domingo, 13 de agosto de 2017

BOAS FÉRIAS, COM CULTURA

Continuo imaginando não ser cego; continuo comprando livros; continuo enchendo minha casa de livros. Há poucos dias fui presenteado com uma edição de 1966 da Enciclopédia Brokhaus. Senti sua presença em minha casa - eu a senti como uma espécie de felicidade. Ali estavam os vinte e tantos volumes com uma letra gótica que não posso ler, com mapas e gravuras que não posso ver. E, no entanto, o livro estava ali. Eu sentia como que uma gravitação amistosa partindo do livro. Penso que o livro é uma das possibilidades de felicidade de que dispomos, nós, os homens.
Jorge Luis Borges


ANABELA BORGES
DR
Chegando as férias e o lazer, chega também mais tempo para ler. É o que eu costumo dizer aos meus alunos. Eu digo-lhes: “leiam todos os dias um pouco; leiam antes de ir dormir; leiam sempre que possam, mas leiam sobretudo nas férias”.

Desde muito cedo, eu transmito o gosto pela leitura às minhas filhas, desde a sua estada buliçosa e inquietante no meu ventre, já que sempre tive o hábito de ler em voz alta. Hoje, elas lêem muito. A mais nova tem treze anos e disse-me: “Mãe, quero levar mil livros para ler na praia. Eu vou ler mesmo muito, quero melhorar o meu vocabulário”. E o meu orgulho de mãe sobe, sobe até às estelas, sempre sem parar. 

É claro que sobressai a hipérbole da questão, mas os meus desejos aspiram a que as minhas filhas aprendam mil ou mais palavras, de entre o emaranhado de letras sem fim que se solta dos livros que hão-de ler. E depois mais mil e outras mil ainda, ou mais.

Quando elas eram pequeninas, pediam frequentemente para ir à biblioteca. E eram horas arrastadas em tardes inteiras, sem ponteiros nem relógios, palavras apenas e conhecimento.   

Cada vez mais, as bibliotecas são vistas como espaços de conhecimento e não como depósitos de informação, pois não basta tê-la (a informação), é mesmo necessário aprender a transformá-la em conhecimento. Ter acesso aos serviços de uma biblioteca é um processo que se deve formalizar desde a mais tenra idade, por forma a cimentar a aprendizagem ao longo da vida.

É, por isso, importante que os utilizadores aprendam a usufruir de modo inteligente e rentável da informação disponível nas bibliotecas.

As bibliotecas, florestas de conhecimento, erguem-se como espaços sociais, locais onde convivem pessoas de diferentes graus académicos, diversas escolaridades, pertencentes a uma variada tipologia de profissionais, faixas etárias, níveis económicos e sociais. Assim, as bibliotecas são espaços privilegiados para os utilizadores tirarem o máximo partido num sentido construtivo, dando especial destaque ao desenvolvimento das literacias e à capacidade de aprendizagem ao longo da vida, como formas de adaptação às mudanças emergentes na sociedade atual.

Eu não consigo imaginar muitos espaços tão aprazíveis e enriquecedores como as bibliotecas. O Borges dizia que imaginava o paraíso como uma grande biblioteca. Eu também. Quando entro numa biblioteca, sinto as brisas e aragens dos enredos que as compõem. Parece que vêm a mim gerações de gentes que por lá passaram, juntamente com as múltiplas ficções e o conhecimento acumulado nas estantes e nos arquivos. 

Assim foi, por exemplo, no fim-de-semana passado quando visitei a Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra.

Eu também já pus de parte os livros que quero ler na praia. É um lote grande, para juntar às mil, mais mil, mais mil palavras das minhas filhas. Levamos uma mala de livros para as férias, vidas inteiras em palavras, conhecimento em construção.

É essa fé que eu tenho: que, mesmo que seja lentamente, mesmo que seja palavra a palavra, se vá fortalecendo o conhecimento e não apenas nos limitemos a acumular informação. E talvez assim, por meio das florestas de livros, por meio de palavras, dos seus gritos e das lições de silêncio que podemos retirar delas, estejamos a assistir a uma gradual mudança de mentalidade da sociedade em geral. É preciso acreditar.


Boas férias e boas leituras!

NADA É POR ACASO

CARLA SOUSA
Por vezes andamos tão imbuídos no ritmo intenso da vida: trabalhar, ter sucesso, competir, pagar as contas, lidar com os outros, cuidar dos outros, e, por fim, cuidar de nós.

Nem sempre conseguimos sentir prazer ou felicidade. Vive-se mais o sob o pensamento do “tem de ser”, “tem de ser feito” e, nem sempre conseguimos fazer o que gostamos ou tirar prazer do que fazemos.

De vez em quando é importante reavaliar o que estamos a fazer com a nossa vida. Entramos demasiadas vezes no modo “piloto automático” e acabamos por deixar de dar valor ao que temos. Lutamos muito para ter isto ou aquilo e, depois pouco ou nada valorizamos. Falo de bens materiais e não só, pois isto também se aplica às relações.

De repente, vemo-nos com consequências ou com situações que não estamos à espera e ouvimos a expressão “nada acontece por acaso”. Esta expressão popular existe desde que nascemos e, já com toda a certeza a reproduzimos para servir de consolo a uma nossa amiga, para opinar sobre um acontecimento ou até para nos acalmarmos.

No entanto, realmente “nada acontece por acaso”, e isto não é pelo destino mas sim pelo que somos capazes de construir. Por vezes é preciso “destruir” para depois podermos construir algo melhor e mais gratificante. “Destruir”, em sentido metafórico, é a capacidade de dizer que não, valorizar o que temos, saber o que queremos e, sobretudo, a capacidade de mudar e melhorar.

Não basta ficar num canto a desejar, sonhar ou a dizer mal da vida e, depois, no dia seguinte e, assim sucessivamente tudo continuar na mesma. Lute pelo que quer, afaste o que lhe faz mal e o faz-de-conta. Seja feliz.

Viver a vida como se fosse um castelo de cartas pode ser stressante, frustrante e angustiante. Vale a pena?!

MUDAM-SE OS TEMPOS

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”… diz o ditado e com razão.

Há uns dias, ao “passear-me” por uns álbuns antigos dei por mim a recordar tempos idos… A dada altura deparei-me com uma foto na qual, acompanhada de uma amiga e após termos perdido um comboio, esperávamos calmamente pelo comboio seguinte, sem qualquer vestígio de aborrecimento nos rostos sorridentes. Claro, estar na casa dos vinte anos e sem obrigações familiares também ajudou, mas não só! Pelas nossas expressões devemos ter aproveitado para colocar “a conversa em dia”… A chegada a Resende? Essa deu-se um pouco mais tarde, apenas. Claro que poderíamos ter ido a uma cabine telefónica e avisado os meus pais, mas não havia esse hábito, o tempo e os passos dados não eram controlados a todo o instante. Vivia-se o momento, convivia-se, eramos gente a conviver com gente. Pessoas com alma… Pessoas, simplesmente!

À medida que se avançou e alargou horizontes, por exemplo com o avanço das redes móveis de comunicação, perdeu-se em espontaneidade, quase me atrevo a dizer, nalguns aspetos em qualidade de vida. Hoje há quem fique em estado de ansiedade se ficar incontactável, transformando a vida num controlo descontrolado.

Claro que também aderi às novas tecnologias, tornou-se quase obrigatório, mas não vivo “escrava” delas. Muitas vezes dou por mim na rua tendo deixado o telemóvel em casa. A única preocupação? As horas! Perdi o hábito de usar relógio, logo preciso do telemóvel para me orientar no tempo cronológico, não para estar constantemente contactável!

