domingo, 17 de dezembro de 2017

FAZER PARTE DE UMA ORGANIZAÇÃO SOCIAL É… AMAR!

ANABELA BRÁS PINTO
Em virtude dos factos recentes acontecidos com uma importante organização social em Portugal, gostava de dedicar algumas palavras ao tema.

Hoje, a fazer uma pesquisa (como faço frequentemente) de projetos de organizações sociais, percebi algumas coisas que estão implícitas ao nosso trabalho, mas que não são ditas. Uma delas é o AMOR com que trabalhamos por aquilo que acreditamos.

Na verdade, depois de procurar igualmente em bancos de imagens pela palavra “social” “direitos humanos”, fui ter a imensas imagens de reencontros (ou encontros) familiares, pessoas com o coração nas mãos, coração no coração, coração em todo o lado. Na verdade, é isso mesmo. Trabalhamos com o coração.

Há quem acredite que o trabalho numa organização social, para muitas pessoas, tem um pouco de egoísmo subjacente: necessidade de se provarem capazes, necessidade de se sentirem úteis. Pergunto eu: há maior grandeza do que a pessoa que nos procura porque quer ser útil? Porque quer fazer a diferença?

O verdadeiro voluntário, colaborador de uma organização social, apaixona-se por regra pelo trabalho que faz, pelas pessoas que segue, pelas crianças que forma.

As organizações sociais não são perfeitas. Funcionam com pessoas e logo, com as emoções, o turbilhão de comoções que cada um de nós traz ao trabalho social. Funciona de pessoas para pessoas e com pessoas e por isso, desde logo, o caldeirão de emoções alarga e dispersa. Mas este caldeirão de emoções traz também um enorme amor, e é isso que vou tentar lembrar sempre às pessoas que comigo colaboram.

Conflitos? Claro que há conflitos.
Desavenças? Claro que sim.

Há, no entanto, um fim maior, um propósito maior, subjacente não só às organizações sociais, mas a todas as organizações que se pretendem bem-sucedidas no nosso panorama social: chegar ao nosso público (seja ele qual for) e fazer com que fiquem contentes com a nossa entrega, com a nossa partilha, profissionalismo e generosidade.

E hoje aqui entrego o meu coração e o da minha equipa, que convictamente trabalha com o coração.

Hoje deixo também um mote para pensar: e se agíssemos todos mais com o coração? O que aconteceria?

Uma boa semana para si!


#ong #emocao #coracao #organizacao

DEIXEMOS ENTRAR A MAGIA

JORGE NUNO
Pululam casos sensacionalistas, felizmente, com tendência para a descoberta da verdade. No futebol, em vez do jogo jogado, rola a “bola” dos e-mails, em turbilhão, com inúmeros gigabytes, a revelar uma sucessão de escândalos e a fazer movimentar a Unidade Nacional de Combate à Corrupção, da Polícia Judiciária, a exigir trabalho extra. Dois comandantes de bombeiros a serem constituídos arguidos, no caso dos fatídicos incêndios de Pedrógão Grande, indiciados de crimes de homicídio por negligência e ofensas corporais; em vez de colaboração institucional, fica a ideia de terem sido (re)abertas hostilidades, com o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses a desafiar publicamente o presidente da Autoridade Nacional de Proteção Civil, para que divulgue casos “menos transparentes” que conheça, após o segundo ter anunciado que “irá ser reforçado o número de ações inspetivas (…) e promovidas acções de auditoria interna [aos corpos de bombeiros e associações humanitárias de bombeiros]”. Fruto de trabalho de investigação jornalística, fica-se a saber que, na Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, que nos últimos anos tem médias orçamentais superiores a quatro milhões de euros, dos quais cerca de 1,2 milhões financiados pela Segurança Social e pelo Ministério da Saúde, haverá fortes indícios de esbanjamento de recursos, com uso indevido de dinheiro da instituição para fins pessoais, elevadas compensações financeiras para a própria presidente, assim como “estranhas” ligações contratuais de assessores, a cobrar quantias excessivas, que levou o ex-secretário de estado da Saúde a pedir a demissão, e a que fosse pedido a demissão da respetiva presidente daquela instituição; o ministro do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social, fragilizado com este caso, pediu uma inspeção a esta Associação, com caráter urgente. Com outro trabalho de investigação jornalística, fica-se a saber da existência de uma rede de adoções ilegais praticadas pela IURD – Igreja Universal do Reino de Deus, a indiciar os crimes de subtração de menores, sequestro e tráfico de crianças; o Ministério Público abriu uma investigação a este caso. Volta à baila o caso da [falsa] seita “Verdade Celestial”, em que ficou provado, no tribunal, os crimes de abuso sexual de menores, com o líder e principal arguido a ser condenado a 23 anos de prisão efetiva, juntamente com mais cinco arguidos presentados com penas menores.

