ao 6 ou 7 escalão em 10, aos 66 anos e dois meses. E sim, os professores são avaliados e têm aulas assistidas, sendo que nos últimos anos têm pago a sua própria formação contínua, deslocando se dezenas ou centenas de quilómetros porque o Ministério da Educação deixou de promover essas ações ou realiza-as de forma esporádica. E é obrigatório os professores fazerem formação, o que eu até acho bem para progredirem. Esta é a verdade. O resto que se lê por aí é "romance". Apetece me dizer: "Galamba, vai estudar!"

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

POR ELA

RAUL TOMÉ
Não a tomes por adquirida. Não assumas dentro de ti a presunção de que ela é eterna, de que te vai correr no corpo e nas veias em fios infinitos como se fosse propriedade tua.

Não vivas pensando que ela nunca te irá abandonar, que estará sempre ali ao alcance da tua mão para saciar as tuas infindáveis sedes.

Não a destruas porque ela te destruirá de seguida, não a condenes nem a subjugues à tua vontade porque tu precisas dela para tudo, mas ela não precisa de ti para nada.

Não lhe barres caminhos, não lhe mudes a rota nem o destino e não lhe mates os filhos. Deixa-a respirar e encontrar no sal o mel que lhe adoça a vida.

Não a prives da companhia dos outros, dos que te são queridos nem dos que te são estranhos, porque se ela se der a todos, também a ti se dará.

E não to peço apenas por mim ou pelo povo de Viseu, peço-o por ela, pela Água que à custa do teu egoísmo desenfreado, desapareceu!

AS RELAÇÕES DESCARTÁVEIS OU O “AMOR LÍQUIDO”

ARTUR COIMBRA
As relações sociais, familiares ou simplesmente a dois, nos dias de hoje, estão em constante diluição, para não dizer em evolução negativa, na maioria dos casos. Pelo menos, para o que habitualmente se consideram padrões de normalidade ou de razoabilidade.

Obviamente, estamos em terrenos movediços de opinião e subjectividade, ou porventura no assomar de novos paradigmas de afectividade, ou de falta dela. O que terá também a ver com a idade, os ideais ou os sonhos de cada um.

O que se pode afirmar é que, nos dias que correm, as relações humanas são pouco mais que descartáveis. Uma espécie de serve, usa e deita fora, como uma chiclete.

Estamos num mundo em mudança, o que provém da evolução de uma certa sociedade e de uma certa cultura, que são as nossas, do ocidente ou do nosso país.

O casamento, por exemplo, durante séculos, contextualizou o relacionamento entre um casal e manteve uma imagem de duração, obviamente muitas vezes conseguida com sofrimento de uma das partes, normalmente a mulher, que se sacrificava em favor da chamada “estabilidade familiar” e sobretudo dos filhos. Muitas vezes, o matrimónio mantinha-se como mera fachada mas havia o esforço de lutar pela união de duas pessoas que se amavam, ou se amaram. 

A revolução sexual dos anos de 1960 e 1970 e a justa ascensão da mulher ao mundo do trabalho, da formação e do poder, foram factores que contribuíram para a visível mudança das relações. Para as uniões de facto, para o acentuado decréscimo da instituição matrimonial, para o questionamento do que antes se consideravam instituições seculares.

Obviamente, nos últimos anos, com a revolução tecnológica e a comunicação digital e a fragmentação dos comportamentos, tudo está em causa e a vida tem vindo a ser vivida com maior rapidez, com menor ligação emocional entre as pessoas. Com menos laços entre pessoas e grupos sociais.

Referência para a declaração do autor polaco, Zygmunt Bauman, que publicou um livro de culto, "Amor líquido", segundo o qual as relações humanas "estão cada vez mais flexíveis". 

Habituados como estamos ao mundo virtual, onde fácil é ter amigos e relações sem conexão com a realidade (basta atentar nos milhares de amigos que temos no Facebook e que não conhecemos física ou psiquicamente, conhecemos apenas o que eles querem mostrar), revelam-se mais complicados os compromissos duráveis. 

Os casamentos assim não resistem. À menor discussão, acaba-se um relacionamento que durou uma dezena de anos. Não há a menor capacidade de resiliência, de tolerância, de encaixe da adversidade.

O que antes era sacrifício para manter uma relação, hoje é absoluta disponibilidade para não aguentar a mínima contrariedade. Passou-se do oitenta para o oito. Qualquer motivo serve para acabar uma relação. Ou seja, a relação está ao sabor de qualquer coisa ou de coisa nenhuma.

Nada é feito para durar, nada tem solidez granítica, como as estátuas.

Como refere Zygmunt Bauman, “os afectos escorrem das nossas mãos por entre os dedos feitos água". 

Tudo é líquido, tudo é descartável, tudo é substituível por versões mais recentes. Os relacionamentos, os ideais, os sonhos, os projectos.

A realidade é cada vez mais virtual, diluída, inconsistente.

Há quem ache o máximo este tempo líquido. Mas as sociedades, claramente, solidificaram-se e evoluíram quando prosseguiram modelos duráveis que se traduziram em instituições e em tradições, transmitidas de geração em geração. 

Obviamente, mais saudáveis, quanto mais adaptadas a cada momento histórico!


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

INCLUSÃO DE ALUNOS COM NEE - REALIDADE OU UTOPIA?

MÁRCIA PINTO
A inclusão dos alunos com necessidades educativas especiais na escola regular traz benefícios, apesar de todas as dificuldades, e todos têm a ganhar com ela. As crianças ditas “normais”, as crianças com NEE, os pais, os professores e até mesmo a sociedade.

Contudo, é necessário fazer um levantamento das vantagens e desvantagens da inclusão. Os alunos com deficiências beneficiam ao terem como modelos os próprios colegas, a criança cresce e aprende a viver em ambientes integrados, aprende junto com os seus pares sem NEE, o que lhe proporciona aprendizagens similares e interações sociais adequadas.

Por outro lado, aos alunos que não têm deficiências permite-lhes perceber que todos somos diferentes e que as diferenças individuais devem ser respeitadas e aceites, têm também a oportunidade para participar e partilhar as aprendizagens.