Com os meus filhos passou-se o mesmo, por decisão familiar, tiverem o seu primeiro telemóvel quando passaram a frequentar o 5º ano e porque deixaram de frequentar o CATL e passaram a ir para casa após as aulas. Tinham dez anos! Mas foram instruídos a ligarem apenas em caso de urgência e, como é evidente, um caso urgente é algo que sai dos padrões ou planos estabelecidos por cada família, afinal a ideia não foi controlar os seus passos.

E os assuntos do dia continuaram a ser conversados há hora do jantar, transformando este momento do dia num encontro de experiências… Contudo, entendo que cada família, cada pessoa, organize a sua vida da forma que mais lhe convém e melhor se adapte às suas necessidades. Eu prefiro que os meus filhos sintam a liberdade de não precisar dar-me conta de todos os passos no momento que estão a acontecer. Prefiro ouvir as suas aventuras, ou desventuras, olhando bem nos seus rostinhos. É bem mais interessante e pessoal!

AZEDUME

MIGUEL GOMES
As tardes de Verão tiveram quase sempre, no meu imaginário, três ou quatro bandas sonoras, monótonas, taciturnas e muito pouco animadoras. Hoje não é excepção. A sirene dos bombeiros lamenta-se arrastadamente, fecho os estores e imagino que seja noite, com a sua longa túnica pontilhada aqui e ali com tremeluzentes pontos, longos, inimagináveis distâncias de tempos em que eu, deduzo, fosse um outro qualquer aglomerado de átomos, uma abundância relativa noutras percentagens, um isótopo ou apenas e só o pontilhado feliz e errante dos electrões que surgem e desaparecem nos diferentes níveis de energia. Ouço os carros zunirem, alternamente, novamente, a sirene dos bombeiros brame na quente tarde enquanto alguém se queixa do barulho,

- há quem tenha crianças para dormir

Sacudo a cabeça, antes fosse noite e todas as vozes que não chegam ao céu se calassem por momentos, se cingissem ao gutural arrastado de um ronco que sai da cavernosa reentrância para o vazio, que é a boca de quem protesta.

- não se pode com este cheiro a fumo nas casas

Ouço por entre o barulho do longo tapete castanho com riscas cor-de-laranja, ondulando ao sabor da jugular força de braços, a maré de pó que se esbate na praia das janelas dos pisos inferiores. Não, não se pode com o fumo. Acredito que o lamentar se deva ao cheiro que se incrusta nas narinas e não, nem por um momento, pelas assustadas aves afugentadas pelo fumo, os coelhos e lebres, os raros esquilos, os inusitados texugos que não acreditam ter visto, as fogueadas raposas e toda a bicharada alada, corredora ou rastejante, fugindo para proteger o pelo, a pele, a quitina.

- esta nortada, dá cabo da praia e das férias, que nojo

E claro, o enjoado opinar dever-se-á, tampouco, pela necessidade de dobrar o guarda-sol, escarrar e abafar duas ou três beatas na areia acompanhadas pela garrafa de cerveja, deixar para trás o pau do gelado ou o brinquedo que saiu no HappyMeal. Nunca seria preocupação pelo alimentar das labaredas que continuam sem dar descanso a centenas de homens e mulheres, enfarruscados, com o cansaço a gotejar nas faces.

- às tantas são eles que chegam o lume para ganhar uns trocos

E nada me surpreende mais depois disto. Rio num esgar de escárnio e divirto-me a imaginar os seus próprios umbigos como um sepulcral buraco negro para onde escorre toda a estupidez que exala dos pensamentos em forma de opiniões.

- não se pode com o que escreves

E nada mais do que fazendo a vontade a quem se habitua a ser parede, continuo a azedar-me e fico-me por aqui. Um dia deslevedo-me, volto a ser cereal e daí ao suor da mão de um agricultor bastará um fino cordão de prata para voltar ao local de onde não deveria ter saído.

sábado, 12 de agosto de 2017

COMO PLANEAR AS FÉRIAS DO SEU PATUDO

SUSANA FERREIRA
Em tempo de férias é importante relembrar que as férias dos patudos também devem ser programadas com antecedência caso não haja hipótese de acompanharem os donos. Existem já diversos hotéis caninos e felinos, para vários preços e com serviços variados, que na altura do verão se encontram lotados. Existem também serviços de Pet-sitting e cuidados ao domicílio, mas com menos oferta. E para alguns sortudos um familiar, amigo ou vizinho prestável que vai cuidar do patudo a casa. Existem já várias possibilidades portanto já não tem desculpa para abandonar o seu animal, até porque quando o adquiriu assumiu um compromisso, que infelizmente para muitas pessoas se quebra rapidamente, refletindo-se no elevado abandono nesta época do ano.

Para deixar o seu animal num hotel é necessário ter o plano vacinal completo bem como a vacina da tosse do canil, desparasitação interna e externa em dia. Deve levar a ração que o animal está habituado e os brinquedos dele, bem como a manta ou caminha para que sinta menos ansiedade por separação. No caso dos gatos o ideal é ficarem na sua casa e ser feito serviço de pet-sitting (quer por familiares, amigos, vizinhos ou mesmo profissionais).

No caso de levar o seu animal de estimação consigo para as férias, existem questões legais no transporte de animais em automóveis, que devem ter em conta. Transporte de animais nos assentos do automóvel apenas permitido com trela/peitoral de segurança ou em transportadoras próprias, nunca soltos dentro do veículo. Transporte de animais na mala do veículo apenas permitida em veículos que possuam a rede de proteção na mala. Se o animal nausear ou detestar andar de carro existem medidas preventivas que o seu Médico Veterinário lhe poderá prescrever, informe-se antes de viajar. É muito importante levar ração suficiente para as férias, pois pode não encontrar a ração habitual no sitio de destino e provocar alterações gastrointestinais graves no animal. Realizar a desparasitação interna e externa de acordo com a região de destino, pois os parasitas endémicos variam de região para região, de acordo com o clima. Caso o seu animal tenha alguma patologia crónica não esquecer de levar medicação suficiente e ter sempre à mão o contacto do seu Médico Veterinário habitual que poderá aconselha-lo ou mesmo indicar um colega da região caso seja necessário.

Muita atenção às horas de maior calor, o pavimento apresenta temperaturas elevadissimas, pelo que se andar sobre estas superfícies com o seu animal ele irá queimar as almofadinhas plantares. Passear apenas de manhã, final do dia ou noite. Muito importante disponibilizar água fresca ao seu animal durante todo o dia.

Aqui ficam algumas dicas para quem ainda vai de férias e mais uma vez faço um apelo não se esqueçam que eles fazem parte da família e eles nunca nos abandonariam. Abandono é crime e pode ser punido, antes de o fazer veja outras alternativas. 

NO ARCO DA PONTE

A. PATRÍCIO
O Tâmega é...

O nevoeiro cobria o rio mas, nem por isso, lhe subtraía a beleza. Quer queiramos quer não, a beleza natural, seja do que for, é perene, inigualável e, por mais que o tempo passe e sobre ela exerça a sua influência não a macula, muito pelo contrário, acrescenta-lhe magia, dá-lhe autenticidade.

A beleza deste rio é poema de rima incerta, onde o autor, com palavras sopiadas por Deus descreve, sujeito aos condicionalismos humanos, o melhor que sabe e sente – amor, paixão, romance, sentimento, carácter – sem nunca questionar a sua origem e o seu ocaso.