Há uma máxima num templo[1] no Japão que diz: “Não veja o mal – não oiça o mal – não fale mal”. Quem conhece minimamente a filosofia oriental, saberá que não é um apelo para que se assobie para o lado. Nesta época, em que predominam ampliados sentimentos de entusiasmo, excitação, entrega, generosidade… sob o poder regulador da vida – o amor – há como que uma anestesia natalícia. Focando-nos nas coisas positivas, seguramente, sentir-nos-emos melhor.


Vejamos, então, com outros olhos, pois, apesar de tudo, os ventos parecem de feição:


– A Santa Casa irá doar 27% das receitas dos jogos/apostas, na semana que antecede o Natal, para integrar um fundo destinado a apoiar as vítimas de incêndios (verba estimada entre 4 a 6 milhões de euros);


– O primeiro-ministro português foi integrado no “top ten” dos políticos europeus mais influentes. No “One Planet Summit” – cimeira sobre o clima, em Paris – garantiu a aposta nas energias renováveis; o ministro do Ambiente afirmou que Portugal assumirá o papel de “front runner” [linha da frente] na luta contra as alterações climáticas; outro português, António Guterres, no cargo de secretário-geral da ONU, concluiu a cimeira com um discurso apelando a que haja mais ambição, mais liderança e mais parcerias na luta contra o aquecimento global, pedindo aos líderes “que mostrem coragem a combater interesses instalados”;


– Uma imagem positiva externa levou a que o ministro das Finanças, deste pequeno país, tenha sido eleito para liderar o Eurogrupo;


– Depois de já ser considerado o “Melhor Destino Turístico da Europa”, Portugal foi agora considerado o “Melhor Destino Turístico do Mundo”, nos World Travel Awards (WTA) – prémio nunca conseguido por qualquer outro país europeu. Neste evento, Portugal arrecadou mais os seguintes prémios: Lisboa obteve o prémio “Melhor Destino para City Break” (estadias de curta duração); Parques de Sintra[2], pela quinta vez consecutiva, conseguiu o prémio “Melhor Empresa do Mundo em Conservação”; o Turismo de Portugal foi considerado o “Melhor Organismo Oficial de Turismo do Mundo”, assim como o seu portal oficial obteve o prémio de “Melhor Site Oficial de Turismo”; já a Madeira foi considerada o “Melhor Destino Insular do Mundo”;


– Entusiasmado com as citadas distinções atribuídas a Portugal, o ministro das Finanças referiu que seria bom, para os juros da dívida pública, o aumento do “rating” pela agência de notação financeira Fitch, a exemplo do que aconteceu com a Standard & Poor’s, que retirou a notação de crédito de Portugal da categoria “lixo”. Anunciou, também, a entrega de mais mil milhões de euros ao FMI, até ao final do ano, totalizando a entrega de 10 mil milhões de euros em 2017, que faz diminuir a dívida pública e aumentar a confiança em Portugal.