A inclusão é assim importante para todos os alunos no sentido em que permite a compreensão e aceitação dos outros com todas as suas qualidades e defeitos, na aceitação das necessidades e competências dos colegas, no respeito por todas as pessoas de forma a construir uma sociedade mais solitária.

No entanto, muitas escolas não estão completamente preparadas para lidar com alunos com necessidades educativas especiais. É necessário que a escola possa não apenas inserir o aluno como também integrá-lo no meio social e cultural. No nosso sistema de ensino, o número de alunos com necessidades educativas especiais inseridos nas escolas tem vindo a aumentar.

Contudo, é necessário questionar de que forma essa integração é feita?! Têm apoio de um professor de educação especial? Quanto tempo? E quando não têm professor de apoio, quem assegura esse apoio, no caso de ser necessário apoio permanente?! E essa integração é feita em contexto de sala de aula, ou são retirados da sala? Existe efetivamente uma inclusão ou é mais uma lei onde o processo burocrático é mais importante do que a inclusão propriamente dita?! Eu, que já trabalhei nessa área tenho muita dificuldade em responder!

Assim, é muito importante que os professores; titular de turma, de educação especial, todos os técnicos que trabalham com as crianças com NEE, assumam um compromisso e trabalhem em permanente contacto para que a escola seja verdadeiramente inclusiva.

Desta forma, o professor titular da turma tem um papel de mediador para assim despertar, diante das necessidades dos alunos uma forma de contribuir para a identidade e para a formação escolar e social de cada criança. A escola não é apenas um espaço para a transmissão de conhecimentos e da socialização, como também para a construção da identidade do indivíduo.



MULHERES COM «M» GRANDE

RAQUEL EVANGELINA
“No meu tempo é que existiam mulheres!” Quantas vezes já nos deparamos com esta frase? Aliás, desafio qualquer mulher que esteja a ler esta crónica a contradizer-me de que nunca ninguém lhe disse isto ou algo parecido. Será a primeira que conheço. Mas afinal o que é ser mulher? Se for pelo raciocínio do antigamente será simplesmente uma mulher, maioritariamente iletrada, que desde miúda foi ensinada a tratar da casa, educada que apenas existe para servir o marido e colocar pessoas neste mundo. Isto sim era uma mulher. Fada do lar, recatada e sem opinião do que fazer da vida até porque quem manda em casa é o homem, que é ele o ganha-pão.

As mulheres hoje em dia são o diabo. Querem igualdade, querem emancipar-se, algumas não querem casar e, pior, o horror dos horrores, há aquelas que nem sequer querem ter filhos. Pobrezinhas, tão egoístas que elas são! Batem o pé quando a opinião não é respeitada, porque sim têm uma palavra a dar. E são capazes de deixar o marido caso ele lhes bata, as hereges! Já não há nada como antigamente em que se levassem porrada calavam porque o marido tem sempre razão. Mesmo que não tenha. Obviamente que já perceberam que sou irónica e que também faço parte deste grupo de mulheres em quem o diabo encarnou.

E falando de mim, já que cada um sabe de si, pergunto: Serei eu assim tão má porque não vou à missa ao Domingo? Então e se eu até ajudar instituições e quem mais precisa? E se eu não andar a falar do que não sei? Se eu for tolerante a todas as raças e orientações sexuais e tratar o meu semelhante com todo o respeito? Não sou eu uma boa cristã? Não estou eu a amar o próximo como a religião em que me educaram ensina? Não interessa. Não vou à missa. Uma mulher que se preze até pode infernizar a vida dos outros mas desde que vá à missa todos os domingos, e se comungar de mãos no peito ainda melhor, é que é.

Outra parte que me faz um bocado de espécie é o casamento. “Ah e tal, o casamento antigamente durava porque existia amor!” Meus amigos o amor existia antigamente tanto como existe agora. E a falta de amor que existe hoje em dia também é igual a antigamente. Não me digam que era o amor que sustentavam os casamentos da vossa época. Agora que me digam que antigamente as mulheres tinham medo de deixar o marido aí acredito. Quantos e quantos não estão casados até hoje, mesmo sofrendo de violência e sabendo da infidelidade do cônjuge (ambos os exemplos são válidos pra os dois lados) só para manter as aparências? Imagino o quanto devesse custar para uma mulher que não sabe fazer mais nada que tratar da casa e dos filhos (e já não é pouco) ficar sem marido que sustente financeiramente a vida. Já para não falar das represálias que sofreria, os olhares de lado, por ser uma mulher divorciada, separada, o que quer que seja. E sim muita gente que iria falar dela era a mesma que ia todos os domingos à missa (Mas não vou mais bater nesta tecla!) Não seria melhor cada um ir para o seu lado? Também não estou a dizer que se deva desistir ao primeiro contratempo que surja entre os dois. Mas se não houver respeito não será melhor cada um seguir a sua vida? E sim, traição e violência são faltas de respeito. E não me venham dizer que foi uma vez sem exemplo. Quem bate uma vez bate mais. Ah, e sim, quem trai também. E não, a culpa não é da mulher/homem que estava de fora. Que eu saiba se um não quer dois não dançam. Eu não sou casada. Não tenho planos de o ser. Se acontecer foi porque a vida assim o quis. Mas nos meus relacionamentos respeito a pessoa que tenho ao lado e espero nada mais nada menos que o mesmo respeito. Não desisto à primeira mas quando há desrespeito não há volta a dar. Só se não souber. Até porque não entendo como se pode estar ao lado de alguém em que não se confia.

E já nem vou falar de filhos. O que é que há com as pessoas que quando sabem que estamos na faixa dos 30 começam a perguntar: “Então e bebés? Sabes que estás a entrar numa fase que depois fica complicado engravidar, depois já não tens paciência para uma criança como terias agora e blá blá blá…” Quando lhes respondo que não tenho grandes intenções algumas desvalorizam e dizem: “ Oh ainda não despertou o instinto!”. Se isto é de instinto o meu ainda é mais atrasado que eu. E depois há aqueles que me conseguem irritar com: “Tu és tola! Toda a mulher, repito TODA A MULHER, quer ser mãe. É a melhor coisa do mundo! És uma egoísta!”. O que até me faz rir em parte tendo em conta que dos vários defeitos que tenho egoísmo nem é um dos meus mas tudo bem. Respeito a opção de cada um. Mas assim como respeito aquelas mulheres que desejam com todas as forças poder gerar um ser também respeito as que não querem. E não, não acho que haja nada de errado com elas. Não são egoístas e muito menos ET’s como a cara de certas pessoas a olhar para elas poderia levantar suspeitas.