À imagem de Deus, não há palavras para o definir e caracterizar. O rio Tâmega é e, se a recordação nos leva a sentir saudade não é propriamente do rio ou da sua beleza – o rio é futuro – mas sim, dos momentos passados na sua companhia, sempre diferentes, usufruindo da sombra das suas árvores, da paz do seu silêncio, da frescura dos seus relvados, da harmonia dos cantares trinados dos rouxinóis ou do coaxar das suas rãs; da calmaria das suas margens e da elegância das suas guigas no sulcar amancebado das águas.

DR FILIPE SOARES
Meu rio, quão me fazes feliz e quão me sinto perdido quando não te vejo ou sinto a tua presença, levado pela azáfama de uma vida cheia e, por vezes, incompreendida pelo vulgar sentimento e dificuldade de discernimento de uns tantos acolchoados de fátuas ânsias, cegos por promessas efémeras e surdos pelo burburinho da cidade...

Meu rio, conselheiro sábio e despojado de interesses, como te fito abandonado e votado ao esquecimento; como te vejo ansioso quando és vilipendiado por gente sem escrúpulos; como te oiço gritando por ajuda e como sofro, com ranger de dentes, por não ter poderes para te socorrer; como te sinto lutador, quase exangue, em tempos de Estio, a respirar com dificuldade; como és sofredor quando, sem qualquer pejo, te tornas sepultura dos teus nados. 

As tuas águas, ora calmas e remansosas, ora turbulentas e agrestes guardam histórias e estórias de valor e de valores, sem que alguém as saiba ou queira guardar ou resguardar para um tempo e de um tempo de preservação da memória.

Os teus açudes respingam lágrimas de épocas em que guiavam as águas para fazer pão e sujeitavam rodas e mós a uma cadência que dava indolência e ajudava a embalar cestos e canastras onde, em sono angelical, repousavam os filhos daqueles que sabiam os teus segredos.

DR SÓNIA BASTOS

A aragem, como uma meiguice, faz borbulhar a tua face e, num murmúrio quase imperceptível, troca contigo juras de amor copiadas pelos pares de namorados que, todos os dias, palmilham as tuas margens, bebem a tua paz e descansam à sombra dos amieiros e salgueiros. 

A névoa continua sobre o rio e, neste espírito, guardo as ideias e os conselhos que o silêncio partilha e só aqueles nados nas tuas margens entendem e gratuitamente partilham.

O Tâmega é ontem, hoje e amanhã e, como tudo que é eterno, é passado, presente e futuro. É intemporal e único e a saudade, que se evapora das suas águas, é a responsável por toda esta neblina incapaz de o ofuscar por serem eflúvios da sua beleza.

Amemos o rio como parte integrante do nosso corpo pois, só assim, seremos capazes de o respeitar e honrar e, como cidadãos livres, merecedores dos seus pergaminhos. 


(Por opção, o autor escreve de acordo com a antiga ortografia) 
Publicado em “ O Jornal de Amarante” em 28/Março/2013

COMO MELHORAR A PERFORMANCE DO ATLETA

ANTONIETA DIAS
A dieta do atleta deve ser equilibrada, permite otimizar o desempenho.

Algumas recomendações são necessárias para evitar erros alimentares.

As refeições devem ser realizadas cerca de 3 a 4 horas antes da prática desportiva para permitirem a digestão dos alimentos sem que os atletas fiquem com a sensação de distensão gástrica e para impedirem o desconforto de um rendimento desadequado provocado pelas perturbações alimentares.

As refeições devem ser facilmente digeríveis, ricas em carbohidratos e com pouca quantidade de proteínas e gorduras.

Todo o atleta deve ingerir no mínimo 2 litros de líquidos.

Recomenda-se a ingestão de 500 ml de líquidos duas horas antes dos exercícios, trinta minutos antes ingerir entre 250 a 500 ml e 250 ml durante a atividade desportiva.

Se estiver num ambiente de calor e se o seu desempenho exigir muito esforço, obrigará a fazer suplementos complementares para minimizar as perdas de água resultantes da libertação de água pelo suor.

Sempre que um atleta pratica modalidades que exijam fazer exercícios de alta intensidade devem enriquecer a dieta com carbo-hidratos na proporção de 5 a 10%.

Excluem-se as bebidas com frutose por serem indigestas

Chá, bebidas gaseificadas, café ou sumos de frutas estão contraindicados durante a atividade física.

Uma alimentação rica em carne, peixe, ovos, contem ácido aspártico, que ajuda a adquirir massa muscular.

Os usos de suplementos alimentares só são necessários se a alimentação não for rica e variada.

Se as refeições dos atletas tiverem todos os ingredientes de uma alimentação diversificada os suplementos são dispensáveis.

Importa contudo referir que se o gasto energético for intenso recomendam-se alguns suplementos que não devem ser confundidos com substâncias anabolizantes e devem ser sempre selecionados por um especialista em nutrição ou por um médico especialista em medicina desportiva.

As doses recomendadas implicam o conhecimento científico dos gastos energéticos adaptados à individualidade (sexo, faixa etária, carga de treino, numero de horas) de cada atleta e modalidade praticada.

Estes critérios têm que ser respeitados para se adequarem de forma equilibrada

Se os suplementos forem ingeridos em excesso podem provocar malefícios na saúde do atleta.

O rigor da sua utilização implica conhecimento.

Em caso algum os suplementos substituem as refeições adequadas e devem sempre acompanhar as refeições principais.

Quais as roupas mais convenientes param os atletas.

Não existem modelos exclusivos, é necessário adotar o vestuário ao ambiente, respeitando a temperatura do recinto onde se encontra, usando acessórios quando se justificarem.

Naturalmente que os tecidos param o fabrico do vestuário terão de ser feitas com tecidos que permitam o conforto e garantam proteção.

Ao falamos de desporto implica falar de alongamentos, por vezes esquecidos, mas são fundamentais para manter a flexibilidade do corpo, os quais devem ser executados antes e depois das atividades desenvolvidas, tendo em conta que aumentam a maleabilidade, beneficiam a coordenação motora, permitem o relaxamento, ativam a circulação, diminuem as tensões musculares, proporcionam o aquecimentos corporal, aumentam a capacidades nas atividades mais desgastantes.

Os alongamentos também exigem técnica na sua execução deve ser regulares, realizados lentamente e sem tensão muscular.

Os alongamentos pós – exercício devem ser mais prolongados no tempo que os que se fazem antes de iniciar a atividade desportiva.

Quantas horas são que os atletas necessitam de descansar por dia para manter a forma física, para melhorar a performance e para obter um maio rendimento desportivo.

Cada atleta deverá dormir entre 9 a doze horas por noite, para poder repor a energia gasta.

Os atletas que não cumprem estas recomendações tem mais lesões, que vão desde as fraturas de stress às fasciites sobretudo a plantar que é a que provoca mais dores no calcanhar.

O descanso adequado permite fazer a recuperação mental, neurológica e fisiológica aumentando a capacidade de desempenho, o vigor e a energia necessárias para a obtenção e recuperação da força e da massa muscular, sem os quais não se obtém o sucesso desportivo.

Em suma, praticar desporto é uma arte que só terá sucesso se for acompanhada pela técnica, tatica e ciência.