Escreveu a autora australiana, Rhonda Byrne[3]: “Se aconteceu algo de negativo na sua vida, pode alterá-lo. Nunca é tarde demais, porque pode sempre mudar a forma como se sente. (…) Todos os dias tem uma oportunidade para uma nova vida. Todos os dias está num ponto de viragem da sua vida. E em qualquer dia pode mudar o futuro – pela forma como se sente”. Conclui, na contracapa do mesmo livro: “Está na hora. Deixe que a magia entre na sua vida!”. E a magia entrou mesmo na vida de Celso Fonseca! Numa entrevista feita pela agência Lusa, divulgada pelo Jornal de Notícias, pode ler-se: “Português passa de sem-abrigo a recordista mundial de ultraciclismo”. É relatado que teve alguns acidentes e que reagiu mal às evasivas das seguradoras em Portugal. Assim, resolveu ir para o Reino Unido e trabalhou em Cardiff, País de Gales, em que uma das profissões exercidas foi a de segurança. Disse, na primeira pessoa: “Fui abusado pelo meu pai quando era criança (…). Tornei-me um sem-abrigo porque a minha cabeça ‘explodiu’. Tentei suicidar-me, mas agora estou a ser seguido por um psiquiatra. (…) Eu quero fazer a diferença. Pela primeira vez percebo que não fiz nada de errado”. Quando vivia nas ruas, diz ter-se entusiasmado com um vídeo das 24 horas de Le Mans (automobilismo) e pensou fazer o mesmo, mas em bicicleta. Viria a ser apoiado por uma cadeia de lojas de bicicleta e treinou arduamente. Acompanhado por oficiais da Associação de Ultramaratonas de Ciclismo do Reino Unido, apesar das dificuldades de alimentação e da baixíssima temperatura no dia da prova, a chegar aos quatro graus negativos, conseguiu percorrer 708 km, quebrando recordes mundiais nos 300 km (em 9:05:41 horas), 300 milhas (482,8 km, em 15:31:59 horas) e 500 km (em 16:08:33 horas). Acreditemos que a sua vida teve um forte impulso positivo. 


Saibamos mudar o futuro, individual e coletivo, e deixemos entrar a magia!

Um Santo Natal e uma vida melhor para tod@s.


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[1] Templo Xintoísta Toshogu Shrine (Séc. XVII), que faz parte do Património Mundial da Humanidade.
[2] Empresa com capitais públicos, sem recorrer ao Orçamento de Estado.
[3] In “O Poder”, ed. Lua de Papel, Alfragide (2010).

A SINA DO SENHOR ADÃO

LUÍS VENDEIRINHO
Do alto do seu metro e sessenta de ossatura, aos olhos água-marinha nada lhes escapava: os trocos quando comprava as notícias do dia, o silêncio dos vizinhos ante a sua saudação, o céu se prometia sol, ou chuva, os estendais do logradouro com as bandeiras do asseio, os lírios do jardim do bairro se floresciam, as rugas que o tempo ia desenhando quando não se reconhecia no espelho do lavabo. Não tinha agenda pessoal, nem calendário na parede da casa onde vivia. O telefone emudecera, a campainha da porta só dava de si se o carteiro aparecia com as facturas da água ou da luz, a colecção de postais não prometia herdeiro. Tinha no roupeiro um fato, que engomava quando era preciso, apenas para os dias do seu aniversário, quando soprava as velas sem ter presente quem o aplaudisse, ou para levar a público em dias de eleições, sem convicção, e orara para que fosse nele bem embrulhado, apenas com a medalha de serviço como bom soldado na lapela, depois da encomendação da sua alma, não sabia se merecida como a medalha. Regava os vasos que debruavam os lances da escada, cujos degraus eram a sua sina, punha migalhas de pão no parapeito da janela para os fiéis pardais, cujo matinal canto era a sua sina, fazia as palavras-cruzadas do jornal, cuja adivinhação era a sua sina. Dava esmola aos pobres, sonhava na companhia das músicas que o rádio de cabeceira destilava, ria-se do seu papel de soberano no reino das fantasias. Até ao dia em que comprou um bilhete premiado na tabacaria do bairro. O senhor Adão passou a ser saudado, pagava as contas próprias e do alheio, a sua opinião era tida em conta, e tinha já uma mula chamada mercedes que carregava as suas extravagâncias ante a admiração pública. Houve um dia em que as flores murcharam nos vasos da escada, em que os pardais deixaram de o visitar e o senhor Adão se achou no direito de não responder à saudação da sua pessoa. Quando um dia procurou no seu dicionário, que apodrecera entre bibelôs, o significado da palavra felicidade, e folheou, folheou, folheou e viu que pertencia a um mundo onde os lírios vingam no cimento e a chuva cai sobre os oásis. O senhor Adão queria morar no metro e sessenta, mas os seus olhos água-marinha eram já cinzas.

E ENTÃO É NATAL

LÚCIA LOURENÇO GONÇALVES
Foram-se os dias quentes e secos. As folhas das árvores, já coloriram nos tons outonais e formaram autênticos tapetes multicores pelos jardins e passeios da cidade, também o seu aroma adocicado nos transportou ao longo dos tempos. Nos trouxe saudades imemoráveis. Chegou o tempo de se renovar o guarda-roupa: peças mais quentes são imprescindíveis… e os guarda-chuvas são impossíveis de esquecer!