E a minha parte preferida a vida profissional. Atualmente já é aceitável que uma mulher trabalhe. Aliás é praticamente insustentável uma casa conseguir sobreviver com apenas o rendimento de uma pessoa. O problema é que as mulheres ou arranjam um trabalho de segunda à sexta das 9 às 17h ou está tudo arruinado. Porque quem é que vai tratar da casa? É preciso fazer o jantar para o marido que chega cansado do trabalho. É preciso passar a ferro, tratar dos miúdos, limpar a casa. Ou seja, temos que ser mulheres-a-dias e ainda ter um part-time para trazer dinheiro para casa. E depois se somos mais ambiciosas profissionalmente pior. Dedicamos imenso tempo aos estudos quando podíamos estar a aprender costura ou a cozinhar. Trabalhamos em turnos malucos, horas extraordinárias e depois como não temos tempo para tudo somos umas desleixadas. Até podemos ter um emprego de loucos mas se não sabemos cozinhar ou não dedicamos o pouco tempo livre que nos resta à casa ouvimos comentários do género: “Olha para aquela. Que sorna! Não faz nada, não sabe fazer nada. Pobre do homem que a levar.” Pois é, pobre do homem que levar uma diretora, uma enfermeira, uma jornalista, uma mulher dedicada à vida profissional para casa. Vai ter que de vez em quando sujeitar-se a ter de ir comer fora com ela ou a comer um bife com batata frita em vez de um arroz de marisco porque a parva para além de não fazer nada não sabe cozinhar. Obviamente que eu também faço parte deste rol. E não tenho qualquer problema com isso.

Isto é portanto uma ode às mulheres de hoje. Se até agora critiquei saibam que foi tudo em tom de ironia. Não, as mulheres de antigamente não eram! As de hoje sim. São mulheres. Estou rodeada delas. Tenho amigas e familiares que são grandes exemplos. Uma está casada há 10 anos sem filhos, outra vai ser mãe e não é casada. Tenho uma amiga que superou um cancro e uma perda no mesmo mês. Outra que não desistiu do curso e apenas o exerce ao sábado quando tem folga da outra vida profissional pela qual envergou. Há aquela que está feliz no segundo casamento e as outras que perceberam estar mais felizes sozinhas, não por não amarem quem tinham ao lado mas por se amarem mais a elas. Cada uma delas fez as suas escolhas. Cada uma delas é livre para escolher a forma que as faz mais feliz. Eu não sou a mulher mais indicada para cuidar de uma casa, principalmente naquela área que chamamos de cozinha, mas podem ter a certeza que sou bastante desenrascada em outras coisas. Cada uma de nós é uma grande mulher. Tanto é aquela que se dedica à casa como a que está mais preocupada em conseguir subir na empresa. Tanto é a que quer ter filhos como a que distribui o seu amor pelos filhos das amigas e não vê necessidade de deixar descendência. Sim tu és uma mulher com M grande. És-lo porque és casada com o amor da tua vida mas também o és porque tiveste coragem de te separar quando ele te bateu a primeira vez. És uma grande mulher por teres criado os teus filhos sozinha, por teres coragem de embarcar no que é a odisseia de trazer um novo ser a este mundo. Mas também o és por teres a garra suficiente de dizeres que não queres, não tens essa prioridade, estás mais focada em outras coisas. É normal. É a tua escolha. E sim és uma grande mulher por conseguires ter sempre a casa impecável e cozinhar pratos de comer e chorar por mais. Mas não deixas de o ser se só sabes fazer sopa e estrelar um ovo. És uma grande mulher porque descobriste uma forma de combater o cancro. E és uma grande mulher porque sabes coser as meias do marido. És uma grande mulher se quiseres ser dedicada apenas à casa e à família mas não deixas de o ser se és dedicada ao trabalho, fazes horas extraordinárias e mesmo assim ainda tiveres espaço para te dedicares a uma vida familiar. Sim. És uma mulher com M grande. Porque essas mulheres são as que arriscam a viver das suas escolhas. Mesmo que essas não sejam as impostas pela sociedade.

A MASSAGEM NO DESPORTO

ELISABETE RIBEIRO
A massagem é definida como uma das mais novas formas de terapia física e é conhecida como tendo sido utilizada por diferentes culturas ao longo de três mil anos. Enquanto as civilizações não conseguiram comunicar, as diferentes maneiras de massajar não puderam desenvolver-se. Com a vulgarização das viagens e modos de contacto, os povos encetaram convívios proveitosos e trocaram conhecimentos que evoluíram em tratamentos e técnicas diversas para darem resposta às diversas mazelas provenientes do desporto... e não só.

Em todos os tipos de massagem, o terapeuta centra a sua atenção nas necessidades individuais do atleta. O aumento do número de praticantes, aliado ao incremento da competitividade e intensidade do exercício, contribuiu para elevar o estatuto da massagem, agora, mais do que nunca, reconhecida como um meio privilegiado de recuperação. A massagem desportiva deve ter pontos em comum com outros tipos de tratamento dentro do âmbito da massagem e é muito importante acumular grande conhecimento de anatomia e fisiologia, em particular, os sistemas muscular e esquelético. Ao compreender-se estes sistemas e os efeitos do exercício, pode apreciar-se como a massagem beneficia o atleta e se toma parte integral do programa de treino.
Contra indicações

A massagem desportiva é desaconselhada em diversas situações, quando o prejuízo se sobrepõe ao benefício. Por isso, os atletas devem evitar a massagem quando se verificarem os seguintes casos:

• Temperatura do corpo superior a 38 graus ou mal-estar do atleta.
• Existência de traumas, feridas abertas, contusões recentes, roturas musculares, entorses, frieiras e queimaduras .
• Tumores.
• Doenças circulatórias (veias varicosas, flebites, tromboses).
• Cancro
• Melanoma
• Hemofilia
• Doenças de pele infecciosas (infecções bacteriológicas,de fungos,virais e herpes).
• Reacção adversa ao tratamento.
• Situação que recomende conselho médico.
• Diabetes (a massagem tem o mesmo efeito que o exercício nos níveis de açúcar do sangue. Por isso, é necessária medicação apropriada).
Benefícios

A massagem desportiva bem aplicada é o método mais eficaz para resolver problemas de tensão muscular e restabelecer o equilíbrio do sistema músculo esquelético.