O fenómeno desportivo envolve atletas, treinadores, agentes desportivos, família, adeptos e profissionais especializados no acompanhamento e na orientação desportiva.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

APROVEITAR O VERÃO AO MÁXIMO

DIANA PEIXOTO
Praia pode também significar alimentação saudável se optarmos por alternativas frescas e nutritivas. Deixo-lhe algumas sugestões para aproveitar da melhor forma este verão:

▫️ Fruta – incluir qualquer tipo de fruta, mas idealmente aquelas com teor de água mais elevado, como a melancia, a meloa, o abacaxi, os morangos ou os pêssegos;
▫️ Legumes crus – palitos de cenoura ou pepino são uma opção excelente por serem alimentos nutritivos, com baixo valor energético e uma boa fonte de hidratação (podem acrescentar algo a estes alimentos, como húmus por exemplo);
▫️ Frutos secos – entre nozes, avelãs, castanhas do brasil, caju ou amêndoas, procure variar sem exagerar na quantidade;
▫️ Saladas em Frascos – variar, por exemplo, entre saladas ricas em hortícolas, que podem ainda incluir outros alimentos, como fruta, leguminosas, atum ou frutos secos;
▫️ Chips de maçã/pêra/batata doce – Se faz parte daquele grupo de pessoas que costumava comer batatas fritas e sente vontade em comer um snack salgado, nada melhor do que estas deliciosas chips de batata-doce; se por outro lado costuma comer bolachas doces, opte pelos chips de fruta.

MONOPÓLIOS E OLIGOPÓLIO: PERDEMOS TODOS

JOÃO RAMOS
Um estudo publicado pela universidade de Nova Iorque concluiu que o aumento da concentração e do poder de mercado das empresas contribui para a redução do investimento. Ao analisarem dois períodos históricos, os autores verificaram, que no início dos anos 2000, a redução de empresas têxteis, nos EUA (devido à concorrência asiática) provocou a diminuição do investimento. Em contrapartida, nos anos 90, o aumento do número de start-up´s tecnológicas ajudou a explicar o enorme aumento dos recursos aplicados pelas organizações do sector.

Numa altura, em que a Altice adquiriu a TVI, convém recordar os efeitos da concentração de mercado e do poder monopolista das companhias nos consumidores e na economia em geral. O sector das telecomunicações dos EUA é dominado por uma única empresa, o que implica que os americanos despendam mais de 65 biliões de dólares anuais, do que os Europeus, em servidos de pior qualidade. Para além desta atividade, existe ainda a banca, que sobre um processo de fusões e aquisições que podem lesar os interesses dos consumidores e deprimir a economia. Existe ainda o sector energético, com um pequeno grupo de empresas oligopolistas a dominarem o mercado, incluindo, a comercialização de combustíveis. 

Sabemos de antemão, que em Portugal a entidade reguladora não possui os recursos legais, humanos e financeiros para monitorizar eficientemente as atividades referidas, o que obriga, a que exista um trabalho à priori, no sentido de evitar que tal seja necessário, ao impedir determinadas fusões e aquisições.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

FÉRIAS, LAZER, LIVROS E BIBLIOTECAS

“Continuo imaginando não ser cego; continuo comprando livros; continuo enchendo minha casa de livros. Há poucos dias fui presenteado com uma edição de 1966 da Enciclopédia Brokhaus. Senti sua presença em minha casa - eu senti-a como uma espécie de felicidade. Ali estavam os vinte e tantos volumes com uma letra gótica que não posso ler, com mapas e gravuras que não posso ver. E, no entanto, o livro estava ali. Eu sentia como que uma gravitação amistosa partindo do livro. Penso que o livro é uma das possibilidades de felicidade de que dispomos, nós, os homens.”

Jorge Luis Borges


ANABELA BORGES
Chegando as férias e o lazer, chega também mais tempo para ler.

É o que eu costumo dizer aos meus alunos. Eu digo-lhes: “leiam todos os dias um pouco; leiam antes de ir dormir; leiam sempre que possam, mas leiam sobretudo nas férias”.

Desde muito cedo, eu transmito o gosto pela leitura às minhas filhas, desde a sua estada buliçosa e inquietante no meu ventre, já que sempre tive o hábito de ler em voz alta. Hoje, elas lêem muito. A mais nova disse-me: “Mãe, quero levar mil livros para ler na praia. Eu vou ler mesmo muito, quero melhorar o meu vocabulário”. E o meu orgulho de mãe sobe, sobe até às estelas, sempre sem parar. É claro que sobressai a hipérbole da questão, mas os meus desejos aspiram a que as minhas filhas aprendam mil ou mais palavras, de entre o emaranhado de letras sem fim que se solta dos livros que hão-de ler. E depois mais mil e outras mil ainda, ou mais.

Quando elas eram pequeninas, pediam frequentemente para ir à biblioteca. E eram horas arrastadas em tardes inteiras, sem ponteiros nem relógios, palavras apenas e conhecimento. 

Cada vez mais, as bibliotecas são vistas como espaços de conhecimento e não como depósitos de informação, pois não basta tê-la (a informação), é mesmo necessário aprender a transformá-la em conhecimento. Ter acesso aos serviços de uma biblioteca é um processo que se deve formalizar desde a mais tenra idade, por forma a cimentar a aprendizagem ao longo da vida.

É, por isso, importante que os utilizadores aprendam a usufruir de modo inteligente e rentável da informação disponível nas bibliotecas.

As bibliotecas, florestas de conhecimento, erguem-se como espaços sociais, locais onde convivem pessoas de diferentes graus académicos, diversas escolaridades, pertencentes a uma variada tipologia de profissionais, faixas etárias, níveis económicos e sociais. Assim, as bibliotecas são espaços privilegiados para os utilizadores tirarem o máximo partido num sentido construtivo, dando especial destaque ao desenvolvimento das literacias e à capacidade de aprendizagem ao longo da vida, como formas de adaptação às mudanças emergentes na sociedade atual.

Eu não consigo imaginar muitos espaços tão aprazíveis e enriquecedores como as bibliotecas. O Borges dizia que imaginava o paraíso como uma grande biblioteca. Eu também. Quando entro numa biblioteca, sinto as brisas e aragens dos enredos que as compõem. Parece que vêm a mim gerações de gentes que por lá passaram, juntamente com as múltiplas ficções e o conhecimento acumulado nas estantes e nos arquivos. Assim foi, por exemplo, no fim-de-semana passado quando visitei a Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra.

Eu também já pus de parte os livros que quero ler na praia. É um lote grande, para juntar às mil, mais mil, mais mil palavras das minhas filhas. Levamos uma mala de livros para as férias, vidas inteiras em palavras, conhecimento em construção.

É essa fé que eu tenho: que, mesmo que seja lentamente, mesmo que seja palavra a palavra, se vá fortalecendo o conhecimento e não apenas nos limitemos a acumular informação. E talvez assim, por meio das florestas de livros, por meio de palavras, dos seus gritos e das lições de silêncio que podemos retirar delas, estejamos a assistir a uma gradual mudança de mentalidade da sociedade em geral. É preciso acreditar.

Boas férias e boas leituras!

ANSIEDADE FACE AO DESEMPENHO ESCOLAR

TÂNIA CARVALHO
Ao longo do meu percurso profissional tenho-me deparado com vários casos de crianças e adolescentes com ansiedade face ao seu desempenho escolar.

Os estudantes desenvolvem uma ansiedade excessiva e frequente em situações de avaliação como: testes, exames, apresentações de trabalhos, idas ao quadro, responder a questões oralmente, entre outros. 

Alguns autores consideram que é uma das condições cada vez mais prevalecentes em idade escolar devido ao aumento de diversos tipos de avaliações. O que é certo é que, cada vez mais, atendo crianças em idades muito precoces já se sentido pressionadas em ser “o melhor possível”. 

Esta ansiedade caracteriza-se através dos seguintes sintomas físicos: Coração acelerado, Sudorese, Aperto na garganta, Aperto no peito, Tensão muscular, Respiração acelerada, Tremores, entre outros.

Caracteriza-se também por sintomas psicológicos e emocionais como: Preocupação excessiva; Pensamentos negativos; Medo de não corresponder às expetativas dos outros e de si próprio; Tristeza; Culpa; Frustração, entre outros. 