Ouve-se o uivar do vento na copa das árvores e nas esquinas dos prédios, observa-se a chuva a fustigar e a escorrer pelas vidraças, formando belas cortinas de cristal. É quase inverno!

Ao fim de semana, únicos dias em que há tempo, fazem-se bolinhos com aroma e sabor a canela, para acompanhar um chá quentinho e reconfortante… Delícia!

As ruas da cidade enchem-se de gente que ora falam animadamente, ora se atropelam apressadas nas suas lides. O movimento da cidade ganha nova vida, uma nova identidade!

Voltamos à época das lojas com músicas alusivas à época natalícia, às ruas iluminadas e adornadas com motivos próprios da época. Todo um ambiente de cor e brilho, que nos transporta para outra dimensão, para a dimensão do amor familiar.

Revivem-se os rituais e as tradições, que podem não ser muito diferentes, porém cada família tem as suas particularidades e vive esta época de uma forma particular e única. Afinal, depende de todos os ensinamentos e tradições que se acumularam ao longo dos anos.

As crianças, alegres, com os seus olhitos inocentes e curiosos, passam de fio a pavio, os catálogos das lojas dos brinquedos e, na tão vasta escolha que têm ao dispor, sentem-se extasiados. Indecisão... mas essencialmente magia!

O menu da noite mais doce e calorosa do ano, executando um pormenor por outro, é muito parecido. A diferença principal reside na forma como cada um, vive esta época repleta de ternura.

E eis que chega a noite do dia 24 de dezembro. A casa é aquecida, a mesa posta com esmero e carinho, a família reunida à volta, brinca descontraída e brinda a mais um ano em que o amor os une no mesmo local, com o mesmo objetivo: estarem juntos pelo prazer de o estarem, pelo amor que nutrem uns pelos outros… E então é Natal!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

FIGURA DO FIADOR

ANA LEITE
“O fiador garante a satisfação do direito de crédito, ficando pessoalmente obrigado perante o credor.” Artigo 627.º Código Civil

Atualmente é comum que um credor queira garantir o pagamento integral do seu crédito, e para tal exige que um terceiro seja fiador desse crédito.

Trata-se de uma garantia das obrigações que tem grande importância prática, sendo frequente nos contratos de habitação, pessoal ou até de arrendamento.

No fundo, o fiador dá garantias pessoais, através do seu património, para o pagamento de uma divida de outrem. Deve-se distinguir duas situações: se foi estipulada a renúncia ao benefício de excussão prévia ou não. Se na celebração do contrato, o fiador renunciou ao benefício de excussão prévia, o credor pode executar o património do fiador, sem necessidade de executar todos os bens do devedor principal. Se não houve renúncia do benefício de excussão prévia, o fiador pode recusar o cumprimento da obrigação constituída pela fiança, enquanto o credor não tiver excutido todos os bens do devedor sem obter a satisfação do seu crédito.

Porém, quando um fiador e o seu património, respondem por uma dívida do primeiro devedor, é conferido ao fiador o direito de regresso. Ocorre uma verdadeira transmissão do direito de crédito para o fiador com todos os seus acessórios e garantias. A fiança extingue-se e o antigo fiador passa a ser credor do devedor.

De notar ainda que o fiador não pode deixar de o ser, sem que primeiro exista o consentimento de todos os intervenientes contratuais.

QUASE, QUASE O NATAL

GABRIELA CARVALHO
Sou fã incondicional do NATAL!!!

Gosto do Natal... gosto do cheirinho ao Natal... gosto do barulho do Natal... gosto das luzes de Natal...

Gosto do Natal, ponto.

Digam (e com verdade, talvez) que poderá ser um tempo de consumismo, de superficialidade... digam, e eu até posso concordar com algumas coisas, mas continuo a gostar do Natal.

Gosto do Natal e até das rabanadas e filhós aprendi a gostar :-)

No entanto, aproveitando o alcance da BIRD, este ano, caindo no erro de me repetir, reitero:

«Sou terapeuta ocupacional e trabalho na Santa Casa da Misericórdia de Amarante há 9 anos. Como profissional, como funcionária, como pessoa, viver o Natal nas instituições é diferente de viver "outros Natais".

É um misto de sentimentos para quem vive o Natal das instituições.