Se for utilizada regularmente, ajuda os atletas e prevenir lesões, cuja origem pode estar relacionada com a sobrecarga de treino. Um programa mais intenso prejudica os músculos, assim como articulações, ligamentos e tendões.

Os desequilíbrios musculares podem desenvolver-se e, sem diagnóstico preciso, atingir um estádio grave, capaz de causar desconforto ou impedir o desempenho desportivo. Um massagista experimentado consegue detectar variações nos tecidos mais finos. A utilização de técnicas correctas ajuda a manter um estado físico saudável.

Fonte: Revista Atletismo

terça-feira, 14 de novembro de 2017

MINISTRO DA EDUCAÇÃO INTERNADO SOB INVESTIGAÇÃO MÉDICA

TIAGO BRANDÃO RODRIGUES
O ministro da Educação vai faltar à audição parlamentar de discussão na especialidade do Orçamento do Estado, prevista para quarta-feira, por razões de saúde. Tiago Brandão Rodrigues foi internado por tempo ainda indeterminado, disse à Lusa fonte oficial. 

Segundo a mesma fonte, Tiago Brandão Rodrigues foi internado na manhã desta terça-feira numa unidade do Serviço Nacional de Saúde em Lisboa, com o diagnóstico de síndrome vestibular aguda. Esta patologia resulta de uma perturbação no funcionamento do vestíbulo, um “importante órgão do ouvido interno, responsável pelo equilíbrio do corpo”, explicou ao PÚBLICO o médico Artur Condé, presidente do colégio de otorrino da Ordem dos Médicos. Este diagnóstico, que pode estar associado a “variadíssimas causas”, provoca tonturas, vertigens, náuseas e vómitos. 

O governante cancelou a agenda prevista para esta terça-feira e vai ficar sob vigilância e investigação médica nos próximos dias. 

A audição do ministro da Educação coincidia com uma greve e manifestação junto do Parlamento, convocadas pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) e pela Federação Nacional da Educação (FNE) e outros sindicatos.

Fonte: Jornal Público

DE CIMA DO SICÓMORO - CONFIDÊNCIAS

REGINA SARDOEIRA
Deixem-me interromper a vossa conversa pérfida, esses arroubos insensatos de insensata sapiência, porque há tempos que vos oiço daqui, desta casa de árvore de cuja existência nunca suspeitastes e há tempos que as lágrimas me escorrem pelo rosto sem razão aparente, mas correndo apesar de tudo. Ter-me-ei tornado um rio, uma torrente? Nada sei dessas significações que vos suportam o ócio, apenas sei que, ao ouvir-vos, me veio uma inefável tristeza que imediatamente pendurei num sorriso mas que por nada deste mundo aceitou tal condição; e foi assim que uma primeira lágrima embaciou o meu olhar até há pouco duro e as outras vieram como se nada mais pudese travá-las. Digam-me, ó homens circunspectos que falais para dentro de vós sem pensardes nunca no outro, que teceis um monólogo a que talvez outros ousem chamar diálogo, dizei-me ó vós que tudo pareceis saber e que nada pareceis querer partilhar, o que hei-de fazer para abandonar este sicómoro, onde me refugiei para não sentir, onde fiz com que aterrassem todos os meus sonhos e onde pensei ter encontrado a paz? Em tempos achei que havia conforto neste céu de ramagens exóticas e que a luz coada do sol no céu estremunhado seria capaz de saciar-me todas as fomes. Mas foi ele próprio, esse sol nem sempre pálido, quase sempre mordente como um golpe de faca, foi ele na sua real soberania sobre a terra e sobre os seres que me mostrou – já era noite – que outro ser, vizinho meu que eu nunca soube, ali viera procurar, não a mim, decerto, mas a outrem que dele fugira e de quem ele fugira, e depois viu-me e eu deixei que ele me visse e tudo ruiu no meu mundo construído no mais secreto dos santuários profanos… Ah, senhores de chapéu que agora vos abanais no rigor desta hora escaldante, que agora vos calastes como se a minha voz pudesse ser audível – eu falo para dentro do vosso coração – dizei-me se puderdes (porque eu não sei se alguém pode) como aguentar o rigor deste sonho que ousei trazer para o mundo real para o verter de novo em sonho e fuga, como aguentar suster-me no seio desta divisão e sobreviver à insídia da dúvida? Agarrai-me, peço-vos, a árvore verga ao peso insuportável da tortura que sou e é um velho sicómoro das florestas tropicais habituado ao peso, erigido em fortes raízes.