E por fim, sintomas comportamentais: Evitamento da tarefa, perfecionismo, procrastinação, diarreia, vómitos. 

Esta problemática acarreta várias consequências nos alunos como: Menor foco na tarefa; Dificuldade na gestão do tempo; Atitude autocrítica; Evitamento das situações; Sofrimentos psicológico e diminuição de autoconfiança. 

Esta ansiedade pode prejudicar a preparação dos alunos e causar desconforto intenso durante as avaliações. Comprometendo o desempenho mesmo que possuam conhecimentos para uma realização eficaz.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

O PARADOXO DA VERDADE

A verdade?!

Querem-na?

Violem as flores, arrasem os campos, escavem trincheiras e comprem armas, profanem sepulturas, mutilem
REGINA SARDOEIRA 
cadáveres.

Verdade-conceito, verdade-morte, moribunda, recém-nascida, treva, céu-aberto!

Verdade-coerência. Verdade-acordo. Verdade-contradição. Verdade-fenómeno. Epifenómeno. Númeno. Arquétipo. Dicotomia. Transe. Esquizofrenia. Paranóia. Sonambulismo lúcido. Lucidez onírica. Verdade-símbolo, que tanto pode ser como não ser, estar como não estar. Verdade – Homem: medida de todas as coisas. Medida que a si própria não foi capaz de medir, medida que a mentira corrompeu, medida cujo metro não tem padrão, arcaboiço impalpável, flutuante, cujo esqueleto chocalha em qualquer esquina, com qualquer vendaval.

Homem. O idêntico. O uno. O mesmo. Aquele que se move, aquele que tem pés que o levam rumo ao destino que ele próprio estabeleceu, arrogantemente, desfrutando um destino não desfrutável. Homem suicida correndo atrás da nuvem que ignora para onde vai, que segue o homem que por sua vez a segue e é seguido. Como um espantalho pendura-se nos campos de trigo, de braços abertos, espanta pássaros inexistentes, que apesar disso comem todo o trigo do qual, apesar disso, os homens fazem pão.

A verdade, não se esqueçam da verdade, ouviram? Procurem-na.

Vêem ali aqueles baús carunchosos, aquelas malas ferrugentas, aqueles sacos cheios de bolor? São, sem dúvida (porque haveríamos de duvidar?) os fiéis guardiães da verdade. Procurem-na, abram as malas, violem os baús, rompam os sacos.

Perguntam-me pela chave? Ah, não existe, aliás, nem fechadura, já deram conta?

Mas violar é terrível, não é? Só que eu digo-vos: a verdade é aquilo que vedes ali.

Minto?! É claro que minto, não estou a ver nenhum baú e, ainda que o visse, de que serviria vê-lo, se vós não vedes?

Perdoai-me. Podeis?

Não, é claro, ninguém perdoa ser enganado: por isso a vida é um eterno rancor, uma eterna discórdia de ofendidos em busca do ofensor, de ultrajados sem bode expiatório.

Ah, já lá volto! Foi aquela teia de aranha que me enredou e já a aranha me pedia desculpas. Na sua fome viu-me mosca, eu fui a verdade do seu apetite. Tal como vós na vossa fome de certeza, vedes a certeza em qualquer miragem, a lua cheia em qualquer charco estagnado.

Chegou o tempo da lua cheia, perfumada e dúctil, espinhosa e plena de cetim!…Lua cheia… Cheia de quê a não ser da ilusão branca, do conceito aleatório, do leite, sim, do leite que o úbere das vacas rejeitou num esguicho e projectou no céu a via láctea. Ah, lua, rejeito-te. És falsa, quarto minguante, pequeno halo no negro do céu, lua-planeta, mas zero, zero, zero…

A verdade, não se esqueçam dela ouviram?

Tenho ali paradoxos infindáveis e todos eles exalam perfumes estonteantes, verdades irrefutáveis. Escavem, escavem sempre. O mapa do tesouro escondido aponta para baixo, não acreditem naqueles que levantam o dedo… é debaixo que nasce a fonte.

Sabem por que razão os homens lutam, porque discutem, porque colocam entre si fronteiras e grades? Ah, é uma simples brincadeira, não os tomem a sério, brincar é a única ocupação que resta e viver, afinal, é um luxo.

Um luxo!

Ah, vaidosos, arrogantes, comprastes essas vidazinhas crista de galo, corno de touro enfurecido? Comprastes?

Claro, só que a moeda era falsa, como toda a moeda, aliás: fostes iludidos pelo brilho, qualquer brilho ilude, o brilho é nada.

Mas o meu tema é só, unicamente, a verdade. E a verdade muda, muda, muda.

VERDADE, prestai atenção.

Este V de verdade chama-se letra, é a 21ª letra do alfabeto, até. Estou a ser exacta? Pois. O V existe e tanto existe que lá está, alinhado entre o U e o X. É importante. Tem um lugar. Soa. Ressoa. Sibila.

Chama-se também consoante e o meu dicionário diz que significa conveniente, logo deve significar porque um dicionário é… UM DICIONÁRIO, uma autoridade, tem a verdade, e o V é a primeira letra da verdade.

Começamos bem, como vêem. O V é conveniente – convém – é coerente, existe, como duvidar? Ora reparem: V. Pronunciem. Pronunciaram? Que tal? Podem acaso duvidar da conveniência absoluta, irrefutável, da letra V sem a qual nenhuma verdade seria possível?

Continuo?

AS OSTRAS DA GUINÉ

JOANA BENZINHO
A estrada de Bissau até Quinhamel faz-se em meia hora de alcatrão ladeado por cajueiros, mangueiras e muitas crianças que brincam na beira da estrada, com brinquedos de improviso, enquanto as mães andam nas lides domésticas.

Aqui chegados, entra-se numa estrada com frondosas árvores que lhe dão sombra e seguimos até um dos muitos braços de rio que aqui existem. Escondida entre a vegetação, encontramos uma velha casa caiada, com um pequeno pátio com mesas e cadeiras estrategicamente colocadas nos sítios onde o sol é filtrado pelas árvores. 

É aqui que encontramos o Nelson ou o filho do senhor Aníbal para os mais "antigos", e as suas ostras. Para quem não conhece, a Guiné Bissau guarda não só um dos maiores segredos naturais - o Arquipélago dos Bijagós - como pequenos segredos gastronómicos de provar e chorar por mais. País de enormes recursos piscícolas e farto em frutas com um sabor único, como o caju, as mangas ou papaias, a Guiné-Bissau tem nas raízes dos seus tarrafes, um santuário de ostras de sabor excepcional. Nestas águas salobras, agarradas as raízes que ficam submersas ou expostas conforme as marés, crescem as ostras que são apanhadas pelas mulheres de Quinhamel e depois vendidas aos sacos de 50 kg ao "preço da chuva" e que o, Nelson nos serve num ambiente muito singular. 

Estas ostras são passadas por breves minutos num forno de lenha, que as abre e deixa semi cozinhadas com o forte calor que apanham. Chegam-nos à mesa em tabuleiros de alumínio, acompanhadas apenas de um molho de limão com malagueta, e que vão sendo repostos à medida que as cascas vão caindo no balde estrategicamente colocado entre as cadeiras dos comensais.

Aqui não há luxos, há sabores inesquecíveis numa paisagem soberba. A acompanhar as ostras uma cerveja estupidamente gelada completa a refeição, que é circundada pelos gritinhos animados das crianças a nadar no canal quando a maré está cheia ou a jogar à bola em período de maré baixa.