Se nos enche o coração ajudar a vestir o casaco àqueles que vão alegres com as famílias, aperta-nos o coração fechar a porta ao último que saí, sabendo todos os que ficam e que também gostavam de ir…

Nesta crónica, muito breve deixo-vos apenas este apelo:

Visitem, vão, estejam… digam uma ou duas palavras, “marquem presença”… acreditem que muitas vezes torna-se o suficiente para todos os que ficam a viver o Natal nas Instituições!»

QUE TENHAM UM SANTO E FELIZ NATAL!

MÚSICAS DE NATAL

RUI SANTOS
Por esta altura, certamente, cada um de nós já se "esbarrou" com o Espírito Natalício que vem como uma lufada densa de ar quente, neste mês de temperaturas baixas. Este rolo de emoções mostra-se de diversas formas. Através das decorações brilhantes, das saudações com votos de um feliz Natal, dos anúncios que os média bombardeiam para podermos adquirir o presente ideal e sobretudo, através dos sons e da música. Os sons metálicos dos "guizos dos trenós", dos sinos e todas as melodias que reconhecemos prontamente e que nos transporta para esta quadra tão memorável. 

A música tem esta grande peculiaridade: viajar no espaço e no tempo!

Transporta-nos a locais que já visitamos ou que gostaríamos de conhecer, numa altura especifica, passado ou futuro, conforme desejamos, recordar algo que associamos a um som ou música, ou projectar no futuro experiências que desejamos viver, sempre com aquela banda sonora como "backround".

Nesta quadra especifica do ano, quem ainda não ouviu "All I want for Christmas" ou "Last Christmas"nas rádios? Ou quem ainda não trauteou o "Jingle Bells" ou "White Christmas"? 

Colocando a minha opinião de lado, mas chegando um pouco a "brasa à minha sardinha", infelizmente o Natal ao longo dos anos tornou-se num mercado capital muito forte. A corrida ás lojas, a preocupação com prendas, com bens materiais é bem vincada com a imagem da árvore de Natal e, claro a presença anual do Pai Natal que promete prendas às crianças que se portaram bem durante o ano, como se a tomada de boas decisões necessitasse de recompensa material. Mesmo assim é bom saber que pelo menos uma vez por ano o ser Humano está mais aberto à alegria, solidariedade, paz e sobretudo ao conceito de Família. 

Podemos através das tais recordações ou projecções, construir um presente com os valores que o Natal abraça, tais como a bondade,o amor, a solidariedade, o ser caritativo e a importância da Família. Pois não é isso mesmo que os velhos cânticos de natal apregoam? É o recordar velhas caras, familiares distantes, sentir o calor e o conforto de um porto de abrigo, numa época tão conturbada e corrompida a qual vivemos. 

Por isso este ano vou deixar que os sons, as músicas de Natal entrem no meu coração, e tal como faço em qualquer ocasião que cante ou toque, vou fazê-lo porque realmente o sinto, porque estou em sintonia com esses valores, e quem sabe, não ajudarei através da minha música, construir recordações ou projecções alusivas a uma quadra natalícia de paz e amor?

É com os votos de um Feliz Natal que termino esta crónica, e espero que a partir deste ano se valorize mais o que realmente é importante. A todos muita paz e amor. 

Que a música faça sempre parte da banda sonora das nossas vidas.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

O TEMPO

RAUL TOMÉ
Só dás pelo tempo quando dói, quando a agonia lancinante te rasga o fegundo esgar dessa amorfa existência. E nessa dor, tantas vezes dilaceras, por prazer ou por impotência, a tua nobre e singela essência, reduzindo-a a cacos subjugados às vontades alheias. 

Só dás pelo tempo quando é tarde demais, quando o comboio das oportunidades já apita ao longe na curva das reprimidas vontades e das mentiras que nunca se tornaram verdades. Nesse medo, do futuro e do desconhecido, dás pelo tempo que atropelou o que tanto desejavas e que não mais regressou.

Só dás pelo tempo quando anseias acalmar o bater do teu coração, em busca de amor ou da satisfação que, alheia a ti, escorre pelos ponteiros lentos do relógio que teima na tortura que jaz dentro desse tempo que não se apressa.

Não dás pelo tempo que escorre e se esvai todos os dias, em cada minuto, e despreza-lo porque o tempo não existe para além dos horários a cumprir. Nesses momentos, eternizas o tempo, congelando o que és para consumir no tempo certo.

Mas o tempo não pára e não te permitirá qualquer acerto. O que passou, passou. E na irrecuperabilidade do tempo passado, alimentaste os dias em que não foste nada.