☆☆☆ 

Não, caro amigo, bem vejo que não me entendeu. Eu não quis dizer-lhe que os homens são incapazes de amar, não quis negar em absoluto a possibilidade de um lídimo sentimento de amor… Pedi ajuda a Camus… e daí? Se sou um desesperado…? Claro, é isso… sou, confesso! Não acredito que se deitem no chão por mim, não creio que alguém o tenha feito ou possa vir a fazê-lo… Fala-me dos pais?… Da mãe, principalmente? Sim, claro, desse modo usamos conceptualizar um tal amor… mas oiça - e deixe lá passar o cinismo: não lhe parece que os homens ainda fazem filhos pela pior das razões? Por aquela que, exactamente, nada tem a ver com o futuro indivíduo mas ainda e só com o acto…não, não franza a testa desse modo, nem se agite tanto na cadeira… sabe, o acto sexual é o propulsor da paternidade e, bem o sabe, não meta a cabeça na areia! não há, nesses momentos, qualquer sombra de filantropia… ou de altruísmo… e chama a isso amor? Chama?! Bem sei, quando o praticamos (ah como eu detesto usar esta palavra neste contexto!) dizemos, repare bem, dizemos : FAZER AMOR! E eu ponho-me a pensar se isso é coisa que se faça, se é mesmo uma acção, uma espécie de exercício de estilo ou… ri-se? Porque será que estes assuntos desencadeiam, inevitavelmete, o riso? Pensando bem trata-se do mais risível dos actos humanos… quando não somos nós os envolvidos! Ora visione! Bem, pela sua atitude, vejo que entendeu onde quero chegar… Agora repare: desse acto hediondo nasce uma criança, que durante anos não suspeita sequer do que a fez vir a este mundo… e, mesmo quando finalmente descobre, tem dificuldade em imaginar os contornos da cena que a originaram… Estou a ir longe demais? Ofendo-o? Meu caro amigo, a realidade é brutal e nós obstinamo-nos em suavizá-la com metáforas líricas… Sabe, às vezes penso que os filhos nos abandonam exactamente porque deixam de suportar a imagem atroz dos pais que os fizeram… no momento em que os faziam! Não é isso? talvez não seja, de facto, mas quanto a mim, digo-lhe, francamente: fazer amor não tem nada a ver com amor, é uma selvajaria, uma guerra! Dois seres enovelam-se, esperneiam, gritam, esfalfam-se, agonizantes, como se estivessem às portas da morte, massacram-se abominavelmente…Pronto, calo-me, decerto não tenho o direito de ferir a sua susceptibilidade… mas… pense bem caro amigo, pense… verá que um dia… quem sabe? Compreenderá… 

☆☆☆ 

Enquanto passeamos por esta alameda e não nos perturbam quaisquer inquietações, como se vivessemos um pequeno momento subtraído ao tempo – e, suponho que concordará, são raros estes hiatos na era actual! – deixe-me confidenciar-lhe alguns dos meus pensamentos mais recentes… não gosta de confidências? Pareceu-me sentir um frémito de desapontamento no desenho dos seus ombros… enganei-me? Mas é claro, todo o nosso corpo fala, porque não haveriam, os ombros de dizer, também eles, qualquer coisa? Então aceita a confidência? Repare, eu compreendo-o, as confidências podem constituir-se em peso para quem as recebe, funcionamos como uma espécie de saco de lixo… ah, agora encarou-me …e até parou… porquê? Repugna-o que lhe fale em lixo? Mas olhe, não fique perturbado, em geral os pensamentos que alijámos de nós não são o melhor que temos… Continuemos então o nosso passeio. Observe o desenho da avenida, veja como a simetria monotoniza a paisagem… ah, o homem, e esta tendência para o ângulo recto! Agrada-lhe o ângulo recto? Bem, claro, há gostos para tudo…quanto a mim, prefiro, acima de todas as figuras, o círculo! Essa confinação de pontos em que o fim toca sempre o princípio e o princípio remete inexoravelmente para o fim… a confidência?! Ah, bem vejo que não se esqueceu… e, afinal, quer saber os meus segredos! Já reparou como somos ávidos do íntimo dos outros? Até há pouco sentia-se aflito com a simples ideia de uma confidência minha e agora já se inquieta porque eu divago… Ainda temos tempo, não olhe o relógio com essa preocupação… não lhe dizia eu há pouco que vivemos um hiato subtraído à angústia do passar irremessível do tempo? Aliás… será que passou, de facto, algum tempo? Ah, o relógio, bem sei, ele tem um pequeno mecanismo que ilude o vazio… o seu relógio diz-lhe que faltam cinco minutos para o comboio? Viremos então, nesta esquina… eis a estação… estuguemos o passo… não vê que se perder este comboio terá que pernoitar na cidade? ☆☆☆ "Nunca teve uma súbita necessidade de simpatia, de auxílio, de amizade? Eu aprendi a contentar-me com a simpatia. Encontra-se mais facilmente e depois não nos impõe nenhum compromisso. «Creia na minha simpatia» no discurso interior precede imediatamente, «e agora ocupemo-nos de outra coisa». é um sentimento de Presidente do Conselho, obtém-se muito barato, depois das catástrofes. A amizade é menos simples. A sua aquisição é longa e difícil, mas quando se obtém já não há meio de nos desembaraçarmos dela, temos de lhe fazer frente. Sobretudo não acredite que os seus amigos lhe telefonarão como deviam, para saber se não é precisamente essa a noite em que decidiu suicidar-se, ou muito simplesmente, se não tem necessidade de companhia, se não está com vontade de sair. Oh não, se telefonarem ,esteja descansado será na noite em que já não está só e em que a vida é bela. Quanto ao suicídio, a isso de preferência o empurrariam, em virtude dos deveres para consigo próprio, segundo eles. (…) Sabe, ouvi falar de um homem cujo amigo tinha sido preso e que todas as noites se deitava no chão do seu quarto para não gozar de um conforto de que havia sido privado aquele que ele amava. Quem, meu caro senhor, quem se deitará no chão por nós? Se eu próprio seria capaz? Escute, gostaria de sê-lo, sê-lo-ei, seremos todos capazes, um dia, e será a salvação.Mas não é fácil porque a amizade é distraída, ou, pelo menos, impotente. (…) É assim o homem, caro senhor, tem duas faces, não pode amar sem se amar…" Porque lhe fiz esta citação de A Queda de Camus? Mas é óbvio, não percebe? É por causa destas terríveis distracções, deste vivermos voltados de costas uns para os outros, imersos na contemplação do próprio e, quantas vezes, profundo umbigo, que nada de grandioso pode suceder entre os homens… Vejo que abana a cabeça, encontrei um idealista! Viva! Folgo em saber que ainda o enleiam esperanças… o mundo pode ainda erguer-se, os estandartes da ventura flutuam aqui e ali… Mas olhe, hoje sou eu que cedo a um infinito cansaço… vou apanhar este comboio, aproveitarei para me debruçar no meu próprio silêncio…e tenho a certeza que um belo dia irá perceber as minhas razões. Estranho,sabe? Não contava encontrá-lo neste lugar, decididamente ainda me reserva surpresas, muito embora nos conheçamos há anos… mas será que conhecemos? não, não me importo, fume à vontade! Afinal quem sou eu para ousar restringir-lhe a liberdade? Ah, ainda se lembra da nossa última conversa? E quer que finalmente lhe revele a minha confidência? Pois bem, é simples! Mas venha daí, o cheiro a cerveja começa a nausear-me e, se reparar bem, uma nesga de azul prenuncia uma aberta… por isso, e uma vez que já não vai beber mais, que me diz a passearmos um pouco?… Agora fez-me rir com esse bocejo… já percebi uma ponta de tédio no seu ar sonolento… tanto mellhor se se deixar inebriar pelo ar fresco… Viu? Concorda comigo: não há nada como deixar o corpo em plena liberdade… é o sinal para o cérebro começar a engendrar pensamentos… Soube que viajou para o estrangeiro, percebi a sua ausência nos lugares habituais…Paris? Claro, Paris… oh la,la ! Bem, percebo-o, não franza desse jeito as sobrancelhas, eu vou dizer-lhe. Sou um homem vivido como sabe, entrei há pouco na quarta década da minha existência, vi e senti demasiado e o que é pior sofri toda a gama de decepções…Não, não pare e, por favor, não me olhe assim… bem vejo que é mais jovem… ainda acredita, perpassam-lhe, no desenho do rosto, no lume dos olhos todas as expectativas…Se tenho expectativas… eu? Tive, caro amigo, toda a vida me alimentei delas, toda a vida depositei no ser humano a mais genuína das confianças… mas um dia, um daqueles dias em que a lucidez parece acometer-nos numa explosão súbita… ah, vejo que conhece essa sensação de inebriante clarividência… pois foi assim mesmo: abri os olhos, lancei-os para trás de mim e só encontrei despojos… quer mesmo saber o que decidi fazer daí em diante? Ah, ainda bem que concorda comigo quanto ao itinerário a seguir… não vê que, decididamente, o sol abriu toda a carapaça das nuvens? Não, não me esqueço do que estava a ponto de confidenciar-lhe… mas repare, o que vou dizer-lhe é a síntese de uma tragédia… Acontece que não posso, nunca poderei criar laços seja com quem for, não acredito nas ligações, deixei de esperar… há pouco tempo ainda – um mês…quem sabe? – parecia-me possível enamorar-me, acreditava que o encantamento poderia muito bem ser o prenúncio de uma relação sólida… mas, bruscamente, como se tivesse levado um soco no âmago de mim percebi que tudo é embuste… Qual encantamento! Sensações epidérmicas, uns arrebatamentos e eis tudo o que pode esperar-se! Ah, está cansado! Bem vejo que arrasta os pés e que a sua respiração se tornou arfante… como queira, paremos aqui! Apesar do cansaço, não quer ir embora ainda… muito bem, dir-lhe-ei tudo em poucas palavras: em vez de ceder à magia do enfeitiçamento que mais não é que a explosão dos sentidos, em vez de me deixar arrebatar pelo poder das sensações futuras, antevendo a felicidade, o paraíso, termino tudo ao primeiro fulgor… que me diz? Não diz nada? Considera-me cínico? seja, aceito o epíteto mas espero que possa entrever as vantagens de uma tal postura: não sofro, não faço sofrer, e, o que me apraz sobremaneira, não uso os outros, não os amarro a mim… 