Ali bem perto andam os "jugudis", os abutres guineenses que atacam um monte das cascas de ostra de anteriores clientes, retirando-lhe os restos que despejamos para o balde. Em Bissau diz-se com graça que estes abutres são os melhores funcionários de limpeza da Câmara Municipal, e aqui fica claro que cumprem o seu oficio na perfeição. As cascas ficam limpas de qualquer vestígio.

Estas ostras de que falo aqui hoje são bem diferentes da nossa ostra se mar. Em tamanho e em sabor. A maioria delas tem um tamanho médio/pequeno mas por vezes surgem ostras de tal forma grandes que, saídas do forno, parecem autênticos bifes. Comem-se no tempo seco, evitam-se na época das chuvas que aumentam os caudais dos rios e canais e enchem as ostras de lama.

Entre um tabuleiro e outro, o Nelson abeira-se da mesa e deixa tudo de sorriso na cara com uma das suas abundantes anedotas. Almoça-se tarde e ali se fica até ao cair do dia. Não há pressas, o tempo pára naquele cantinho onde o sabor da vida se encontra no recheio de uma ostra. Mesmo se por ali não se ouça dizer que estas tenham pérolas guardadas lá dentro.

Regressamos a Bissau quase sempre ao pôr do sol com a barriga e a alma cheias. São estes pequenos e simples prazeres, que dão um gosto tão especial à Guiné-Bissau e que nos fazem querer sempre voltar.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

HOW LONG DOES IT TAKE, ANYWAY?

CAROLINA CORDEIRO
Living on an island takes its toll on people and things. 

For centuries, till this day, transportation has been the single one condition the one must take in consideration when “deciding" to live on an island. With it, your survival may as well be at risk. It is similar as if you where entering a bookstore in need for that book and that book alone. Since most of us cannot have all the books, we have to choose one particular title or author or even cover. You immediately start looking for a book and you know you cannot have just every book in there. You pick your books as because you like them and that is the beauty of things: there’s one for each single taste of ours. And even though there are many destinations to choose from the global map there aren’t that many islands to choose from, so you really have to know what you want. 

If you are like me, the only sane thing you would want to do is to try and get away while you are still young and in need of adventure and you know there’s not enough Tom Sawyer stories to go around and suffice your interest on how to live adventurously. You need to branch out and see the world so you’ll, eventually, leave the island. In order to do that, you have to wait for transportation and there’s no real chance of hitchhiking. 

Well, as you may have noticed, my archipelago has been receiving plenty of flights in and lots of them have also been, of course, flying out. Lots of people are coming and going. This has branded its mark on us, our islands have not been the same, these past couple of years. But, it’s all part of a bigger plan… so they say. Not wanting to deviate from my story line, what I’m trying to tell you is that, as in any other story in your life, if you are born to it, or should I say here, you will feel differently. You will want and need to get out of the island’s mist and closure; you’ll need and want a fresh air, once in a while, no matter how much ocean breeze you daily get. If, however, you are an outsider, specially from a big city, what will cost you the most is W-time. Not clock time nor day or night time. It’s the waiting time. For that, you can only teach yourself how to be calm and have patience — the trick of the trade, for us, islanders. Not being one of us, yet, I guarantee you that you will suffer hard. Why? Let me explain. 

We are in the middle of the ocean. We bathe in the Atlantic Ocean’s waters. We have lived with it, throughout rough and great times, so we know how to wait. And, S. Miguel can’t complain much about it. But the far east and west islands are the ones where one really builds up a layer of the thickest skin in what waiting time is concerned. And if I were to be totally honest with you, I would say that the central group can pretty much complain about it too. Don’t be mistaken, my island suffers but it also loves to complain about the post deliver that is not fast enough or that the international delivery was stuck in customs a tiny bit too many days, or even that the plane doesn’t touch at its ETA. We do complain a lot. But try to understand us, we have been a somewhat isolated bunch for decades. Now, we are taking some fresh air in. Maybe it has been a bit too much, all at once, so now we complain about it too. People!

But, time is what took us here and so I must say that we have the same 24 time clock period as you do and we have pretty much everything your big city has. We just have it around nine islands and to get one thing from us, or to us, as any little handmade thing, you really have to know that, when you are here you will have to wait for it, patiently. There’s no doubt about it. The true question is, how patient are you? Because, all in all, is it not all up to you?

METAMORFOSE

DIANA RAMALHO
"Eu sempre a vi a pequenez, a humildade e a inocência que o teu sorriso triste continha, quando te procuravas no meio de todos e poucos te percebiam as dúvidas. Eu amava-te.

Desconfiavas de ti e dos outros porque a vida te traía frequentemente e a única aceitação que recebias era a minha presença, o meu amor.

Somos todos um percurso, uma consequência, boa ou má, do tempo e eu sabia-o, aceitava-o e apreciava-te, como quem aprecia o início de algo grandioso.

Até que lhe foste conveniente e, repentinamente, te convinha rejeitar a tua origem, esconder a tua humildade e disfarçar as unhas sujas de terra do campo que te alimentou.

Até que, repentinamente, o desejo de estatuto e a submissão a tudo o que repelavas, te fez rejeitar-me. Eu ainda te amo.

A tua mãe."

A metamorfose é um processo que "envolve uma transformação rápida e conspícua de uma larva para um estágio larval subsequente ".

Se há coisa que me incomoda é o número infinito de borboletas que esvoaçam por aí, ignorando o facto de já terem sido larvas, como toda gente, ou, na maioria dos casos, não passarem disso, embora se esforcem para o disfarçar.

Recuando alguns anos, o dinheiro arrastava consigo um certo poder e superioridade, o que podia ser injusto, mas, em certa medida, compreensível. Já nos tempos que correm, a superioridade está tão só na aparência.

Passo a explicar a evolução:

Não importava ser-se bom, bastava ser-se rico. Agora, não é preciso ser-se rico, basta parecer-se.

Traz vantagens, sobretudo económicas, que se aliam a uma falta de carácter, cultura e decência que me impressionam.

Mesmo não querendo generalizar, a verdade é que todos mudamos e crescemos, numas coisas ou noutras, e, a infeliz realidade é que já pouco valor se dá ao velho pensamento de que "tão importante como o lugar para onde vais, é aquele de onde vens." Desconfio que tudo se deve ao facto de as borboletas virem de um casulo, aquele tal nome associado a lagartas, muito embora não o compreenda, tendo em conta que ninguém nasce já vestido.

domingo, 6 de agosto de 2017

CLAR(A)IDADE

MI
Não há na profundidade de cada um superficialidade onde possam navegar serenamente sinceridade e despojamento. 

Há, sim, à superfície um profundo naufrágio que se banha nas águas da aceite e mantida ignorância. 

Não há ameias ou margens, apenas um leito que desagua na imensidão escura que são os olhos onde procuro a humanidade. 

Nada se esconde que exista. 

E eu, cáustico, vou diluindo-me na esperança da sublimação que me evapore e me leve, etéreo, olhar nos olhos das estrelas e pedir, envergonhado, para dormir com elas

Agora, baixinho, para não acordar o crepitar da lareira, vem sem medo para aqui, para a tua beira.

Deixa respirar a vida que te descolora a teimosia de sobreviver, vai ali ao fundo, vê-te desvanecer, pelos remendos que te orgulham o mundo, vai ali, a ti. 

Sabes, as pétalas que te florem dos ombros, são os teus braços, não os deixes pendendo como marcando o compasso com que te querem relojoar, o tempo encarrega-se de cair aos teus pés, agora, tu, infinito. 

És. 

Que mais queres, tu, que vir agora, baixinho, para te encontrares contigo, sozinho?


