sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

CONSCIÊNCIA SOCIAL E GLOBAL

JOSÉ CASTRO
A Consciência Social é uma das competências da Inteligência Emocional, que permite identificar as emoções dos outros à medida que se interage com eles. A utilização adequada desta competência, permitirá promover relacionamentos interpessoais positivos e construtivos. É pois mais um campo de desenvolvimento de todos nós, como seres perfectíveis, numa sociedade onde a descriminação, desrespeito, humilhação, coação psicológica, etc, faz (ainda) parte das relações interpessoais na vida quotidiana e no mundo do trabalho. Se o desafio já é grande, poderá ser colocado num patamar ainda mais exigente!

Nesse sentido, convido-o a alargar o campo de aplicação desta competência, para lá do Ser Humano, ou seja para Seres não humanos, daí a palavra Global. Fará sentido?

Na Declaração de Cambridge sobre a Consciência, assinada na presença de Steven Hawking, a 7 de julho de 2012 pode ler-se:

“(…)A ausência de um neocórtex não parece impedir que um organismo experimente estados afetivos. Evidências convergentes indicam que animais não humanos têm os substratos neuroanatómicos, neuros químicos e neurofisiológicos de estados de consciência juntamente com a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente, o peso das evidências indica que os humanos não são os únicos a possuir os substratos neurológicos que geram a consciência. Animais não humanos, incluindo todos os mamíferos e as aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem esses substratos neurológicos.(…)”.

Assim, e como sempre, baseado em evidências científicas, constata-se que afinal não estamos sós no mundo das emoções! (De referir que para muitos não eram necessárias evidências científicas, pois já o tinham constatado, através das suas relações (intensas) com os animais de estimação ao longo da vida). Quem nunca teve um cão ou um gato que era mais um elemento da família? Que afinal “compreendia” e fazia-se “compreender,” que demonstrava as suas emoções básicas (ou mesmo sentimentos!) pelos seus donos? Neste mundo de Seres (sencientes) todos à sua medida interagem e demostram as sua emoções e afetividade. Curiosamente, eles demonstram elevada “consciência social” produzindo em nós uma satisfação de bem-estar, de companhia e segurança. Quem já não viu os seus efeitos em hospitais, em lares de idosos, em creches, etc? Peca por ainda não ser uma prática comum.

Vamos refletir mais um pouco.

Para muitos, mais importante do que os animais serem mais ou menos conscientes, é sofrerem quando lhes é infligida dor. Presumo que neste ponto teremos o seu consenso.

Gostaria de ver o seu animal de estimação em sofrimento? Gostaria de objetivamente produzir sofrimento deliberado no seu animal de estimação? Presume-se que o leitor dirá que jamais faria isso! (além de ser um ato ilegal).

Mas podemos ir mais longe!

E se não for o seu animal de estimação, mas sim um simples animal da rua ou da natureza? Já produziria sofrimento nele? Já não se importava de o ver sofrer? Já manifesta, aqui, algum tipo de “especismo”? Afinal já não é a abolição do sofrimento uma prioridade que pesa no seu comportamento, independente da espécie do animal? Poderá o sofrimento infligido ser aceite mediante o tipo de utilização do mesmo? Quantas vezes refletiu sobre isso?

Vamos ainda mais fundo? Ou já estamos na medida certa? Mais um passo ainda mais “arriscado”…

Gostaria de “implicitamente” promover o sofrimento animal? Ou seja, não ser o leitor a fazê--lo, mas pagar para que alguém o faça por si? Provavelmente ainda continuaremos com o especismo quando permitimos a sua utilização para lazer, desporto, alimentação, etc. Mas não se ser diretamente responsável pelo sofrimento torná-lo-á menor? Ou evitar o sofrimento deixou de preocupação em relação a alguns animais sencientes?

Em que nível está a sua Consciência Social e Global? Quando esta reflexão começou a ser incómoda para si? Porquê? Alguma vez já se tentou visualizar no lugar do animal? Que emoções sentiria? Estas são algumas das questões que deve fazer a si próprio e procurar uma resposta honesta e verdadeira! 

Caro leitor se ainda não tinha refletido sobre o assunto em causa e este artigo lhe permitiu fazê-lo, já valeu a pena. Não importa a idade que tenha! Podemos sempre evoluir! Todos nós vamos passando de nível para nível, como degraus de escada que nos levam para um patamar superior de paz interior. Em que degrau se encontra? Que vai fazer para subir a escada?

Não deixa de ser curioso que em dezenas de anos de democracia só recentemente os animais deixaram de ser “coisas” e passaram a ser “seres vivos dotados de sensibilidade e objeto de proteção jurídica.” O avanço do conhecimento humano só faz sentido quando nos orienta para um nível de Consciência e Ética superior aplicada a todos os Seres!

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