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Ainda temos tempo, não olhe o relógio com essa preocupação… não lhe dizia eu há pouco que vivemos um hiato subtraído à angústia do passar irremessível do tempo? Aliás… será que passou, de facto, algum tempo? Ah, o relógio, bem sei, ele tem um pequeno mecanismo que ilude o vazio… o seu relógio diz-lhe que faltam cinco minutos para o comboio? Viremos então, nesta esquina… eis a estação… estuguemos o passo… não vê que se perder este comboio terá que pernoitar na cidade? 

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DIA MUNDIAL DA DIABETES/ PÉ DIABÉTICO

FÁTIMA LOPES CARVALHO
“PÉ DIABÉTICO” é a situação de infeção ulceração e/ou ulceração e/ou destruição de tecidos profundos associados com anormalidades neurológicas e vários graus de doença vascular periférica no membro inferior. 

Portugal regista uma das mais elevadas taxas de prevalência da Diabetes, com mais de um milhão de indivíduos afetados. A taxa média Norte é de 3,4/100.000habitantes.

De acordo com o Observatório Nacional da Diabetes, o dia 14 de Novembro passou a ser considerado um Dia das Nações Unidas a ser observado todos os anos a partir de 2007 numa perspetiva de travar o crescimento da pandemia de Diabetes.

COMO SE MANIFESTA A DIABETES NOS PÉS?

A pele e as unhas dos pés, recebem significativa influência do sistema vascular que apresenta uma extensa ramificação nervosa e é responsável pela sensibilidade do pé e dos membros inferiores, estes encontram-se na periferia do sistema circulatório e por isso sofrem mais com qualquer obstrução da corrente sanguínea, ou lesão de pequenas terminações nervosas portanto perante a diabetes perdem a sensibilidade e os doentes deixam de sentir os pés, o que significa que podem por exemplo; caminhar todo o dia com um objeto estranho dentro dos sapatos e não sentem esse mesmo objeto; ou a costura da meia provocar lesão e posteriormente aparece uma ferida que pode infetar e dá-se o flagelo; a amputação.

CONSELHOS PODOLÓGICOS:

· Manter os níveis de açúcar no sangue controlados.

· Não Fumar.

· Evitar caminhar descalço dentro ou fora de casa e calçar sapatos com meias. Os sapatos devem ser limpos e inspecionados no seu interior.

· Deve trocar de meias diariamente.

· Higiene diária dos pés, incluindo áreas entre os dedos. Deve utilizar água com temperatura sempre inferior a 37ºC.

· Não deve cortar as unhas deve sim limá-las retas.

· Agentes químicos ou emplastros não devem ser utilizados para remover calos.

· Utilizar calçado adequado adaptado as alterações biomecânicas, amplo, sem costuras e confortável.