Imagino os pequenos pontos luminosos como potenciais pirilampos no céu dos meus dias, há em cada um de vós o olhar de quem se descobre e assim se ensina, a centelha, a sôfrega ânsia de a cada momento ser mais um na soma de todos.

Espreito por entre as nuvens, a neblina que se cobre de todos os naipes do meu baralho, sou eu e o orvalho, imaginando a voz que nunca me soprou de outrem e aí, onde brilham como as estrelas, peço-vos que mas sussurrem pois daqui só posso sonhar com elas.

Clamo pela claridade de um dia só com noites, sem qualquer receio do fim a que se sujeitam os sonhadores, pois aconchego na mão contra o peito todos os bocadinhos de mim que semeio e germino quando velho me sinto, novamente, menino.

JORNALISMO, MEU AMOR

JOANA M. SOARES
Foi a 9 de Julho que o Público publicou a história altamente deliciosa ‘A minha família teve uma escrava’. O autor/jornalista desta reportagem, história de vida pessoal, genuína é Alex Tilov. Um relato verídico e impressionante que dá bons argumentos ao jornalismo, à sua essência. O que me fez enveredar pelo jornalismo, em primeira mão, é o poder contar histórias. Ouvi-las e ter a capacidade de as recontar ao público para dar voz à história, dar voz ao mundo. Assim, escrito, parece fácil, na essência isto é o jornalismo: ouvir, saber recontar, ouvir.

Alex Tilov põe-se a nu, abre as portas de casa da própria vida a um relato extraordinário da cultura do seu país de origem, Filipinas, das raízes familiares, da emigração para os Estados Unidos, da escravatura que tinha o nome Lola, dentro da sua família. A história é tão deslumbrante que a tive de partilhar nas redes sociais. A história é tão deslumbrante que o Público, jornal de referência português, teve de a comprar para que nós, pessoas, portuguesas, falantes deste idioma velho, pudéssemos aceder a ela, ao bom jornalismo, ao mundo, ao saber e à cultura. Mais não digo: basta pesquisar na galopante internet para ler o belíssimo texto

Como moramos numa época em que o tempo corre à frente do relógio, em que ler é na diagonal, em que as palavras cambaleiam aflitas às pressas no significado, houve comentários aflitos a dizer que era plágio, que o jornalismo esteve no seu pior. Errado. Por hábito aponta-se logo o dedo aos jornais e ao jornalismo.

Uma reportagem assim, linda, livre de acesso, livre de palavra-passe para ler a reportagem virtual tão real vale a pena e, assim, o jornalismo merece uma vénia. Um aplauso.

É economicamente bem pensado e jornalisticamente viável, órgãos de comunicação nacionais comprarem reportagens e estabelecerem parcerias com outros órgãos de comunicação internacionais para que todos de igual modo tenhamos acesso à informação global. Isto sim são os aspectos positivos das redes, da globalização.

Alex Tilov ganhou um Pulitzer, o Público traduziu e assinou devidamente a peça, explicou a parceria, e ofereceu-a, assim, à inocência do nosso pensamento, da nossa leitura. Para crescermos mais um pouco, e deixarmos contagiar por este jornalismo que merece o pódio da sociedade.

POR QUÉ NO TE VAS NICOLÁS?

MOREIRA DA SILVA
É uma mistura emaranhada de sentimentos que nos envolve e nos aperta o coração, quando os nossos sentidos se deslocam para o outro lado do Atlântico e atracam na América do Sul, num país destroçado e à deriva, de seu nome Venezuela. Este país já foi uma potência económica, mas a péssima administração do regime “chavista” levou-o ao declínio.

A Venezuela quando era um país rico tinha como principais indústrias a extração de petróleo, gás natural, ouro, minério de ferro, carvão mineral, mas também tinha outro tipo de indústrias como: siderúrgicas; químicas, agrícolas e pecuárias. A política e os políticos destruíram o país, que tinha grandes potencialidades chegando a ter uma enorme vaga de imigração, onde se incluíam muitos portugueses.

Os emigrantes que tanto ajudaram o país a prosperar são agora corridos ou fogem, como aconteceu com milhares de emigrantes que saíram à pressa e estão a regressar a Portugal. Só nos últimos meses, cerca de 4000 emigrantes portugueses e lusodescendentes chegaram à Madeira vindos da Venezuela.

Este país que chegou a ter a mais próspera economia da América Latina foi transformado no país com a pior economia do mundo, através de governantes que se autoproclamam “defensores do povo”. A Venezuela tem tido dificuldades em fixar divisas, assim como importar todo o tipo de bens de primeira necessidade, como alimentos e medicamentos.

Enquanto os venezuelanos são obrigados a ir para as filas de racionamento de comida, os governantes “tão defensores do povo” (Chaves e depois Maduro) aumentavam as riquezas pessoais e familiares. Esta corja de políticos que impuseram a ditadura venezuelana tem tido o apoio e a solidariedade de políticos portugueses oriundos de uma certa esquerda ortodoxa e esclerosada que sobreviveu à queda do muro de Berlim e ao colapso do bloco de Leste. Esta esquerda ainda não consegue distinguir a ditadura da democracia, nem sabe o que são os direitos humanos.

É contra a grave situação em que o país está mergulhado que a maioria da população tem resistido, pois sabem que todos os indicadores económicos apresentam uma situação negra, que se vai deteriorando muito rapidamente e que não vai melhorar tão cedo.

O povo venezuelano sente que está sem tempo e sem dinheiro, mas também sente uma onda de violência e repressão que já fez diversas prisões e centenas de mortos em manifestações. O próprio ditador Nicolás Maduro já avisou que o ajuste de contas está a começar.

E o ajuste de contas começou mesmo, pois os políticos mais proeminentes da Venezuela que têm denunciado a grave situação do país foram mais uma vez sequestrados pela calada da noite e levados para um complexo militar. O presidente do governo venezuelano afirmou que: “Vamos ajustar todas as contas”. Também garantiu que tinha várias celas preparadas para “acomodar” os deputados e os políticos da oposição.

Parafraseando o falecido monarca espanhol Juan Carlos: Por qué no te vas Nicolás? O que quer dizer: Vai embora Nicolás, mas vai depressa antes que o teu país possa ter um colapso total e entrar em guerra civil.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

(IR)REGULARIDADES NAS MATRICULAS DO (PRÉ)-ESCOLAR

CRÓNICA DE GABRIELA CARVALHO

Nesta crónica, deixo de parte o meu papel enquanto Terapeuta Ocupacional, para prevalecer o meu papel de mãe (o melhor e mais importante)!

Efectivamente a BIRD Magazine é um espaço de debate e partilha de ideias... E hoje, "servindo-me" da sua influência e do número de pessoas a quem chega, vou partilhar/expor uma situação pessoal, que tenho (temos) vivido nas últimas semanas e para a qual, apesar de tudo o que já fiz (fizemos: eu e o meu marido) ainda não obtivemos qualquer resposta das entidades oficiais.


INFORMAÇÃO DE 22 A 31 DE JULHO:

Realizamos a matrícula da nossa filha que completou 3 anos de idade no dia 12 de Junho do presente ano, e que pela data NÃO É CONDICIONAL, na escola por nós, os seus pais, escolhida (situação também permitida e descrita na lei).
Certos de que a lei é cumprida, descansadamente avisamos a ama que entraria para o infantário em Setembro e começamos o processo de aceitação da escola com a nossa pequena, mostrando-lhe inclusivamente, a escola que escolhemos para ela. Contente com a possibilidade de estar e contactar com outras crianças, a nossa filha fala constantemente na entrada para a escolinha.