· Deve comprar sapatos sempre ao final do dia.

· Se o sapato estiver apertado devido a deformações ou se existirem sinais de sobrecarga do pé deve consultar um Podologista (www.centroclinicodope.pt), para ser efetuada avaliação biomecânica do pé e tratamento Ortopodológico através da aplicação de ortóteses digitais e/ou plantares.

· Tratar das calosidades ou outras alterações dérmicas com um Podologista.

Nesta vertente é de salientar que a Direção Geral da Saúde recomenda desde 2011 a existência de um profissional de saúde – PODOLOGISTA na equipa de saúde nas consultas a todos os níveis.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

ODONTOFOBIA – O MEDO DE IR AO DENTISTA

INÊS MAGALHÃES
O ser humano quando nasce não possui qualquer tipo de crença ou preconceito, estes são-lhes incutidos por aqueles que o educam a fim de se tornar uma pessoa independente. Os hábitos e costumes daqueles cuja criança tem como referência vão sendo assimilados por ela de forma gradual e ao longo de todo o seu desenvolvimento.

Deste modo, os hábitos de higiene oral e o medo/fobia de ir ao dentista também acabam por ser transmitidos, ainda que de forma inconsciente, de educadores para educando. Por muito que os pais insistam com os filhos para que estes escovem os dentes e que têm de ir ao dentista de forma regular, se estes também não o fizerem as crianças vão tomar o seu exemplo e também não o vão fazer.

A ideia de que o dentista é um “bicho-papão” é praticamente inconcebível na época em que vivemos. Quer as técnicas utilizadas, a própria formação científica diferenciada e sempre em constante atualização e mesmo o próprio ambiente no consultório, fazem da experiência no dentista algo positivo e não negativo, como acontecia no passado.

Hoje em dia, o desenvolvimento da odontopediatria (área da medicina dentária diferenciada para o tratamento da saúde oral infantil) permite que a criança entre num consultório descontraído e decorado para a sua faixa etária, onde os tratamentos aí realizados serão feitos com técnicas próprias. Assim, as crianças relembram sempre o dentista como algo positivo e a repetir. Contudo, crenças negativas dos pais devem ser evitadas ao máximo para que a criança possa construir a sua opinião pessoal e não baseada naquilo que ouviu e “pensa sentir”.

É importante que a odontofobia seja combatida, pois tal favorece um agravamento da saúde oral, o que resulta em tratamentos dentários mais complicados, não necessariamente dolorosos, mas que levam o indivíduo a temer cada vez mais a ida ao dentista.

Atualmente 99,9% dos problemas dentários têm solução e cabe ao dentista transmitir ao paciente a confiança que este necessita para levar a termo os tratamentos e combater esta sua ansiedade/medo.

Como uma boa saúde geral implica, também, a existência de uma boa saúde oral, é imprescindível que o termo odontofobia seja extinto do nosso vocabulário.

EU TENHO FÉ EM DEUS

RITA TEIXEIRA
O meu lema de vida é: "A vida é bela, mesmo com E.L.A." Vivo intensamente o presente no silêncio da solidão. Quando todos vibram com a chegada do fim da semana, eu naufrago numa tristeza dolorosa, porque entro em casa, sexta feira às 19h e apenas saio segunda feira, às 17h. Não fico apática. Não, nem pensar. Sonho e sonho a toda a hora. Não faço viagens ao futuro. Já as fiz. As perspectivas eram simples, mas as desilusões foram amargas. Outro lema da minha vida: "vivo a sonhar, sonho para viver! "
Quando me sinto em baixo , abro o baú das memórias e recolho as experiências que me enriqueceram, enquanto pessoa que sou hoje. São as recordações de batalhas perdidas e vencidas que me dão alento para seguir em frente a minha jornada. Acredito que nada acontece por acaso e que o caminho para a felicidade passa por duras etapas. Depois de tantas quedas, continuo firme, inabalável, porque a minha fé proclama que Deus é que me sustenta. Sou uma guerreira vencedora e tenho muito orgulho em mim.

Esta música de Maria Lisboa é dedicada pelo editor da revista à sua cronista guerreira, Rita Teixeira.

NÃO TENHO TEMPO

NUNO ANDRÉ
Acredito que esta expressão seja familiar aos nossos ouvidos quer seja porque regularmente a dizemos ou porque constantemente a ouvimos. Pelo caminho fica um convite, um momento, uma oportunidade. No fundo quem diz: "Não tenho tempo" adia nada mais que um pouco de si. Pela sua natureza corpórea, a Humanidade tem o tempo como parte integrante da sua existência. É pessoal, dinâmico, gerido autonomamente e assenta numa base de liberdade. É um pedaço de nós que dizemos faltar e que fica de parte, quando fingimos que não é nada connosco. Talvez seja cobardia dos fracos, pensar que não têm tempo para nada ou ousadia dos heróis, que o dão sem medo de o perder. Aquele que dá o seu tempo aos outros dá-se a si mesmo! Se me falta tempo, talvez seja eu que estou em falta... 

Cada minuto que "perdemos" com alguém que amamos é tempo que oferecemos e como desse alguém também o recebemos, podemos dizer que apenas o trocámos. São momentos mágicos e de amor onde o instante se torna eterno porque de mãos dadas com o tempo anda o amor. Ai de mim se não for capaz de amar! Ai de mim se não for capaz de me entregar! Só não tem tempo quem está morto e "morto" está, aquele que no seu egoísmo não tem coragem de dar um pouco mais. Em vez das trocas de prendas que estamos a pensar fazer este Natal, que tal trocas de tempo? De que serve oferecer um embrulho a alguém se ao longo do ano não somos capazes de o visitar ou de passar com ela um momento? Trocar euros por minutos... minutos da nossa presença. Basta de marcar presença de forma virtual, redutora e enganadora. No livro "O Principezinho" aprendemos que: “foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez dela uma rosa especial e diferente de todas as outras rosas."

domingo, 12 de novembro de 2017

INEXISTÊNCIA

MIGUEL GOMES
A tarde vai-se cedo para que a noite de inverno, ainda que outonal, traga a matiz oblíqua do distante astro e me faça perder uns segundos a apreciar as partículas de pó que volitam no vazio, cada vez mais vazio, que permeia o que sou e o que me rodeia. No nada, há espaço para mais algum inexistente?

Antes de subir o ocupar o espaço, um pouco como se me deslocasse por entre um fluído que se torna mais espesso à medida que envelhecemos, ou a paciência se nos esgota, vejo a mesma sombra de outrora, agora mais senhora de si, encostada às paredes velhas da oficina velha, aos meus olhos talvez sombrios, por isso velhos. 

Nas mãos, depois de as sacudir sobra o cheiro a verniz, os dedos algo sujos percorrem algumas teclas cegas e gastas, as mesmas que mais primo quando digito. Será que temos partes igualmente gastas, nos locais onde a vida nos prime?

O Outono espreguiça as nocturnidades e obriga a luz adormecida a acordar cada vez mais cedo. Cá entre nós, nada disto incomoda, apenas o divagar me deixa um pouco inquietado pela tendência borboleteadora do meu pensamento, mas como poderei manter uma sequência lógica quando ao meu lado direito, sobre um velho pano de cozinha com padrões desusados e cores desnudadas estende-se o sabor ameno de um chã quente na cerâmica vidrada de uma caneca, cuja peculiaridade é ter uma seta no sentido ascendente, não fosse eu esquecer-me onde colocar os lábios gretados. Mas, como referi, nada disto apoquenta até porque não vou ler isto. Nem tu.

Tiro a gorjeta do bolso, logo pago eu as castanhas. O ritual repete-se, tenha eu 11 ou 41 anos, depois de um dia de trabalho a lazer que se compacta em duas ou três horas, entre embrulhar (ou encelofanar), carregar, acomodar e proteger, rir e praguejar não necessariamente nesta ordem, percorrer uns quantos metros que converto em quilómetros para a distância parecer menor, passar em terras cujo nome não decoro para me deliciar mais tarde, quando vir novamente as placas na estrada, com a estranha nomenclatura atribuída ao lugar ou freguesia.

Para trás ficaram os olhares dos esplanadeiros do café, o sorriso desdentado da senhora que me saúda e se desculpa “se tivesse saúde ajudava-o a levar isso”, o ingrime carreiro e o suor escorrido, as lentes embacias, a roupa colada ao corpo. Ficaram ainda a trindade menina senhora avó mais nova que eu, o pequeno que espreita por detrás das próprias mãos “já acabou o barulho?”, o chão deformado e os pequenos e brincalhões gatos que teimam em subir-me pelas pernas acima, agarrados com aquelas afiadas agulhetas a que chamam garras. O caminho mostra-me uma velha casa de pedra, um espigueiro que cobiço e meço mentalmente, caberei eu lá? 



Por entre folhagem ocre de um incêndio, uma senhora sorridente carrega uma criança que parece apontar para as cinco ovelhas pintalgadas que pastam no verde socalco abaixo, alheias ao mundo, talvez porque saibam que até este se carrega já cansado, por nós moribundo.

SEXTING: O NAMORO E O SEXO VIRTUAL

MOREIRA DA SILVA
Com o avanço tecnológico verificou-se um aumento das múltiplas formas de namoro à distância, aliás como já se tinha verificado com as mensagens de textos sexualmente sugestivas e explícitas enviadas pelos telemóveis. Na atualidade é a divulgação de imagens pessoais de fotografias e vídeos de conteúdo sensual, erótico ou mesmo de sexo explícito.

Para a definição desta nova forma de namorar à distância, já existe o anglicismo “Sexting”, que resulta das palavras “sex” (sexo) e “texting” (envio de mensagens) e nasceu num artigo de uma revista australiana. Esta prática foi criada à volta de 2005, pelos jovens e adolescentes norte-americanos, mas expandiu-se rapidamente para todo o mundo, porque os meios necessários para a sua utilização são de fácil acesso, como é a internet, as câmaras fotográficas digitais, as câmaras de vídeo de baixo custo e os telemóveis da nova geração.

Depois de terem enviado pelo mundo virtual uma fotografia ou um vídeo não se consegue mais controlar o seu uso e divulgação, pois propaga-se com facilidade podendo atingir rapidamente os milhões de utilizadores que passam a ter essas imagens no seu computador. A facilidade que a internet proporciona deve preocupar toda a sociedade, devido aos riscos de estímulo à pornografia infantil e ao aumento exponencial que se pode verificar no número de pessoas a praticar “sexting”.

Já são muitos os casos de chantagem emocional exercida pelos namorados virtuais sobre os autores das fotografias ou vídeos, com ameaça e concretização da sua divulgação pelos familiares, mas que acabam também por ser publicadas nas redes sociais afetando a sua reputação. É uma nova forma de praticar “bullying” sobre os jovens e adolescentes e que se identifica pelo termo técnico de “ciberbulling”.

Este tipo de ameaça também tem sido exercido através da chantagem sobre adultos, principalmente mulheres, que enviaram para o seu namorado virtual fotos e vídeos sensuais ou mais ousados, mas caíram no domínio público (muitas vezes por vingança). Esta divulgação pela internet, de imagens do foro privado, para além de afetar a reputação para toda a vida, também pode provocar graves traumas psicológicos.

Na grande maioria das vezes as mensagens ou imagens íntimas são enviadas por uma jovem ou adolescente, com motivações diversas, no contexto de uma relação de namoro e a justificação é que não ficará grávida nem desenvolverá uma doença sexualmente transmissível. Quanto ao argumento utilizado pelo seu namorado virtual, para a exigência de imagens cada vez mais ousadas é a necessidade de uma prova do seu amor.

Nesta prática viciante e substituta de outras formas de relacionamento é recorrente encontrar-se uma jovem que se atreveu a fugir de casa para ter um encontro promissor com o amigo virtual, no desejo de ter uma relação real com o seu príncipe encantado que conseguiu gerar em si sonhos coloridos. Só que se depara com um verdadeiro camafeu, que utilizava um perfil falso como tantos que navegam nas ondas do mundo virtual. E assim se destrói uma reputação, se desmorona um sonho, se desfaz uma esperança, se pinta de negro o futuro!