Relembro que no Diário da Republica, 2ª série – N.º n.75 de 17 de Abril de 2017, o Despacho Normativo n.º 1-B/2017, descreve nos pontos 3 e 4, do artigo 4º referente às matriculas que:
“3- A matrícula de crianças que completem os três anos de idade até 15 de Setembro, ou entre essa idade e a idade de ingresso no 1º ciclo do ensino básico, é efectuada na educação pré-escolar.
4- A matrícula de crianças, na educação pré-escolar, que completem três anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro é aceite, a título condicional, dependendo a sua aceitação definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas, depois de aplicadas as prioridades definidas no artigo 9º do presente despacho normativo.”

Sendo que o artigo 9º refere como prioridades:
“Na Educação pré-escolar, as vagas existentes em cada estabelecimento de educação, para matrícula ou renovação de matrícula, são preenchidas de acordo com as seguintes prioridades:
1ª Crianças que completem os cinco e os quatro anos de idade até 31 de dezembro, sucessivamente pela ordem indicada;
2ª Crianças que completem os três anos de idade até 15 de setembro;
3ª Crianças que completem os três anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro.”

Neste sentido, consideram-se como condicionais, APENAS as crianças que completem três anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro. Logo, todas as outras têm direito a ficar automaticamente inscritas no pré-escolar, como deveria ser o caso da nossa pequena.

No entanto, qual não é a nossa admiração e estado de pânico, quando na data estipulada por lei, são apresentadas as listas dos alunos por turma e constatamos que a nossa filha NÃO FICOU COLOCADA NO JARDIM DE INFÂNCIA. Honestamente como mãe recente pensei que só me poderia acontecer tal situação na entrada para a faculdade; afinal é possível aparecer “NÃO COLOCADA” numa listagem de jardim de infância.

No entanto, os segundos seguintes a esta situação de desespero descontrolado deram lugar a um momento de lucidez: “Como é possível se a nossa filha não é uma aluna condicional? Alguma coisa deve estar errada.”

E eis que solicitamos reunião com responsáveis do agrupamento de escolas ao qual pertence a escola por nós escolhida. Resumidamente, a resposta que nos foi facultada e esclarecida foi quase a mesma que a nossa. Ou seja, admiração e incredulidade, pois tal nunca terá acontecido, uma vez que, pela lei, a nossa filha não é condicional. Portanto, se naquela escola estão inscritas 27 crianças e o número máximo por turma é de 25; e se nenhuma das crianças é condicional e se a escola tem condições físicas e humanas para constituir essas duas turmas (aliás sempre existiram 2 turmas); obrigatoriamente teriam que se constituir essas duas turmas. No entanto, não foi o que aconteceu...
Não contentes com a resposta, questionamos novamente o motivo, uma vez que nada o justifica. A única resposta que foi possível dar-nos foi que efectivamente são ordens superiores e que o agrupamento tem que as cumprir, independentemente de estar ou não de acordo com elas e de estas não estarem de acordo com a lei. Soubemos nessa altura que também aconteceu o mesmo a outras crianças neste e noutros agrupamentos, num número significativo...

Após esta reunião decidimos enviar por escrito reclamação/pedido de esclarecimento para a dgeste, ministério da educação, procuradoria geral da republica, deco, partidos do governo e principais partidos da oposição.

SEM QUALQUER RESPOSTA ATÉ DIA 31 DE JULHO REFERENTE A ESTE PRIMEIRO EMAIL.


INFORMAÇÃO DE 31 DE JULHO ATÉ 04 DE AGOSTO:

No dia 31 de Julho tivemos conhecimento que, efectivamente existiu alteração da parte da dgeste (apesar de nunca nos terem respondido ao email enviado) em relação a algumas turmas e escolas. Isto é, tendo conhecimento da(s) reclamação(ões), a dgeste decidiu autorizar a abertura de turmas em 2 escolas do pré-escolar (escolas do agrupamento de escolas ao qual pertence o infantário onde fizemos matricula e a nossa filha não ficou colocada). Portanto, algumas das crianças que inicialmente tinham sido excluídas e ficado sem escola sabe-se lá o motivo, agora veem as suas matriculas aceites e têm finalmente uma escola para onde ir em Setembro.

COM ESTA NOVA INFORMAÇÃO, REENVIAMOS POR ESCRITO RECLAMAÇÃO/PEDIDO DE INFORMAÇÃO para os mesmos contactos do primeiro email.

Nesse email referimos que tínhamos conhecimento das últimas alteração, mas que ficamos cientes de que existem crianças de primeira e crianças de segunda, crianças que "são suficientes" para reverter situações e crianças que "não são suficientes". INFELIZMENTE A NOSSA FILHA NÃO FOI SUFICIENTE... portanto, apesar de termos reclamado, apesar de nunca termos obtido uma resposta, facto é que houve alterações, MAS NÃO na escola da Estrada, Jardim de Infância que escolhemos para a nossa filha, pertencente ao Agrupamento de Escolas Amadeo de Souza Cardoso (e ao qual pertencem as outras escolas que tiveram a sua situação revertida).

Reiteramos que numa altura em que se fecham escolas privadas e se apela à matrícula nas escolas públicas:

Afinal, continuam-se a apelar às inscrições nas escolas públicas, ou a troco de uma ou duas crianças é preferível não se criar uma nova turma (mesmo que a escola tenha condições) e que essas crianças vão para o privado?

Realçamos que desta vez nos sentimos ainda mais lesados! Sentimos que, efectivamente estamos a viver num pais com crianças de primeira e de segunda, catalogadas logo na entrada para o pré-escolar.

No entanto, nesta segunda informação que enviamos, referimos que ainda guardávamos um resto de esperança que, desta vez, o email não iria passar em branco; que desta vez existiria uma resposta coerente e fundamentada para esta situação. Acrescentando que de qualquer forma, não ficávamos a aguardar eternamente e que até ao final do dia seguinte (1 de Agosto), apelaríamos ao apoio da comunicação social para perceber o que efectivamente está a acontecer este ano com as matriculas e as turmas do pré-escolar (pelo menos) no Agrupamento de Escolas Amadeo de Souza Cardoso.

Facto é, que ainda assim CONTINUAMOS SEM NENHUMA RESPOSTA DE QUALQUER ENTIDADE E QUE SEGUIMOS COM A NOSSA LUTA. Como pais, consideramos que temos direito a uma resposta que não seja "É assim porque tem que ser assim".

EM JEITO DE CONCLUSÃO:
Com a partilha publica via Facebook da situação inicial, acabamos por ter conhecimento de outras iguais à nossa e não só. Por exemplo:
- Aluno frequentou durante os 3, 4 e 5 anos um infantário e na transição para a escola primária não pode ficar na mesma escola e teve que deixar todos os seus colegas porque ficou excluído (à sua frente entraram outras crianças vindas de outro infantário). De acrescentar que esta criança tem residência na freguesia à qual pertence a escola referida;
- Aluno que se matriculou na escola primária da sua zona de residência onde já estava o irmão e que não teve vaga, tendo os pais que optar pela inscrição dos dois filhos numa escola nova para que não ficassem separados!

FALAMOS DE CRIANÇAS PEQUENAS, CUJA ENTRADA PARA O PRÉ-ESCOLAR E/OU ESCOLAR É SIGNIFICATIVA, QUE NÃO DEVERIAM PASSAR POR MAIS UMA SITUAÇÃO CAUSADORA DE STRESS, ALÉM DO QUE JÁ REPRESENTA ESTA MUDANÇA PARA ELAS...

FALAMOS DISTO TUDO, MAS ACIMA DE TUDO FALAMOS DE DIREITOS...

Talvez através da BIRD nos cheguem respostas que nos expliquem de forma coerente e devidamente fundamentada toda esta situação!